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Renan Santos em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (31).
G1 — Brasil · 2026-08-31T20:14:07.000Z
Renan Santos em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (31).
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou nesta segunda-feira (31) que as restrições impostas à sua campanha por decisão do ministro Dias Toffoli, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), representam uma “inflexão autoritária” nos tribunais. Em entrevista coletiva em São Paulo, ele classificou a medida como uma “decisão monocrática absurda” e disse que o país vive um “momento muito bizarro da democracia brasileira”.
“Aparentemente, é um ex-candidato agora falando. É um momento muito bizarro da democracia brasileira”, disse Renan no início da coletiva.
O candidato destacou que a decisão ocorreu exatamente dez anos após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 31 de agosto de 2016. Renan relembrou sua participação nas manifestações pelo afastamento da então presidente e afirmou que não imaginava que, uma década depois, estaria diante da possibilidade de ser retirado de uma disputa presidencial.
“[A decisão é] do Dias Toffoli, ministro do STF, que está hoje no TSE e que foi nomeado pelo mesmo grupo político que, há dez anos, eu afastei do poder no Brasil. A história, alguns dizem que é cíclica, mas a história é a história”, disse.
O candidato afirmou ainda que o episódio demonstra, em sua avaliação, uma escalada autoritária no Judiciário. “Hoje é um momento histórico também para demonstração dessa inflexão autoritária que existe nos tribunais”, afirmou.
Segundo Renan, não há justificativa jurídica ou política para a medida. “Não dá para justificar de maneira racional e razoável, nem do ponto de vista jurídico, nem do ponto de vista político, a decisão do ministro Dias Toffoli. Não há meios de fazer isso.”
Renan agradeceu ainda as manifestações contrárias à decisão, inclusive de adversários na corrida presidencial. “Agradeço todas as manifestações democráticas dos veículos de imprensa, de juristas e dos meus concorrentes à Presidência da República, que demonstraram seu repúdio a essa decisão monocrática absurda.”
Renan contestou os argumentos que, segundo ele, embasaram a decisão de Toffoli: problemas no cadastro de suas redes sociais e uma suposta vantagem obtida pela recomendação de seus perfis nas plataformas.
Renan argumentou ainda que mecanismos de recomendação semelhantes aparecem em perfis ligados a outros candidatos e grupos políticos e afirmou que isso não deveria servir de fundamento para retirar candidaturas da disputa.
“Curiosamente, quando eu abro o perfil do senhor Jair Messias Bolsonaro, as mesmas recomendações, e vocês podem checar, são para o candidato Nikolas Ferreira, para o candidato Flávio Bolsonaro e para a candidata Michelle Bolsonaro", disse ao mostrar imagens das recomendações em perfis de redes sociais.
"Eu não estou aqui, de maneira alguma, falando que eles deveriam ter suas candidaturas cassadas, nem os demais que eu citei, porque esse caso é apenas absurdo. Quando eu abro o perfil do senhor Guilherme Boulos, hoje ministro do governo Lula, está sendo recomendado o perfil do próprio Lula, Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, e da própria Natália Boulos. Usando esses mesmos critérios absurdos, Natália e os demais deveriam perder a sua? É claro que não. É óbvio que não”, afirmou.