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Indústria da defesa pode perder contratos, competitividade e investimentos se reciprocidade for adotada, diz ministério

Uma nota técnica elaborada pelo Ministério da Defesa afirma que uma eventual retaliação comercial do Brasil contra os Estados Unidos por meio da Lei da Reciprocidade trará impactos negativos para a indústria nacional de defesa e segurança.

G1 — Brasil · 2026-08-31T15:41:07.000Z

Uma nota técnica elaborada pelo Ministério da Defesa afirma que uma eventual retaliação comercial do Brasil contra os Estados Unidos por meio da Lei da Reciprocidade trará impactos negativos para a indústria nacional de defesa e segurança.

Entre as consequências previstas, estão a perda de contratos, encarecimento de projetos, perda de competitividade no mercado internacional, retração de investimentos americano e o risco para o acesso a tecnologias sensíveis.

"É possível inferir que a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica trará impactos negativos para a Base Industrial de Defesa e Segurança. O setor poderá sofrer a perda de contratos com empresas norte-americanas e perda na competitividade internacional, pelo fato de ter em seu processo de produção insumos norte-americanos relevantes", diz trecho do documento.

"A retração de investimentos oriundos dos Estados Unidos também poderá ocorrer, o que demandará reconfiguração de cadeias de suprimento", completa a nota técnica.

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O parecer foi produzido após solicitação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, à Câmara de Comércio Exterior (Camex) para avaliar o enquadramento de medidas de retaliação às recentes sobretaxas impostas por Washington a produtos brasileiros.

As tensões comerciais se intensificaram após o governo dos EUA aplicar duas rodadas de tarifas adicionais a produtos do Brasil.

O governo brasileiro chegou a apresentar documentos ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), mas as alegações não surtiram efeito prático.

Apesar de o setor de defesa também já estar sofrendo com as sobretaxas americanas, a Defesa avalia que responder com tarifas retaliatórias não beneficiará o setor nacional.

Entre as principais exportadoras nacionais listadas estão empresas como CBC, Taurus, Nitroquímica, Embraer, CSD e RJC, que enviam aos EUA itens como peças de aeronaves, munições, compostos químicos e detonadores.

Dependência de insumos

Outra preocupação do Ministério da Defesa é a alta dependência de componentes e insumos americanos na linha de montagem da indústria brasileira.

A aplicação de tarifas pelo Brasil encareceria esses insumos, inviabilizando custos de produção e afetando grandes programas das Forças Armadas:

a fabricação de aeronaves KC-390, por exemplo, utiliza peças e subsistemas de fornecedores dos EUA

embarcações desenvolvidas pela Marinha também contam com peças e componentes norte-americanos

Além dos impactos de custos, a nota técnica alerta para o perigo de Washington endurecer regras de controle de exportação de tecnologia sensível em resposta à adoção da reciprocidade.

Diante do cenário, a equipe técnica do Ministério da Defesa recomenda cautela e prioridade ao diálogo diplomático e empresarial.

O Ministério da Defesa conclui que a retaliação tarifária forçaria uma "reconfiguração intempestiva" das cadeias globais de suprimento brasileiras, comprometendo a inserção internacional do país.

KC-390 Millennium da Embraer

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