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Falsa entrevista de emprego vira golpe de milhares de reais no Espírito Santo
G1 — Brasil · 2026-09-01T18:01:53.000Z
Falsa entrevista de emprego vira golpe de milhares de reais no Espírito Santo
Uma falsa entrevista de emprego terminou em um golpe de milhares de reais contra candidatos no Espírito Santo. Segundo a polícia, criminosos atraíam as vítimas com anúncios de vagas, coletavam dados pessoais e faziam o reconhecimento facial durante a suposta seleção. Depois, a biometria era usada para contratar financiamentos em nome dos candidatos.
Um dos casos aconteceu em Vitória. A vítima, que prefere não mostrar o rosto, viu um anúncio para uma vaga de motorista com salário de R$ 4 mil e foi até um escritório alugado pela suposta empresa para participar da entrevista.
Durante o encontro, ele respondeu a perguntas sobre idade, endereço e experiência profissional. Em seguida, uma das mulheres que participavam da entrevista pediu que ele fizesse um reconhecimento facial.
"Perguntou sobre idade, onde morava, se já tinha trabalhado, a experiência naquela vaga. Enquanto uma me entrevistava, a outra me pediu um reconhecimento facial para cadastro em um condomínio", conta a vítima. "Chegando em casa, eu percebi um e-mail informando o financiamento de um veículo um valor de R$ 230 mil", continua.
Um automóvel que ele nunca comprou.
As duas suspeitas são vistas no local em que, supostamente, faziam seleção com trabalhadores.
Suspeitas presas em Goiânia
Segundo a polícia, Alane Ismel, de 19 anos, e Angela Vitória, de 24, aparecem em imagens conversando com candidatos às vagas. As duas foram presas em Goiânia e são suspeitas de integrar um esquema de estelionato.
De acordo com a investigação, seis vítimas já foram identificadas no Espírito Santo e em Goiás, com prejuízos que passam de R$ 1 milhão.
Uma das vítimas de Goiás percebeu o golpe quando recebeu mensagens do banco enquanto estava de moto.
"Era o banco informando que o meu financiamento tinha sido concretizado", contou a outra vítima.
Ele voltou ao local onde havia participado da suposta entrevista e descobriu que um carro de R$ 150 mil havia sido financiado em seu nome.
As suspeitas foram presas.
Polícia acredita que existam outras vítimas
A investigação aponta que o esquema pode ter feito outras vítimas. A polícia acredita que existam pessoas lesadas também em Minas Gerais e no Paraná.
O principal alerta é para o uso da biometria facial durante processos seletivos. Segundo um policial ouvido pela reportagem, esse tipo de identificação é utilizado atualmente em diversas situações, como contratação de empréstimos, abertura de contas e outros contratos.
"Hoje em dia, a biometria facial é utilizada para praticar diversos atos da vida civil, inclusive a contratação de empréstimos, abertura de contas e diversos outros contratos", explicou o delegado Jonathan Lana, da Polícia Civil do Espírito Santo.
Por isso, a orientação é desconfiar de ofertas de emprego com salários muito acima do mercado e evitar fornecer dados biométricos durante entrevistas.
"Fui procurar emprego e jamais imaginaria que eu poderia estar caindo num golpe", informou a segunda vítima. Depois do caso, ele afirma que passou a desconfiar do reconhecimento facial: "Reconhecimento facial agora, nem pensar".
As duas mulheres presas disseram que a biometria coletada dos candidatos era enviada para uma outra pessoa e afirmaram que não sabiam que as informações seriam utilizadas para aplicar golpes.