ITATIBA1

Tarifaço de Trump: em reunião, ministros dizem que não concordam com 'tratamento discriminatório' e 'injusto' contra o Brasil

Os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio divulgaram uma nota conjunta nesta segunda-feira (31) na qual informaram terem dito ao a representantes do governo americano que não concordam com o tarifaço…

G1 — Economia · 2026-08-31T18:56:20.000Z

Os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio divulgaram uma nota conjunta nesta segunda-feira (31) na qual informaram terem dito ao a representantes do governo americano que não concordam com o tarifaço contra produtos brasileiros, mas que o país está aberto ao diálogo para conduzir novas negociações.

A nota conjunta foi divulgada após os ministros Mauro Vieira (Itamaraty) e Márcio Elias (MDIC) terem participado de uma conversa virtual com o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer, além de outros integrantes do governo brasileiro, para discutir o tema.

Em nota divulgada após a reunião, o governo afirmou estar disposto "ao diálogo" e que novas reuniões sobre o tema vão ocorrer.

"Os ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o País, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio. Uma vez mais, indicaram que as justificativas apresentadas pelo Governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil", diz trecho do comunicado.

"As partes concordaram em voltar a reunir-se em nível ministerial, em data oportuna, a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas. Admitiu-se, ainda, que as próximas reuniões sejam virtuais ou presenciais. O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional", completa a nota.

A conversa desta segunda-feira foi acertada após os presidentes Lula e Donald Trump terem se falado há cerca de 10 dias.

Na ocasião, os dois chefes de Estado falaram sobre o tarifaço, e Lula disse a Trump que as justificativas do USTR para recomendar o tarifaço eram infundadas.

Ao todo, os Estados Unidos anunciaram dois tarifaços sobre produtos brasileiros vendidos no mercado americano:

25%: diante do entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais contra empresários americanos em seis setores da economia (como PIX, desmatamento, propriedade intelectual e etanol);

12,5%: diante do entendimento da Casa Branca de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas onde há trabalho forçado.

Em reação às medidas, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que os Estados Unidos agiram de maneira discriminatória e feriram compromissos do próprio país na entidade.

O governo americano já respondeu que está “à disposição” para conversar sobre o tema, mas não indicou se haverá reversão ou não.

Diplomatas brasileiros dizem nos bastidores que não esperam uma reversão do tarifaço a partir de uma eventual decisão da OMC, mas que o movimento marca diante da comunidade internacional a posição do Brasil sobre o tema.

Conforme a nota desta segunda-feira, os integrantes dos governos Lula e Trump concordaram em fazer uma nova rodada de negociação, em nível ministerial, “a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas”.

“O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”, conclui a nota.

Leia no Itatiba1 →