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De migrante a líder comunitária: jornalista venezuelana transforma experiência de recomeço em apoio a famílias no Mauazinho

De migrante a líder comunitária: jornalista venezuelana transforma experiência de recomeço em apoio a famílias no Mauazinho

G1 — Brasil · 2026-08-31T20:28:41.000Z

De migrante a líder comunitária: jornalista venezuelana transforma experiência de recomeço em apoio a famílias no Mauazinho

Recomeçar em uma nova cidade pode significar enfrentar barreiras com o idioma, a documentação, o acesso ao trabalho e a adaptação dos filhos. Foi a partir da própria experiência como migrante que a jornalista venezuelana Lis Carolina Martinez encontrou motivação para ajudar outras famílias que vivem uma realidade semelhante em Manaus. No bairro Mauazinho, Zona Leste da capital, ela coordena o Centro de Apoio para Mães Migrantes Acompañadas, iniciativa que atualmente atende cerca de 190 famílias migrantes e locais em situação de vulnerabilidade.

A história começou a ganhar forma a partir das conexões que Lis criou depois de chegar a Manaus. “Comecei a conversar com muitas pessoas. Sempre tive facilidade para criar redes de contato, conhecer gente nova e estabelecer conexões”, contou.

Em 2022, ela reuniu 12 venezuelanos que acreditaram na proposta e decidiram se juntar à iniciativa. O que começou com o acolhimento de mães venezuelanas foi crescendo e passou a atender também outras famílias em situação de vulnerabilidade no Mauazinho.

A trajetória de Lis faz parte do Programa Icamiabas, da Manauara Associação Comunitária (MAC), organização sem fins lucrativos fundada em Manaus em 2022 e voltada ao desenvolvimento local e ao fortalecimento de lideranças femininas em comunidades vulneráveis da capital amazonense.

Para Lis, ser selecionada pelo programa também representa um reconhecimento ao trabalho que desenvolve na comunidade. Segundo ela, o apoio chegou em um momento de poucos recursos para iniciativas sociais e vai além da questão financeira.

“O apoio econômico é importantíssimo, mas o mais importante é que o projeto Icamiabas inclui capacitação e rede de apoio para quem é empreendedor social”, afirmou.

Ela também destaca o caráter pessoal do acompanhamento. “Muitas pessoas já apoiaram muito o nosso projeto, mas é a primeira vez que alguma organização apoia a Lis como pessoa. Isso não tem preço”, contou.

Com o apoio da iniciativa, Lis segue desenvolvendo o trabalho no Centro de Apoio para Mães Migrantes Acompañadas, que reúne ações voltadas ao acolhimento, à integração cultural, à assistência psicológica, à regularização documental e à capacitação de famílias migrantes e locais.

Na sede da organização, crianças e adolescentes também participam de atividades de reforço escolar durante a semana. Entre elas está Yerik Reyes, de 11 anos. Venezuelano, ele já domina o português e conta que o acompanhamento ajuda no aprendizado e na rotina da escola.

“Quando já chega na minha escola, já sabe o que o professor vai passar”, contou o estudante.

Além do reforço escolar, as crianças têm contato com o espanhol, mantendo parte da língua de origem mesmo estudando em português. Para a mãe de Yerik, Kisbelynn Coelo, a oportunidade contribui para o aprendizado dos filhos.

“Na questão de estudo, eles estão aprendendo mais do que a parte do idioma em espanhol, né? Porque eles têm a aula da escola aqui em português, mas agora eles têm a oportunidade de poder aprender. E, além disso, a professora que está ajudando eles também ajuda com as tarefas que vêm da escola”, explicou.

O trabalho desenvolvido no Mauazinho também cria uma rede de apoio para famílias que enfrentam os desafios da adaptação em uma nova cidade. A proposta é oferecer acolhimento e oportunidades para que crianças, jovens e adultos possam fortalecer vínculos, desenvolver novas habilidades e construir novos caminhos.

A experiência de Lis está diretamente ligada à proposta do Programa Icamiabas, que busca fortalecer mulheres que já exercem papel de liderança em suas comunidades e desenvolvem ações voltadas para outras mulheres.

O Programa Icamiabas é uma iniciativa da Manauara Associação Comunitária (MAC) e conta com o apoio da Fundação Rede Amazônica. O programa apoia o desenvolvimento pessoal e institucional de mulheres que atuam como lideranças comunitárias e trabalham em benefício de outras mulheres em comunidades vulneráveis de Manaus. A iniciativa parte das experiências e dos projetos desenvolvidos pelas próprias participantes para fortalecer ações que já acontecem nos territórios e ampliar o impacto social gerado por essas lideranças.

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