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Dívida pública brasileira atinge o maior patamar dos últimos 5 anos

Relação entre dívida pública e tamanho da economia volta a subir, em julho

G1 — Brasil · 2026-09-01T00:37:12.000Z

Relação entre dívida pública e tamanho da economia volta a subir, em julho

A relação entre a dívida pública e o tamanho da economia brasileira voltou a subir em julho e atingiu o maior patamar em cinco anos.

A dívida bruta é a maior registrada no Brasil desde abril de 2021, quando os gastos aumentaram muito para enfrentar a pandemia de Covid. De junho para julho, o endividamento do setor público - que reúne o governo federal, Previdência, estados e municípios - cresceu mais de R$ 100 bilhões. Chegou a R$ 10,9 trilhões - 82,5% do PIB, o Produto Interno Bruto, que é a soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país. Significa dizer que a dívida atingiu tal ponto que o Brasil precisaria pegar o PIB de dez dos 12 meses de um ano para quitar o que deve.

A trajetória do endividamento vem crescendo desde o início de 2023. Nesse período, aumentou mais de onze pontos percentuais. O governo se endivida quando o dinheiro arrecadado com os impostos não é suficiente para pagar as despesas. Sem dinheiro em caixa, ele é obrigado a pegar mais dinheiro emprestado - e a juros mais altos. Como a dívida pública alta gera insegurança, o Banco Central encontra mais dificuldades para baixar a taxa de juros, em um ciclo que encarece os investimentos e reduz o crescimento da economia.

Dívida bruta do governo federal

Jornal Nacional/ Reprodução

A dívida cresceu em julho mesmo com o setor público tendo registrado superávit primário de R$ 1,4 bilhão. No acumulado entre janeiro e julho, o rombo passou de R$ 78 bilhões.

Déficit também nas estatais federais. Nos sete primeiros meses de 2026, elas acumularam um resultado negativo de R$ 8,3 bilhões - o pior desempenho para o período desde o início da série histórica, em 2002. O déficit foi agravado, principalmente, pela situação dos Correios, que passa por grave crise fiscal.

Rafael Barbosa, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, afirma que essa trajetória da dívida pública é insustentável a longo prazo:

“Se a gente tiver essa mesma trajetória de crescimento da dívida/PIB, como a gente observa nos últimos cinco anos, a taxa de juros tenderá a aumentar e isso é ruim para a gente poder investir. Isso é ruim para um consumidor que vai tomar um crédito para poder consumir. Então, todos esses elementos que estão associados a gente não conseguir reduzir a dívida/PIB acabam afetando de alguma forma a taxa de juros e, por consequência, prejudicando a nossa economia”.

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Contas públicas têm superávit em julho; dívida sobe para 82,5% do PIB, maior nível em mais de cinco anos

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