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Crianças sentadas em uma rua de Manaus
G1 — Brasil · 2026-09-01T13:21:24.000Z
Crianças sentadas em uma rua de Manaus
Aos 11 anos, um adolescente que vive no Amazonas começou a trabalhar nas ruas para ajudar a sustentar a família. Sem ser identificado, ele contou à Rede Amazônica que vendia produtos e ajudava a mãe e os irmãos com o dinheiro que conseguia.
"Eu comecei aos 11 anos. Trabalhei vendendo cascalho, salgado na rua", disse.
A história do adolescente é um exemplo de uma realidade que ainda atinge milhares de crianças e adolescentes no estado. Mais de 50 mil pessoas de 5 a 17 anos estavam em situação de trabalho infantil no Amazonas em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pela legislação brasileira, o trabalho só é permitido a partir dos 14 anos, na condição de aprendiz. Dos 16 aos 17 anos, o adolescente pode ter carteira assinada, mas não pode exercer atividades noturnas, insalubres ou perigosas.
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Em Manaus, um estudo realizado em 2019 apontou que as ocorrências mais frequentes de trabalho infantil estavam nas ruas, principalmente no comércio informal e em feiras. O levantamento também identificou trabalho doméstico, exploração sexual e aliciamento pelo tráfico de drogas.
No interior do Amazonas, a maior parte dos casos estava relacionada à agricultura e à pesca.
Trabalho precoce compromete desenvolvimento
Segundo o sociólogo Luiz Carlos Marques, o trabalho precoce pode comprometer uma fase importante do desenvolvimento. Para o especialista, a infância deve ser dedicada à educação, ao lazer, à convivência e a atividades próprias dessa etapa da vida.
"Quando uma criança entra no mercado de trabalho, seja por qualquer motivo de questões sociais da família, é como se ela tivesse a infância roubada. Ou seja, ela dá um salto para a frente e enfrenta uma outra realidade, que é o mundo adulto aplicado a uma criança", afirmou.
Para enfrentar esse cenário, o Projeto Social Pequeno Nazareno atua desde 2013 na prevenção e erradicação do trabalho infantil em Manaus. As equipes vão às ruas, identificam situações de trabalho infantil e oferecem atendimento às crianças, aos adolescentes e às famílias.
"Nós identificamos nas ruas as crianças e adolescentes e fazemos o acompanhamento familiar através de visita domiciliar para fortalecimento dos vínculos comunitários e familiar. E fazemos o encaminhamento, posteriormente, à rede de proteção", afirmou.
A psicóloga Roberta Albuquerque explica que o trabalho também envolve o acompanhamento dos pais e responsáveis, com orientações e encaminhamentos para os serviços disponíveis.
Amazonas não tem plano estadual vigente
Um levantamento do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil mostra que a maioria dos estados brasileiros não possui um plano estadual vigente específico para prevenção e erradicação do trabalho infantil.
Atualmente, apenas Rio Grande do Sul, Maranhão e Paraíba possuem documentos vigentes. O Amazonas não possui um plano estadual vigente.
Mesmo com ações de fiscalização, prevenção e acolhimento, situações de trabalho infantil continuam sendo identificadas nas ruas de Manaus e no interior do estado.
Para Roberta Albuquerque, o enfrentamento também depende da participação da sociedade, além das ações do poder público. Entre as orientações está não oferecer esmolas a crianças que trabalham nas ruas, para evitar o incentivo à permanência delas nessas atividades.
De volta aos estudos
A história do adolescente mudou. Hoje, em vez de passar o dia trabalhando nas ruas, ele tem carteira de aprendiz, continua estudando e faz planos para o futuro.
Como aprendiz, ele descobriu que poderia ajudar a família e, ao mesmo tempo, continuar os estudos.
Agora, o sonho é se tornar engenheiro.