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De Uberlândia para o mundo: três estilistas transformam a cidade em referência da moda de
G1 — Brasil · 2026-08-31T18:58:14.000Z
De Uberlândia para o mundo: três estilistas transformam a cidade em referência da moda de
Uberlândia completa 138 anos em 31 de agosto com representantes de destaque na moda de luxo brasileira. As estilistas Fabiana Milazzo, Patrícia Bonaldi, da PatBO, e Letícia Manzan construíram marcas a partir da cidade e conquistaram espaço no mercado internacional, vestindo celebridades como Beyoncé, Jennifer Lopez, Shraron Stone, Xuxa e Gisele Bündchen.
As três estilistas investiram na valorização do trabalho artesanal e na formação de equipes especializadas em Uberlândia. Hoje, suas criações são usadas por mulheres de todo o Brasil e também do exterior.
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Além do sucesso empresarial, as três estilistas contribuíram para transformar Uberlândia em um polo de criatividade, inovação e geração de emprego na indústria da moda.
Fabiana Milazzo, Patrícia Bonaldi e Letícia Manzan
Samara Guimarães Coelho (D), Leo Faria (M), Hallyson Bysmarck (E)
Fabiana Milazzo: Luxo artesanal
Fabiana Milazzo fundou sua marca há 25 anos em Uberlândia
Samara Guimarães Melo/Divulgação
Há 25 anos, Fabiana Milazzo iniciou, em Uberlândia, uma trajetória que a levou a mercados nacionais e internacionais, com passagens por cidades como São Paulo, Paris e Los Angeles.
Mesmo em um setor dominado por marcas tradicionais, algumas centenárias, a estilista decidiu manter a produção no interior de Minas Gerais. Até hoje, toda a confecção da marca está concentrada na cidade.
"Eu quero ver minha cidade crescendo. Quero que as pessoas que estão aqui tenham trabalho, aprendam mais e tenham oportunidades", afirma Fabiana Milazzo.
Com lojas em Uberlândia e São Paulo, Fabiana atribui parte do sucesso ao aperfeiçoamento técnico.
Ela se formou em Moda na Academia Italiana de Moda, Arte e Design e fez especialização no Instituto Callegari. Segundo a estilista, a formação ajudou a transformar ideias em criações que valorizam a identidade feminina.
"O desenvolvimento técnico me proporcionou ter mais domínio sobre minhas ideias, por exemplo, eu queria algo que lembrasse o brilho da água em determinadas peças. Após comentar sobre isso com um fornecedor ele desenvolveu o tecido liquid, para o qual tenho exclusividade no Brasil", contou.
Para Fabiana, criatividade e conhecimento técnico andam juntos. Segundo ela, a combinação é essencial para transformar ideias em peças viáveis.
“O papel aceita qualquer coisa. Mas para tornar possível aquilo que você imaginou em algo real, só com muito domínio técnico".
Ao longo dos anos, a estilista também investiu na formação da equipe. Atualmente, a marca gera trabalho para cerca de 150 pessoas, entre empregos diretos e indiretos.
A produção envolve técnicas artesanais, bordados e processos que podem levar meses até a finalização de uma peça.
Além da produção de moda, Fabiana desenvolveu projetos de capacitação profissional. Um deles foi o programa "Mulheres de Renda", realizado na organização não governamental (ONG) Ação Moradia, no bairro Morumbi.
A iniciativa ensinava técnicas de bordado a mulheres que tinham dificuldade para ingressar no mercado de trabalho porque precisavam cuidar dos filhos.
“Proporcionamos a essas mulheres inclusão no mercado de trabalho. Muitas delas levavam os filhos ou os netos para as aulas e todos eram acolhidos com muito carinho", recordou.
Fabiana busca inspiração em diferentes áreas, como natureza, música, arte e viagens. A estilista também destaca a importância da intuição no processo criativo.
“É captar o inconsciente coletivo antes das outras pessoas. Não é racional, é muito intuitivo".
Essa combinação de referências inspirou 'Passarim', coleção mais recente da estilista. O trabalho foi baseado na natureza e em canções de Tom Jobim.
O lançamento ocorreu no Iate Clube de São Paulo e contou com apresentação de músicas do compositor executadas por um octeto feminino ligado ao Theatro Municipal.
Ao longo da carreira, Fabiana explorou diferentes universos criativos. Na coleção 'Teen Spirit', por exemplo, buscou referências na obra de Kurt Cobain, vocalista da banda Nirvana.
Mais recentemente, voltou o olhar para a música brasileira e para a natureza ao desenvolver a coleção 'Passarim'.
"Não tem nada que represente mais o designer do que o desfile. A emoção de ver todas as criações diante da plateia depois de meses de trabalho árduo é indescritível".
Muitas peças da marca passam por processos artesanais que exigem dias ou até meses de desenvolvimento. Segundo a estilista, esse cuidado é parte da definição de luxo adotada por ela.
Essa busca pelo novo numa época em que tudo parece ser rápido demais leva a estilista a refletir sobre o que é o luxo no mundo da moda hoje e o que virou sua filosofia criativa.
“Luxo é tempo. Eu tenho que me dar ao luxo de gastar muito tempo executando os meus produtos porque tudo precisa estar perfeito”, resumiu ela que quando está em fase de produção chega a trabalhar mais de 14 horas direto.
Ao completar um quarto de século de carreira, Fabiana afirma não olhar para os 25 anos como um ponto de chegada. “A gente está num constante processo de evolução e aprimoramento.”
E, enquanto a marca segue buscando inovação, a produção permanece em Uberlândia — cidade onde tudo começou e onde Fabiana decidiu construir o caminho até a moda internacional.
A trajetória internacional da estilista inclui desfiles em Paris e Los Angeles. As criações já foram usadas por nomes como Fergie, Sharon Stone, Alessandra Ambrosio, Marina Ruy Barbosa, Camila Coelho, Katie Holmes e Gisele Bündchen.
Fabiana recorda desse trabalho com carinho. A top brasileira usou um conjunto de top e hotpants criado artesanalmente, usando técnicas de sobreposição e colagens de tecidos descartados dentro do ateliê da estilista uberlandense.
Gisele Bündchen usa conjunto de Fabiana Milazzo na capa da Vogue Raízes
Zee Nunes/Vogue/Outubro 2018/Reprodução
"Usei a seda da casulo feliz e outro foi o tecido que eu criei, o renovarte, feito através do descarte de outros materiais. Foi um momento especial para a marca porque a Gisele, além de uma modelo incrível é uma pessoa muito ligada às causas ambientais e fiquei honrada por ser lembrada".
Fabiana afirma que os processos artesanais continuam sendo prioridade na marca e não podem ser totalmente substituídos pela tecnologia.
Segundo ela, a sustentabilidade está ligada ao reaproveitamento de materiais e à criação de peças duráveis, produzidas para permanecer por muitos anos no guarda-roupa.
"Posso te dizer que hoje nossa produção gera lixo zero, reaproveitamos tudo. Os que são possíveis de fazer o renovarte usamos para criar outro tecido; os tecidos menores e malhas destino para um Centro que minha mãe ajuda, outros vão para a Casa do Menor e ainda doamos uma parte para as funcionárias".
Fabiana Milazzo com as modelos após desfile da coleção 'Passarim' em São Paulo
Patrícia Bonaldi: o charme do coração mineiro da Pat.B0
Patrícia Bonaldi nasceu em Goiás e mudou-se para Minas ainda criança
Patrícia Bonaldi transformou o trabalho artesanal em uma das marcas brasileiras de moda com maior reconhecimento internacional em uma trajetória que começou em 2002.
Desde 2012, ela comanda a PatBO, marca conhecida pelos bordados, pelas aplicações manuais e pelo estilo feminino contemporâneo.
Nascida em Ceres (GO), mudou-se para Uberlândia ainda criança. Chegou a cursar Direito e Medicina na Universidade Federal de Uberlândia, mas tinha uma paixão por moda e design desde muito nova, quando comprava tecidos com a mãe.
Após morar por três anos no Japão, Patrícia decidiu se dedicar integralmente à moda. Foi em Uberlândia que começou a desenvolver a identidade criativa que marca suas coleções até hoje.
Bordados, riqueza de detalhes e feminilidade estão entre as características da marca. Mas, para Patrícia, o diferencial está em unir esses elementos a uma mulher contemporânea.
“Existe uma mistura entre o delicado e o sofisticado, entre a delicadeza e a força. Gosto de criar peças que tenham impacto, mas que também tenham movimento e vida”, afirma.
A estilista diz que nunca enxergou a cidade onde nasceu a PatBO como uma barreira para alcançar outros mercados. Foi em Uberlândia que ela aprendeu a valorizar o trabalho manual e se inspirou pelas pessoas ao seu redor.
Ao longo dos anos, a PatBO expandiu a atuação para o exterior e vestiu celebridades como Camila Cabello, Paris Hilton, Jennifer Lopez, Kate Hudson e Beyoncé.
A cantora norte-americana usou criações da marca em duas ocasiões recentes: na divulgação da turnê "Renaissance World Tour" e durante a passagem pelo Brasil para promover o filme da turnê.
Beyoncé veste Pat.BO em foto da tour 'Reinassance'
“Vestir Beyoncé foi um daqueles momentos que ficam para sempre na memória. Ela é uma artista de uma dimensão enorme, talentosa, com presença forte. Ver uma criação nossa fazendo parte daquele universo foi uma emoção grande e também uma confirmação de que o trabalho que começou em Uberlândia poderia chegar aos maiores palcos do mundo.”
Segundo Patrícia, o reconhecimento internacional foi resultado da preservação da identidade da marca, que só evolui por não tentar deixar de ser o que é.
“A nossa origem não limita a nossa capacidade de sonhar. O mercado internacional é muito competitivo, mas ele também reconhece autenticidade", afirmou.
Para a estilista, autenticidade, qualidade e consistência são fatores que ajudam uma marca a se destacar internacionalmente.
Ela também associa o conceito de luxo ao valor agregado de uma peça, e não apenas à exclusividade ou ostentação.
“Para mim, luxo hoje está muito mais relacionado ao valor do que à ostentação.”
Tempo, técnica, exclusividade e história estão entre os elementos que, segundo Patrícia, agregam valor às peças produzidas pela marca.
Atualmente, a empresa reúne mais de 300 colaboradores.
Hoje, a PatBO possui 14 lojas no Brasil e duas nos Estados Unidos. Segundo a estilista, o crescimento ocorreu sem que a marca deixasse de lado as raízes construídas em Uberlândia unindo tradição e contemporaneidade.
Para Patrícia, sustentabilidade está relacionada à longevidade. Uma peça cuidadosamente criada, que tem qualidade, trabalho feito à mão e uma identidade atemporal tem uma vida maior dentro do guarda-roupa.
Ela explica que a Pat.Bo sempre vai valorizar o trabalho manual e as técnicas de construção, além de fazer escolhas cada vez mais conscientes nos processos e materiais.
"Cuidamos da cadeia de produção e isso inclui cuidar também das pessoas envolvidas em cada etapa".
Patrícia Bonaldi com as modelos que desfilaram a coleção 'Brazilian Bohemian' na New York Fashion Week - outono 2026
Letícia Manzan: moda e sentimento
A estilista uberlandense Letícia Manzan deu origem à sua marca em 2015
Fundadora da marca Manzan, criada em 2015, Letícia Manzan construiu em Uberlândia uma grife especializada em moda festa que atende clientes de várias regiões do Brasil e do exterior.
Segundo a estilista, o principal objetivo é fazer com que cada cliente se identifique com a peça escolhida.
“Eu não quero que a cliente vista um vestido bonito. Quero que ela coloque a peça e pense: ‘esse vestido foi feito para mim’”, afirma.
Letícia é formada em Design de Moda pelo Centro Universitário do Triângulo (Unitri), em Uberlândia. Fez especializações no Instituto Marangoni, em Milão, e na Bunka Fashion College, em Tóquio, cidade que inspirou sua primeira coleção.
Para Letícia, o diferencial da marca está no trabalho artesanal desenvolvido ao longo dos anos.
Bordados, rendas, cristais, aplicações e técnicas próprias fazem parte da identidade das peças.
Foi em Uberlândia que a estilista estruturou a fábrica da marca, formou equipes e desenvolveu processos próprios de produção.
Atualmente, a Manzan mantém uma loja no bairro Fundinho, em Uberlândia, e outra nos Jardins, em São Paulo.
Para Letícia, a distância dos grandes centros deixou de ser uma barreira para quem cria moda depois da popularização da internet.
“A nossa história mostrou que não é necessariamente preciso estar em São Paulo para construir uma marca de alcance nacional porque essa moda deixou de depender tanto do CEP de onde ela é criada.”
Ao longo da trajetória, a marca já vestiu mais de cem celebridades. Entre elas estão Ana Hickmann, Anitta, Xuxa Meneghel, Juliana Paes, Claudia Leitte, Luciana Gimenez, Thaila Ayala, Fátima Bernardes e a influenciadora Thássia Naves.
Segundo Letícia, a importância de uma peça não depende da fama de quem a veste.
Ana Hickman em ensaio com o filho, em 2015, com criação de Letícia Manzan
Redes Sociais/Ana Hickman
"Para uma celebridade pode ser um tapete vermelho; para outra cliente pode ser o casamento da filha. Para aquela mulher, aquele também é o grande evento da vida dela", conta.
Para Letícia, um dos sinais de maturidade da marca surgiu quando as pessoas passaram a reconhecer suas criações sem precisar ver a etiqueta.
undo a estilista, esse reconhecimento é resultado de anos de trabalho para construir uma identidade própria e, ao mesmo tempo, acompanhar as transformações do mercado da moda.
Criações Leticia Manzan: vestido da primeira coleção, 'Toquio' (2015), primeiro desfile com 'Tailandia' na Minas Trend (2017) e coleção Swarovski (2025)
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