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Tio doa rim para sobrinho de 14 anos no Acre após mais de 1 ano de espera: 'Voltar à vida normal'

Homem doa rim para sobrinho de 14 anos no Acre após mais de 1 ano de espera

G1 — Brasil · 2026-09-01T22:30:18.000Z

Homem doa rim para sobrinho de 14 anos no Acre após mais de 1 ano de espera

A vida do adolescente Lucas Linhares, de 14 anos, mudou graças a um gesto do tio Jean Carlos, de 41, que doou um rim após o sobrinho esperar por mais de um ano na fila de transplante. O procedimento renal intervivos, quando uma pessoa viva e saudável doa um órgão, voltou a ser realizado no Acre após 11 anos.

A mãe, Joniete Linhares, irmã de Jean, explica que o filho começou a ter complicações de saúde em fevereiro de 2025 em Tarauacá, interior do Acre, onde a família mora. À época, o adolescente foi diagnosticado com insuficiência renal crônica, condição marcada por lesão ou perda progressiva e irreversível da função dos rins.

O procedimento ocorreu no dia 22 de agosto da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), em Rio Branco. Jean Carlos se dispôs a fazer a doação por se compadecer pela necessidade do sobrinho.

"Eu estava na igreja e, ao perceber a aflição da minha família, falei com Deus que se fosse para eu ser o doador, que desse tudo certo e felizmente deu. Senti Deus falando comigo que eu seria o doador e há cerca de três meses começamos a bateria para fazer o procedimento", celebra.

Jean Carlos, 41, doou um rim para o sobrinho Lucas Linhares, 14, no Acre

Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre)

Para Lucas, a operação significa a oportunidade de retomar a normalidade. "Tivemos que ter muita paciência, isso acho que foi o principal. Agora, depois desse procedimento eu quero é tomar um bom banho de piscina e comer um churrasco", conta.

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Joniete relembra ainda que o rapaz sofria com sintomas como dores de cabeça, pressão alta e câimbras.

"Ele foi diagnosticado em estado avançado e lembro que meu filho foi para a hemodiálise quase que imediatamente. Desde fevereiro do ano passado nós estávamos orando por esse dia e graças chegou. É uma felicidade muito grande saber que meu filho vai ter uma qualidade de vida melhor", comemora.

Conforme a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), o transplante renal com doador vivo não era feito no estado no Acre desde 2015. No caso de Lucas, o procedimento ocorreu em um hospital particular que atende por meio de parceria com o estado.

Segundo a pasta, nesse período, o programa de transplantes passou por interrupções devido à estrutura, equipe e necessidade de recredenciamento do serviço.

Transplante foi realizado na Fundhacre, em parceria com o Hospital do Rim Acre

Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre)

Um esforço em família

A lei brasileira determina que todo paciente em diálise seja automaticamente inscrito na fila de doador falecido, mas a primeira tentativa costuma ser buscar um doador vivo na própria família. No caso de Lucas, o tio.

"Deus me deu dois rins e os dois graças a Deus perfeitos, então eu posso ter uma vida normal com um [rim] e o meu sobrinho vai voltar a ter uma vida normal com o outro rim também. Posso dizer que esse momento é o nosso grande dia", aponta Jean Carlos.

A mãe de Lucas reconhece que o ato do irmão foi de grande generosidade e ajudou a aliviar o que começou como uma luta árdua.

"O tio dele ao ver a situação, teve uma extrema generosidade e doou o rim pro meu filho. Deus foi muito maravilhoso", enfatisa.

José da Silva, pai do adolescente, destaca o caminho superado pelo adolescente e por toda a família

"A nossa vida mudou do dia para noite, foram dias de luta, muita fé em Deus, buscando, rezando e o marido da minha mulher, de forma divina, nos fez, através de Deus, viver esse milagre", acrescenta.

O que é a insuficiência renal crônica?

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença tem curso prolongado e, muitas vezes, evolui sem sintomas por anos. Por isso, parte dos casos pode ser identificada apenas quando já existe uma perda mais importante da função dos rins.

Os rins funcionam como filtros do organismo: ajudam a eliminar substâncias que não são mais necessárias ao corpo, além de participarem do equilíbrio de líquidos e sais minerais. Nos estágios iniciais, a doença renal crônica é assintomática.

Mas quando a função renal diminui, resíduos que deveriam sair pela urina podem se acumular no sangue. Esse acúmulo pode causar alterações em diferentes partes do corpo, como inchaço, cansaço, náuseas, perda de apetite, anemia, alterações na pressão arterial e desequilíbrios de sais minerais.

O descontrole dos eletrólitos do sangue e o desequilíbrio do ácido básico também pode afetar a saúde dos ossos. Quem tem uma doença renal crônica avançada não tratada pode ter os ossos mais fracos, aumentando o risco de fratura e evolução para insuficiência renal que é o estágio final da condição.

Além disso, o rim também é um órgão endócrino, que produz hormônios. Um deles é a eritropoetina que ativa a produção de glóbulos vermelhos na medula. Na doença renal crônica, pode surgir anemia por falta desse hormônio.

O rim também ativa a vitamina D e, quando há insuficiência renal crônica, ocorrem deficiência de vitamina D ativa e doenças ósseas. Segundo o Ministério da Saúde, a Doença Renal Crônica (DRC) é dividida em estágios, que vão dos quadros mais leves aos mais avançados:

Estágios 1 e 2: alterações iniciais, quando ainda pode haver preservação importante da função renal;

Estágio 3: redução moderada da capacidade dos rins;

Estágio 4: perda grave da função renal;

Estágio 5: fase mais avançada, quando a pessoa pode precisar de terapia renal substitutiva.

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