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Novo míssil dos EUA utilizado pela 1ª vez contra o Irã deixou amplo rastro de destruição e dezenas de mortos, diz relatório

Edifício e carro com diversos buracos após ataque aéreo em Lamerd, no sul do Irã, em 28 de fevereiro de 2026.

G1 — Mundo · 2026-08-31T17:02:40.000Z

Edifício e carro com diversos buracos após ataque aéreo em Lamerd, no sul do Irã, em 28 de fevereiro de 2026.

Alireza Ameri/Tasnim News Agency via AP

Um novo tipo de míssil, que explode e se fragmenta antes de tocar o solo, que foi utilizado pela 1ª vez em combate pelos Estados Unidos durante a guerra contra o Irã deixou um amplo rastro de destruição e dezenas de mortos, incluindo civis, segundo um relatório de um instituto especializado.

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Os EUA lançaram três Mísseis de Ataque de Precisão (PrSM, na sigla em inglês) contra a cidade de Lamerd, no sul do Irã, no primeiro dia da guerra no Oriente Médio —no mesmo dia em que outro ataque com míssil Tomahawk matou centenas de crianças e professores em uma escola em Minab.

Esse ataque atingiu uma escola e um centro esportivo, e a composição desses mísseis amplificou o número de mortos e a destruição causada, segundo uma análise feita pelo do monitor de conflitos Airwars: foram pelo menos 21 civis mortos, incluindo sete crianças, e alguns deles estavam a 50 metros do ponto da explosão.

O PrSM foi projetado para explodir no ar e lançar dezenas de milhares de fragmentos metálicos densos em alta velocidade em todas as direções. O armamento é apresentado pelo seu fabricante como o míssil balístico do futuro, e diversos países como os EUA, Reino Unido e Austrália investiram bilhões de dólares para os acrescentar a seus arsenais.

Fotos, vídeos e imagens de satélite do local após os ataques em Lamerd, analisados pelo Airwars e verificados pela agência de notícias Associated Press (AP), mostram prédios, ruas e veículos fortemente marcados por impactos, em um padrão de explosão que, segundo especialistas, é compatível com as capacidades do PrSM. (Veja na foto acima)

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O Airwars foi o primeiro a mapear o raio dos danos provocados pelo bombardeio com mísseis PrSM em Lamerd, seis meses após o início do conflito, e estimar o alcance letal da arma utilizada. A publicação do relatório evidencia para os riscos de utilizar um armamento de fragmentação contra áreas densamente povoadas.

As Forças Armadas dos EUA confirmaram ter lançado PrSMs contra o Irã e destacaram seu "primeiro uso na história" no ataque, porém negaram ter utilizado o armamento contra Lamerd. Ainda não havia sido esclarecido até a última atualização desta reportagem qual era o alvo pretendido no ataque em Lamerd, porque havia um complexo do da Guarda Revolucionária do Irã nas proximidades do ataque, porém imagens de satélite não mostraram danos no local.

Homem examina destroços de míssil após bombardeio em Lamerd, no Irã, em 28 de fevereiro de 2026.

Alireza Ameri/Tasnim News Agency via AP

Seis especialistas em armamentos, incluindo dois ex-integrantes das Forças Armadas, disseram à AP acreditar que de fato PrSMs foram utilizados para atingir Lamerd — e afirmaram ser improvável que armas israelenses ou iranianas tenham sido utilizadas. Todos disseram que as Forças Armadas deveriam evitar disparar o PrSM contra alvos próximos a áreas civis.

"Seria difícil encontrar uma justificativa para usar o PrSM em uma área densamente povoada", disse Michael Meier, ex-assessor do Exército dos EUA sobre as leis da guerra.

Em março, o governo Trump assinou um contrato com a fabricante Lockheed Martin para acelerar a entrega de mais mísseis PrSM.

Mísseis em Lamerd provocaram danos a grande distância dos pontos de explosão

Lançamento de Míssil de Ataque de Precisão (PrSM) dos Estados Unidos. Foto de abril de 2025.

O Airwars encontrou imagens de uma escola em Lamerd que foi danificada pelo míssil que explodiu sobre o Complexo Esportivo Shahid Naimi, a cerca de 170 metros de distância.

A explosão matou sete civis, a maioria crianças, informou a imprensa estatal iraniana. O Airwars afirma ter utilizado material de código aberto para confirmar as mortes. Entre as vítimas estavam três adolescentes que jogavam vôlei e uma mulher que fumava narguilé em frente à sua casa.

Uma explosão separada sobre o bairro de Tal-e Khandagh matou Avina Barzegar, de 2 anos, que brincava no quintal de casa. O Airwars estima que o fragmento que atingiu Barzegar percorreu 50 metros desde o local da explosão. A organização chegou a essa conclusão ao geolocalizar a casa da menina com base em um vídeo que mostrava o portão de entrada e medir a distância até o ponto da explosão.

Nem o Airwars nem a AP encontraram relatos que indicassem a morte de militares ou integrantes das forças de segurança nos ataques, nem que instalações militares tenham sido atingidas.

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