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Clínica da Família Estácio de Sá
G1 — Brasil · 2026-09-01T17:21:05.000Z
Clínica da Família Estácio de Sá
Matheus Rodrigues / G1
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio passou a incluir perguntas sobre apostas nas consultas de rotina da rede de Atenção Primária. A medida começou a ser adotada em agosto e tem como objetivo identificar pessoas que podem estar desenvolvendo dependência de jogos e oferecer acompanhamento antes que o problema se agrave.
A informação sobre o mapeamento foi publicada inicialmente pelo O Globo no último domingo. O rastreamento é feito durante o atendimento por profissionais de saúde e as respostas ficam registradas no prontuário eletrônico. As duas perguntas são:
Você já sentiu necessidade de apostar ou jogar valores cada vez maiores?
Você já precisou mentir para pessoas importantes sobre quanto aposta ou joga?
Em apenas uma semana, a estratégia já identificou 22 pessoas que disseram sentir necessidade de fazer apostas, e 15 pessoas disseram ter mentido para familiares para esconder quanto tinham gastado com jogos. Ao todo, 3.070 pacientes responderam às perguntas no período, e quase 1% deu uma resposta considerada sinal de alerta.
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A resposta positiva do paciente não significa, necessariamente, que a pessoa tenha dependência ou vícios. Ela serve para que o profissional avance para uma avaliação mais detalhada, que mede o grau de risco e ajuda a definir o tipo de acompanhamento necessário.
Segundo o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado, a ideia é justamente alcançar pessoas que não procuram espontaneamente uma unidade de saúde por causa das apostas.
“É difícil uma pessoa chegar e falar: ‘eu tenho um problema com jogos’. Não é algo simples”, explicou o secretário. Segundo ele, muitas vezes o problema aparece inicialmente associado a sintomas como ansiedade, insônia ou depressão.
Apostas esportivas; bet
Joédson Alves/Agência Brasil
Quem pode ser atendido?
O primeiro atendimento pode acontecer em praticamente toda a rede de Atenção Primária do município. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, são cerca de 240 unidades, entre Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde, com mais de 1.300 equipes de Saúde da Família.
O paciente não precisa chegar à unidade dizendo que tem vício em apostas. O objetivo das novas perguntas é justamente identificar situações que ainda não foram reconhecidas pelo próprio usuário.
Mas quem já reconhece que tem um problema também pode procurar diretamente uma unidade de saúde. Nesse caso, o questionário é utilizado para classificar o grau de risco e definir o tratamento mais adequado.
A rede também conta com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que podem receber pacientes encaminhados pela Atenção Primária ou por demanda espontânea. A Prefeitura informa que possui 40 CAPS na cidade, com diferentes modalidades de atendimento.
O que acontece depois da identificação?
O primeiro atendimento pode acontecer em praticamente toda a rede de Atenção Primária do município. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, são 241 unidades, entre Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde, com mais de 1.300 equipes de Saúde da Família.
O paciente não precisa chegar à unidade dizendo que tem vício em apostas. O objetivo das novas perguntas é justamente identificar situações que ainda não foram reconhecidas pelo próprio usuário. Mas quem já reconhece que tem um problema também pode procurar diretamente uma unidade de saúde. Nesse caso, o questionário é utilizado para classificar o grau de risco e definir o tratamento mais adequado.
A rede também conta com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que podem receber pacientes encaminhados pela Atenção Primária ou por demanda espontânea. A Prefeitura informa que possui 40 CAPS na cidade, com diferentes modalidades de atendimento.
Tratamento depende do grau de risco
Nos casos considerados de baixo risco, o acompanhamento pode continuar na própria Atenção Primária. O médico ou a equipe de Saúde da Família pode orientar o paciente e trabalhar estratégias de prevenção e redução de danos.
Uma das medidas que a Secretaria pretende orientar é a utilização de mecanismos do governo federal que permitem ao apostador impedir o uso do próprio CPF em plataformas de apostas.
Nos casos de risco moderado, o paciente pode ter acompanhamento de uma equipe multiprofissional, com participação de profissionais como psicólogos e psiquiatras, além do suporte da área de saúde mental.
Já nos casos de alto risco ou sofrimento intenso, a indicação é de um cuidado mais complexo, com acompanhamento pela rede de atenção psicossocial e possibilidade de uso de medicamentos, conforme avaliação clínica. A Atenção Primária continua participando da coordenação do cuidado.
Família também pode procurar ajuda
O atendimento não é restrito ao apostador. A Secretaria passou a prever também o acolhimento de familiares afetados pelo problema, inclusive quando a pessoa que aposta não aceita iniciar um tratamento.
O secretário afirma que, em alguns casos, a equipe consegue identificar o sofrimento da família, mas não consegue levar o apostador para o tratamento. Nessa situação, os familiares também podem receber orientação e acompanhamento.
“Quando a gente consegue identificar esse apostador, é importante a gente também pensar na família”, afirmou Prado.
Quem são as pessoas afetadas?
Antes da implantação do novo rastreamento, o Núcleo de Inteligência Assistencial da Secretaria Municipal de Saúde analisou os prontuários eletrônicos da rede com auxílio de um modelo de linguagem natural.
Foram identificadas 1.378 pessoas que tinham algum relato, sobre si mesmas ou sobre familiares, relacionado a sofrimento provocado por situações que sugeriam problemas com apostas. Entre os pacientes que se identificaram como apostadores e buscaram ajuda:
quase 60% eram homens (567);
idade mediana era de 37 anos, e mais da metade (53%) tinham entre 18 e 39 anos.
Entre os familiares afetados, o perfil era diferente: 85% eram mulheres, com idade mediana de 45 anos. Muitas eram esposas ou mães de apostadores.
A análise também identificou 25 pacientes com menos de 18 anos, dos quais 22 eram meninos. Embora menores de idade não possam legalmente fazer apostas, a Secretaria considera o dado um sinal de alerta diante da facilidade de acesso a aplicativos de jogos e apostas pelo celular.
Ampliação do rastreamento
A mudança ocorreu depois que equipes das unidades começaram a perceber um aumento na procura por ajuda relacionada a problemas provocados pelas apostas.
O rastreamento já era realizado na área de saúde mental, especialmente entre pacientes dos CAPS. A Secretaria concluiu que era necessário levar a identificação também para as Clínicas da Família e Centros Municipais de Saúde, onde ocorre uma parcela maior dos atendimentos de rotina.
A estratégia também muda a lógica de atendimento: em vez de esperar que o paciente reconheça o problema e procure ajuda, o profissional passa a abordar o assunto durante a consulta.
“Estamos saindo de uma atitude passiva, esperando o paciente se sentir com algum problema e procurar a gente, para uma atitude ativa”, explicou o secretário.
Para colocar o protocolo em funcionamento, agentes comunitários de saúde e outros profissionais da rede estão sendo capacitados sobre o tema.
Onde procurar atendimento
Quem percebe que as apostas estão causando prejuízos financeiros, familiares ou emocionais pode procurar uma Clínica da Família ou Centro Municipal de Saúde da rede do Rio.
A Prefeitura mantém um sistema para localizar a unidade de Atenção Primária de referência de cada endereço. Os CAPS também podem ser acessados por demanda espontânea ou a partir de encaminhamento de outras unidades de saúde.
Em situações de sofrimento psíquico grave ou crise, a orientação é procurar atendimento de urgência da rede de saúde.
Aposta compulsiva é problema de saúde pública
Para o secretário Rodrigo Prado, a ludopatia (termo usado para o transtorno relacionado ao jogo) deve ser tratada como uma questão de saúde pública.
A Secretaria afirma que pretende ampliar a quantidade de informações disponíveis nos próximos meses, à medida que mais pacientes forem submetidos às perguntas durante os atendimentos.
Segundo Prado, a expectativa é que, com a expansão da estratégia e a capacitação da rede, seja possível dimensionar melhor o problema na cidade.
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