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Enfermeira que matou os 3 filhos: entenda o que júri pode decidir em julgamento que dividiu os EUA

Lindsay Clancy durante seu julgamento por homicídio

G1 — Mundo · 2026-08-31T19:56:18.000Z

Lindsay Clancy durante seu julgamento por homicídio

David L. Ryan/The Boston Globe via AP, Pool

O caso da enfermeira Lindsay Clancy, que matou os três filhos por estrangulamento, chocou os Estados Unidos. Nesta segunda-feira (31), o júri se reúne mais uma vez em Plymouth, no Massachusetts, para tentar chegar a um veredicto.

Três anos após as mortes, o julgamento se concentra no estado mental de Lindsay Clancy no momento do crime. A defesa tenta convencer os jurados de que ela sofria de psicose pós-parto, um transtorno psiquiátrico raro associado ao estresse, à privação de sono e às alterações hormonais após o parto.

Já a Promotoria afirma que Clancy, ex-enfermeira obstétrica, matou intencionalmente os filhos Dawson, de 3 anos, Cora, de 5, e Callan, de 8 meses, em janeiro de 2023, e deve ser responsabilizada criminalmente pelas mortes.

O julgamento também tem impulsionado nos EUA a discussão sobre psicose e outros transtornos pós-parto.

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Os jurados têm cinco opções para o desfecho do caso. Veja, a seguir, o que cada uma das alternativas significa para a ré:

A própria defesa de Clancy não nega que Clancy tenha asfixiado seus três filhos com faixas elásticas para exercício. Por isso, é improvável que ela seja considerada inocente pura e simples, sem menção à alegação de insanidade mental (leia mais abaixo).

No entanto, a lei de Massachusetts, onde o caso está sendo julgado, não coloca o ônus da prova do lado da ré: é a Promotoria que precisa provar, para além de qualquer dúvida razoável, que ela era responsável por seus atos no momento em que os assassinatos ocorreram.

Inocente por motivo de insanidade mental

Os jurados podem considerar Clancy inocente caso cheguem à conclusão de que, mesmo tendo matado seus filhos, ela sofria de psicose pós-parto que a tornava incapaz de ser responsabilizada por seus atos. Essa é a tese da defesa.

Caso ela seja considerada inocente por falta de responsabilidade criminal, como em caso de insanidade mental, a lei estadual permite que a corte determine sua internação compulsória para tratamento.

Homicídio doloso em primeiro grau

No direito americano, a condenação por assassinato em primeiro grau significa dizer que o ato foi intencional e premeditado — ou, ainda, cometido com extrema crueldade.

Essa é o pior desfecho para Clancy, já que a lei de Massachusetts determina, nesses casos, que a condenação seja invariavelmente a prisão perpétua sem possibilidade de condicional.

Homicídio doloso em segundo grau

No código penal estadual, essa classificação se aplica a um homicídio cometido com intenção ou extrema imprudência, mas sem planejamento prévio. Neste caso, a ré será condenada à prisão perpétua, porém com possibilidade de condicional.

O júri pode considerar ainda que ela cometeu o crime, mas que os assassinatos foram resultados de uma "conduta temerária ou imprudente".

A principal diferença para o homicídio doloso é a intenção. É um desfecho possível para Clancy caso os jurados sejam convencidos de que os assassinados ocorreram sem planejamento, mas que a decisão de cometer o ato tenha sido impulsiva.

Nesse caso, a Promotoria não precisa provar que ela tinha a intenção de causar a morte dos filhos.

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