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O governo federal pretende transformar a Operação Carbono Oculto em uma ação permanente de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro. A estratégia foi anunciada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan,…
G1 — Brasil · 2026-08-31T14:29:43.000Z
O governo federal pretende transformar a Operação Carbono Oculto em uma ação permanente de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro. A estratégia foi anunciada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, durante o Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual nesta segunda-feira (31).
A iniciativa prevê o uso de um sistema de inteligência artificial desenvolvido pela Receita Federal para monitorar continuamente fundos de investimento e setores considerados mais vulneráveis à infiltração do crime organizado.
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Segundo Durigan, a tecnologia permitirá ampliar a capacidade de fiscalização da Receita e viabilizar uma grande operação de combate a esquemas financeiros ilícitos a cada dois meses.
"Nós conseguimos botar de pé um sistema de inteligência artificial que vai usar essas informações olhando para os fundos do país, olhando para o mercado de posto de combustível e outros em que a gente vai conseguir otimizar e fazer uma Carbono Oculto a cada dois meses no país, se a gente tiver o compromisso político de avançar contra o crime organizado, em especial a lavagem de dinheiro no andar de cima", afirmou.
De acordo com o ministro, a iniciativa é resultado das informações obtidas ao longo de mais de um ano de investigação que culminaram na Operação Carbono Oculto, conduzida em conjunto pela Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Ministério Público de São Paulo, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e Secretaria da Fazenda paulista.
A Operação Carbono Oculto, que completou um ano neste mês, revelou como organizações criminosas utilizavam postos de combustíveis para ocultar patrimônio e lavar dinheiro por meio de fundos de investimento e de outras estruturas do sistema financeiro.
Segundo o Ministério da Fazenda, o esquema alcançou empresas como a REAG e permitiu mapear a engenharia financeira utilizada pelo crime organizado para movimentar recursos ilícitos.
Como marco do primeiro aniversário da operação, a Receita cancelou, na última sexta-feira, cerca de 1 mil CNPJs ligados a contas bancárias comprometidas e impedidos de emitir notas fiscais.
Uso de IA para monitorar fundos de investimento
O sistema de inteligência artificial foi estruturado a partir dos padrões identificados durante a Operação Carbono Oculto.
A tecnologia cruza informações sobre todos os fundos de investimento do país com dados de setores considerados sensíveis à atuação do crime organizado, especialmente o mercado de combustíveis.
O monitoramento automatizado busca identificar movimentações incompatíveis com o perfil dos investimentos, estruturas utilizadas para ocultação de patrimônio e possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro.
O foco, segundo o ministro, é atingir a engenharia financeira utilizada por organizações criminosas no chamado "andar de cima" da economia, ampliando a capacidade de fiscalização da Receita Federal e permitindo respostas mais rápidas às irregularidades.
A ferramenta também integra uma estratégia mais ampla de digitalização do Estado, que inclui o uso de inteligência artificial na implementação da reforma tributária para simplificar obrigações fiscais e aumentar a transparência.
Casos recentes impulsionam mudanças regulatórias
As mudanças fazem parte do sétimo eixo da agenda econômica do governo, voltado à agenda microeconômica. Segundo o ministro, o secretário de Reformas Econômicas, Réges, trabalha em propostas para corrigir distorções identificadas tanto na recuperação judicial quanto na regulação do sistema financeiro.
Na área financeira, o governo afirma ter acumulado aprendizados a partir de episódios envolvendo o Banco Master, a REAG e outras instituições. O objetivo é revisar normas regulatórias para reduzir vulnerabilidades sem adotar qualquer mecanismo de controle de capitais.
"Olhar para a regulação financeira, que acho que a gente aprendeu muito com casos Master, REAG e outros que estão aí que mostram distorções que existem, que a gente tem que fazer, evidentemente aqui, deixando claro, sem controle de capital", disse o ministro.
Outra frente envolve mudanças nas regras de recuperação judicial e falências. Segundo ele, as propostas buscam combater abusos existentes nos processos, reduzir o custo do crédito e melhorar a posição dos credores.
"Réges, hoje é meu secretário de Reforma Econômica, tem me apresentado reformas tanto de abusos que existem na recuperação judicial, na falência, com foco em diminuir spread, facilitar a vida do credor no Brasil", afirmou.
Na avaliação do governo, as regras atuais permitem distorções que elevam a insegurança jurídica e encarecem o crédito.
A revisão da legislação integra o conjunto de medidas destinadas a reduzir o spread bancário, fortalecer o ambiente de negócios e ampliar a eficiência do sistema financeiro.
🔎 Spread bancário é a diferença entre o custo de captação dos bancos e os juros cobrados em empréstimos. Quanto maior o risco de inadimplência, maior tende a ser esse diferencial e, consequentemente, mais caro fica o crédito.
*Reportagem em atualização