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'STF é a expressão máxima do fim da República brasileira', diz Renan Santos

O candidato Renan Santos (Missão) durante entrevista para o jornal Gazeta

G1 — Brasil · 2026-08-31T16:14:08.000Z

O candidato Renan Santos (Missão) durante entrevista para o jornal Gazeta

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou nesta segunda-feira (31) que o Supremo Tribunal Federal (STF) é hoje a "expressão máxima do fim da República brasileira". A declaração foi feita durante sabatina do site "Gazeta do Povo".

Ao ser questionado sobre o que acha da atuação da Corte, Renan afirmou que o Judiciário passou a ocupar um espaço que, na avaliação dele, deveria caber aos demais Poderes.

"O STF é hoje a expressão máxima do fim da República brasileira. A República brasileira já está em crise há muito tempo, já está em crise no Legislativo, o Poder Executivo perdeu a sua capacidade de executar, virou apenas um balcão de negócios, e o Judiciário se colocou na posição de definir os rumos do Brasil", afirmou.

Ao comentar o inquérito das fake news, Renan afirmou que a reação do STF ao que chamou de um “arroubo maluco do bolsonarismo” justificou, naquele momento, a abertura da investigação. Na avaliação do candidato, porém, a Corte acumulou poderes nesse processo e os manteve mesmo após o fim do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O inquérito das fake news foi aberto pelo STF em 2019 para investigar a disseminação de notícias falsas, ameaças e ataques contra ministros da Corte e seus familiares. A investigação é relatada pelo ministro Alexandre de Moraes.

“Esse superinquérito teve como premissa um arroubo maluco do bolsonarismo durante o mandato deles, que justificou, da parte do STF, a criação daquele inquérito. Mas, naturalmente, quando você acumula poder, você não abandona o poder acumulado. Então, Bolsonaro passou e o STF continuou superpoderoso e continua exercendo esses superpoderes”, disse.

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O candidato afirmou ainda que, se eleito, pretende aproveitar as indicações que caberão ao próximo presidente para tentar alterar a correlação de forças no tribunal. O presidente eleito em 2026 deverá indicar quatro ministros ao STF ao longo do mandato, em razão da aposentadoria compulsória, aos 75 anos, de integrantes da atual composição. Segundo Renan, a entrada dos novos ministros permitiria construir uma maioria diferente da atual.

Entre as mudanças defendidas por Renan estão o fim das decisões monocráticas, a criação de um código de ética para os ministros e alterações no foro por prerrogativa de função.

Apesar das críticas, Renan disse que não pretende iniciar um eventual governo em confronto com o Supremo.

"Se, no caminho, o STF resolver se colocar como uma pedra no sapato, eu imagino que eles vão ter o meu enfrentamento. Mas não vai partir de mim o enfrentamento."

Renan voltou a dizer que pretende compor com partidos do Centrão, grupo que costuma criticar. O candidato afirmou que começaria a articulação já no dia seguinte a uma eventual vitória, mas disse que não entregaria estatais ou órgãos públicos em troca de apoio.

"Eu vou ter que sentar com os ladrões [do Centrão]. Eles não brotaram no chão. Eles foram eleitos", afirmou.

"Você é um partido do Centrão, quer construir comigo uma agenda de Brasil dentro do projeto que venceu a eleição nas urnas? Beleza, venha compor. Eu não vou te dar nenhuma estatal."

O candidato também afirmou que pretende mudar a lógica das emendas parlamentares. Pela proposta, o volume disponível estaria relacionado ao espaço discricionário aberto no Orçamento com a redução de despesas obrigatórias.

Renan defendeu ainda uma "Lei de Responsabilidade Gerencial", que condicionaria parte da distribuição de emendas aos resultados apresentados pelas administrações municipais. Segundo ele, prefeitos que não cumprissem determinadas metas poderiam ser impedidos de disputar a reeleição.

Durante a sabatina, Renan voltou a defender que o Brasil desenvolva uma bomba atômica. Para o candidato, o país precisa aumentar o poder diante de ameaças externas.

"O Brasil tem que discutir ter soberania, controle e poder de dissuasão sobre qualquer ameaça externa. Isso passa pela bomba atômica sim", afirmou.

Questionado sobre os impactos que um programa desse tipo poderia provocar nas relações do Brasil com outros países, Renan disse que aceitar essa limitação significaria assumir uma posição de submissão internacional.

"Então nós temos que assumir que somos submissos para sempre à China e aos Estados Unidos? Vocês querem ser vassalos, sejam um vassalo internacional."

Conversão ao catolicismo

Na semana passada, Renan Santos afirmou ter se convertido ao catolicismo. Durante a sabatina, ao ser questionado sobre a conversão e a influência da religião em sua campanha, disse que pretende tratar o assunto de forma discreta e que não usará a nova fé como instrumento de propaganda eleitoral.

"Quando eu fiz o batismo, eu não publiquei fotos, não comecei a ficar produzindo conteúdo dessa linha. Eu tô mantendo isso e vou manter até o fim da campanha de uma maneira muito discreta."

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