ITATIBA1

Ministro de Netanyahu posta vídeo celebrando fome de palestinos em prisões de Israel; cena é comparada a campo de concentração

Ministro de Netanyahu posta vídeo celebrando fome de palestinos

G1 — Brasil · 2026-09-02T04:00:18.000Z

Ministro de Netanyahu posta vídeo celebrando fome de palestinos

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, postou em suas redes sociais um vídeo feito com inteligência artificial em que celebra a fome de palestinos em prisões do país.

A peça, que foi deletada horas depois, mostra uma fila prisioneiros palestinos entrando em uma prisão por meio de uma esteira e saindo de lá mais magros. As imagens foram comparadas aos campos de concentração e extermínio nazistas.

Israel realizará eleições gerais no mês de outubro, e o vídeo, segundo a impresa do Oriente Médio, fazia parte da campanha de Ben-Gvir ao Knesset, o Parlamento de Israel. "Nós prometemos e cumprimos", diz um slogan que aparece no vídeo.

O ministério de Ben-Gvir, um dos mais radicais do governo do premiê Benjamin Netanyahu, é responsável por gerir as prisões do país, incluindo as que abrigam palestinos.

Defensor aberto dos assentamentos israelenses em territórios palestinos, ele teve se destacou no início de 2026 por impulsionar um projeto de lei para permitir a condenação à morte de palestinos por enforcamento — o qual foi aprovado em março (leia mais abaixo).

Piorar as condições para prisioneiros palestinos é um dos pilares de sua campanha. No domingo (30), ele havia publicado um vídeo no qual visitava uma prisão feminina para palestinas. Em dado momento, uma das detentas dirige reclamações a ele: "Este é o nosso terceiro dia sem tomar banho. Não estamos recebendo tratamento médico, e nossas roupas não estão limpas".

“As boas condições nas prisões chegaram ao fim. Esta é a situação atual, e sou diretamente responsável por tudo. Estou satisfeito com essas condições”, o ministro israelense responde.

Ministro israelense Itamar Ben-Gvir publica vídeo em que celebra fome de prisioneiros palestinos em prisões do país

Desde 1967, palestinos que vivem na Cisjordânia estão sujeitos à lei militar israelense. Frequentemente, idosos, mulheres e crianças são detidos sob a alegação de "ameaças à segurança", muitas vezes por jogar pedras em veículos militares ou se defender de colonos israelenses que se apropriam de terras — a presença deles no território é considerada ilegal pelo direito internacional e pela ONU.

"Pessoas são julgadas em tribunais diferentes, sob leis diferentes, pela mesma infração cometida exatamente no mesmo local", diz o site da Fundação humanitária israelense B'Tselem.

"Réus palestinos são julgados em tribunais militares, tendo sua culpa ou inocência determinada de acordo com as normas probatórias desse sistema judiciário e suas penas definidas conforme as disposições de ordens militares; já os réus israelenses são julgados em um tribunal civil em Israel, sendo absolvidos ou condenados segundo as leis probatórias israelenses e sentenciados também com base na legislação de Israel."

As taxas de condenação são de 96% a 99%, de acordo com a B'Tselem.

Colonos israelenses que moram em assentamentos na Cisjordânia, por sua vez, são julgados por tribunais civis, o que efetivamente assegura um sistema legal com dois pesos e duas medidas no território.

Itamar Ben-Gvir usa broche em formato de forca durante evento em 28 de janeiro de 2026

REUTERS/Amir Cohen/Foto de Arquivo

Vindo de uma família de judeus iraquianos laicos, Ben-Gvir se juntou na juventude ao kahanismo, uma ideologia sionista radical que prega a expulsão total de palestinos de suas terras e a ocupação total por Israel da Cisjordânia, da Faixa de Gaza, das Colinas de Golã e de Jerusalém Oriental.

Ele se tornou ministro de Netanyahu em 2022, quando o premiê articulou uma maioria no Knesset de seu partido, o Likud, com a extrema direita israelense.

No início de 2026, Ben-Gvir se notabilizou por um projeto de lei que prevê pena de morte por enforcamento para palestinos condenados por ataques letais. Ele foi aprovado no Knesset em março com 62 votos a favor e 48 contra.

Na ocasião, Ben-Gvir comemorou estourando um espumane no plenário.

Ben-Gvir fez diversas aparições utilizando um broche dourado com o desenho de uma forca, em alusão à forma de execução prevista na nova lei.

O desenho também apareceu em seu bolo de aniversário de 50 anos, comemorado em maio deste ano. Em um vídeo publicado no início do ano, ele apresenta uma forca instalada para as execuções em uma prisão israelense.

Leia no Itatiba1 →