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Ronaldo Caiado em entrevista à TV Jovem Pan nesta segunda (31)
G1 — Política · 2026-08-31T14:58:10.000Z
Ronaldo Caiado em entrevista à TV Jovem Pan nesta segunda (31)
Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência da República, defendeu um ajuste fiscal focado em reduzir supersalários, emendas impositivas e subsídios. O candidato, no entanto, afirmou que ainda não tem condições de definir quais setores seriam afetados pelos cortes.
Ronaldo Caiado, do PSD, esteve no interior de São Paulo
A declaração foi dada durante entrevista à TV Jovem Pan nesta segunda-feira (31).
Caiado afirmou que pretende promover no governo federal, caso seja eleito, cortes como os que fez em Goiás quando era governador. No estado, Caiado cortou 25% do duodécimo, valor repassado pelo governo estadual aos Poderes Legislativo e Judiciário.
O candidato disse ainda que vai conter as despesas da União, se eleito.
"Eu vou respeitar e reajustar a inflação [no salário mínimo], mas, em relação ao crescimento do PIB, eu só aceitarei despesas até 50%. E eu disse quais são as fontes que eu priorizaria para poder abaixar tudo isso: salários estratosféricos, só de emendas impositivas são mais de R$ 60 bi que temos hoje e programas que recebem incentivos fiscais, que você tem que saber se eles estão respondendo aos incentivos."
Questionado sobre quais áreas seriam alvo de cortes nos subsídios, porém, disse que ainda não é possível defini-las e que nenhum outro candidato teria condições de fazer isso neste momento.
“Você tem aí uma situação obscura do governo [federal]. Você não tem noção do governo”, disse. "Exigir de qualquer candidato neste momento que ele realmente já saiba o que ele vai fazer é exigir um achismo."
Caiado ainda argumentou que os dados abertos disponíveis, que poderiam auxiliar no desenho da política de corte de gastos, são manipulados e dificultam uma previsão das contas públicas.
"Você se lembra quando nós votamos o impeachment da Dilma, e que eles diziam que o furo era aquele quando o Temer assumiu. E a verdade, o que que era? Então, você sabe que isso aí está tudo manipulado. Você queria apresentar um superávit de 0,1% e você sabe que nós já estamos com déficit", disse Caiado.
Se eleito, o ex-governador de Goiás prometeu realizar uma auditoria para identificar as áreas que sofrerão os cortes. Ele também garantiu que saberá negociar com os Três Poderes com base em experiência e “autoridade moral”.
“Se você gerou emprego, usou o incentivo de forma correta, gerou emprego e gerou arrecadação para o Estado, ótimo. Agora, se você usou esse incentivo para comprar apartamento em Miami, comprar um jatinho, você está usando o dinheiro de forma indevida do Estado. É auditoria que faz com que você chegue a isso, e não achismo”, disse o candidato.
Ainda sobre o ajuste fiscal, Caiado foi questionado sobre eventuais cortes nos incentivos ao agronegócio. Segundo informações do Ministério da Agricultura e Pecuária, o Plano Safra 2026/2027 prevê R$525,1 bilhões destinados à agricultura empresarial.
O candidato do PSD defendeu a necessidade de ampliar o incentivo ao seguro rural e afirmou que, se eleito, vai buscar apoio da iniciativa privada para custear a medida.
“Eu buscaria da iniciativa privada uma parceria. Se nós iniciássemos, em comum com a parceria e com os estados que pudessem também lançar sobre isso, num caixa inicial em torno de mais ou menos de R$20 bilhões, seria algo substantivo que já daria uma certa sustentabilidade ao setor”, argumentou.
Falta de apoio no PSD
Na entrevista, Caiado também foi questionado sobre a falta de apoio dentro do PSD à candidatura. Ele reconheceu a situação e elogiou a “coragem” de Gilberto Kassab, presidente da legenda e vice na chapa, de lançar uma candidatura própria do partido.
“É uma verdade, está claro e sempre disse que, se o Kassab não tivesse a coragem de lançar um candidato, mesmo não tendo essa unanimidade, o Brasil já estava na polarização”, afirmou.
Questionado sobre quais governadores e líderes partidários poderiam apoiá-lo até o final da campanha, Caiado citou candidatos nos estados e outras lideranças regionais.
"Posso garantir que, por exemplo, eu tenho apoio no Rio Grande do Sul, eu tenho apoio no Paraná. Aqui em São Paulo a nossa campanha é também uma campanha junto com o governador Tarcísio [de Freitas]. No Rio de Janeiro, junto com o Eduardo Paes. Você tem uma situação de Minas Gerais, que eu também apoio o Mateus [Simões], e você tem na Bahia que eu estou com ACM Neto", afirmou.
Questionado sobre o apoio de Tarcísio de Freitas a Flávio Bolsonaro, e não a ele, Caiado justificou que o eleitorado não é “verticalizado”.
“Uma eleição majoritária está também articulada com um candidato que tem maior identidade nas partes das ideias, como também é a opção de maior parte dos prefeitos de São Paulo. Então isso aí não quer dizer que o eleitorado seja verticalizado”, disse.