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Advogado criou cartel das cantinas de presídios do RJ enquanto estava preso, diz MPRJ
G1 — Brasil · 2026-09-02T07:01:02.000Z
Advogado criou cartel das cantinas de presídios do RJ enquanto estava preso, diz MPRJ
Um dos advogados alvos da segunda fase da Operação Snack Time, que investiga a chamada “máfia das cantinas” nos presídios do Rio, teve a ideia de montar o esquema de fraude enquanto ainda estava preso.
Segundo as investigações do Ministério Público do Rio (MPRJ), Leandro Rodrigues Mendonça iniciou o cartel durante o período em que cumpria pena por fraude no seguro de trânsito DPVAT e, depois de solto, colocado o esquema em prática.
Leandro e o também advogado Alexandre Costa da Silva estão entre os 22 denunciados pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ). A Justiça aceitou a denúncia, e os investigados se tornaram réus por organização criminosa e fraude em licitação.
Leandro Rodrigues Mendonça
Segundo o MPRJ, o grupo teria atuado durante cerca de dez anos, entre 2015 e 2024, para eliminar concorrentes e controlar as licitações para exploração das cantinas instaladas nos presídios do estado. Em uma das disputas, os envolvidos teriam vencido 38 dos 40 lotes.
A investigação aponta ainda que diversas empresas que apareciam como concorrentes nos processos de licitação, na verdade, estariam submetidas a um mesmo centro de decisão. O objetivo, segundo o MPRJ, era aparentar competitividade e impedir a entrada de empresas de fora do grupo.
Entre os principais alvos está o policial penal aposentado Ronaldo Barbosa Souza. Durante as buscas realizadas nesta terça-feira (1º), agentes encontraram na casa dele anéis, pulseiras, colares e dinheiro em espécie.
MPRJ apreende joias e dinheiro na Operação Snack Time
O MPRJ afirma que Ronaldo fazia parte do grupo que controlava a distribuição dos lotes das cantinas entre as empresas envolvidas no esquema.
A denúncia também aponta a participação de um agente público: o ex-subsecretário de Gestão, Finanças e Planejamento Rafael Rodrigues de Andrade. De acordo com o Ministério Público, ele teria usado o cargo para favorecer o cartel e desclassificar empresas que não participavam do esquema.
Rafael foi preso em 2020 por suspeita de fraudar contratos de fornecimento de comida para o Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, em investigação que antecedeu a Operação Snack Time.
Rafael Rodrigues de Andrade
A apuração sobre as fraudes nas cantinas começou em 2019, segundo as informações do Ministério Público. A primeira fase da Operação Snack Time foi realizada em novembro de 2024, quando foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão.
O sistema de cantinas nos presídios do Rio foi encerrado em 2024. Atualmente, familiares de presos podem comprar produtos de alimentação e higiene pela internet. A empresa responsável pela plataforma também venceu uma licitação.
Nesta terça-feira (1º), o Gaeco cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços na capital, em Mesquita e em Duque de Caxias.
Segundo o MPRJ, o esquema investigado provocou prejuízo superior a R$ 25 milhões aos cofres públicos. O Ministério Público pediu à Justiça que os denunciados sejam condenados a devolver o valor ao Estado.
MPRJ fez buscas e denunciou 22 em operação contra ‘máfia das cantinas’ em presídios do RJ
O que dizem os envolvidos
A TV Globo não teve acesso à defesa dos citados na reportagem.
Nota da Seppen
“A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informa que a investigação teve início na Subsecretaria de Inteligência do Sistema Penitenciário (Ssispen), em conjunto com a Corregedoria da instituição. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público, que, após análise dos fatos apurados, ofereceu denúncia contra os investigados. O órgão, inclusive, participa da ação desta terça-feira. Vale esclarecer que as atividades das cantinas em presídios foram finalizadas em 2024.
A Seppen reforça que não compactua com quaisquer desvios de conduta e cometimento de crimes praticados por seus servidores, e ressalta seu compromisso com a transparência pública, operando sob o controle da legalidade para garantir a ordem do sistema prisional fluminense.”