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'Tudo que eu tinha estava lá': credores relatam desespero ao ver Roberta Luchsinger ostentar viagens enquanto dívidas não são pagas

Os processos de Roberta Luchsinger por dívidas sem pagamento

G1 — Brasil · 2026-08-31T16:11:14.000Z

Os processos de Roberta Luchsinger por dívidas sem pagamento

Credores de Roberta Luchsinger relatam dificuldades para receber valores devidos pela empresária e dizem ter enfrentado prejuízos enquanto acompanhavam, pelas redes sociais, publicações de viagens e uma rotina de alto padrão.

Um dos casos envolve o tapeceiro Nilton Cezar, que foi contratado por Roberta, em 2011, para reformar estofados, camas e revestimentos de uma residência. O serviço custou R$ 61 mil.

Segundo o profissional, Roberta pagou R$ 25 mil inicialmente e não quitou o restante. Ele recorreu à Justiça e obteve decisões favoráveis, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Ao longo da execução judicial, foram feitos acordos para o pagamento da dívida, mas eles não foram cumpridos. O profissional conta que a situação afetou o funcionamento do negócio.

“A gente tem funcionário para pagar, aluguel de ponto, chegamos a vender um carro, a gente fica desesperado, entendeu?”

Roberta usou uma coleção de gravuras de Portinari como pagamento de uma dívida, mas as peças eram apenas réplicas.

Gravuras atribuídas a Portinari

Durante o processo, a Justiça determinou a penhora de bens de Roberta. A empresária ofereceu uma coleção de 14 gravuras como forma de pagamento. A empresária afirmou que as obras eram originais de Cândido Portinari e avaliou a coleção em R$ 70 mil.

Procurado pelo Fantástico, o Projeto Portinari informou que as peças eram reproduções de obras do artista. Após acompanhar a situação, o tapeceiro afirmou que ficou incomodado ao ver publicações de Roberta nas redes sociais.

“A gente fica triste, né? Ver uma pessoa devendo e só viajando, postando viagem. É triste”, diz.

Lauro é uma das supostas vítimas de Roberta, que perdeu uma fazenda avaliada em R$ 8 milhões para quitar um empréstimo.

Fazenda usada como garantia

Outro credor citado na reportagem é Lauro Escobosa Vallejo, que aceitou ser avalista de um empréstimo de US$ 300 mil relacionado a um projeto de documentário sobre o designer de carros de luxo Horacio Pagani.

Roberta e uma sócia apresentaram o projeto em 2016. O orçamento previsto era de cerca de US$ 4 milhões, que seriam bancados por um suposto fundo do Bahrein.

Como o dinheiro ainda não havia sido liberado, foi contratado um empréstimo para iniciar as gravações. Roberta convenceu Lauro a ser avalista e oferecer a própria fazenda, em Minas Gerais, como garantia.

O investimento estrangeiro não se concretizou e o empréstimo não foi pago. A Justiça determinou a perda da fazenda, avaliada em R$ 8 milhões.

Fazenda foi usada como garantia para um empréstimo que nunca foi pago.

Lauro afirmou que aceitou a proposta porque esperava receber uma participação na bilheteria do filme e uma comissão.

“Eu acabei aceitando. Me prometeram uma participação na bilheteria do filme e me pagaram uma comissão de acho que na época eram R$ 40.000, uma coisa assim.”

Com a perda da propriedade, ele diz que o prejuízo foi além do valor financeiro.

“Tudo que eu tinha tava lá. Inclusive não é a questão da propriedade em si, é o sonho. Não é fácil, cara. Não é fácil. Não é fácil.”

Nas redes sociais, Roberta Luchsinger vive uma vida de luxo, mas na justiça, acumula derrotas.

A reportagem também cita processos envolvendo diferentes tipos de credores.

Entre eles estão uma instituição de ensino, que cobra uma dívida de R$ 91 mil referente a mensalidades da filha de Roberta em 2017, e uma loja de roupas, que buscava receber uma compra de R$ 6.124 feita no mesmo ano.

Na última atualização citada na reportagem, em 2023, a dívida com a loja já ultrapassava R$ 21 mil. Roberta chegou a oferecer um quadro, avaliado por ela em R$ 100 mil, como garantia, mas a obra desapareceu antes de ser levada a leilão.

Também são citados uma agência de publicidade contratada para uma pré-campanha eleitoral em 2022, que recebeu R$ 4.200 de uma contratação de R$ 42 mil, e processos de duas trabalhadoras domésticas.

As duas foram demitidas sem receber os direitos trabalhistas. Os processos somavam R$ 50 mil e prescreveram sem que as funcionárias recebessem os valores.

A empresária vive esbanjando nas redes sociais, mas acumula dívidas.

Aluguel de apartamento

Outro caso envolve um apartamento de alto padrão onde Roberta morou entre 2019 e 2023.

Os proprietários, um casal de idosos que usava o aluguel como complemento da aposentadoria, entrou na Justiça em 2020 por falta de pagamento de aluguel, condomínio e IPTU.

Roberta deixou o imóvel apenas em 2023, depois de sucessivos acordos de pagamento. Segundo a reportagem, a dívida chegou a R$ 500 mil e só foi quitada em maio de 2024.

O proprietário morreu durante o processo sem ter recebido os valores.

Procurada pelo Fantástico, Roberta não quis gravar entrevista. Ela enviou uma lista com os números dos processos citados na reportagem e informou quais deles já haviam sido arquivados pela Justiça.

Sobre o caso da fazenda, afirmou que também havia sido enganada pelo investidor do filme e que Lauro conhecia os riscos da operação.

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