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Messi é vice e chora em possível despedida da Argentina
ge — Futebol · 2026-07-24T07:00:58.000Z
Messi é vice e chora em possível despedida da Argentina
O craque argentino Lionel Messi tem, em suas raízes familiares, um pouco do Brasil, mais precisamente do interior de São Paulo. Parece aleatório, mas é o que mostra uma pesquisa feita por um italiano, que descobriu que um dos bisavôs do jogador nasceu em Ribeirão Preto (SP), no início dos anos 1900.
Bancário de profissão e historiador por paixão, Fiorenzo Santini é responsável por traçar a árvore genealógica do argentino.
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A ideia surgiu quando o ainda jovem argentino começou a se destacar no Barcelona. Entusiasta do futebol e torcedor fanático da Inter de Milão, Fiorenzo teve curiosidade em saber a origem do sobrenome Messi.
Foi então que descobriu que há ligação italiana, já que Ângelo Messi, bisavô do craque, é da cidade de Recanati, na região de Marche e província de Macerata, na Itália. Em 1893 ele deixou o país europeu com a esposa rumo a Rosário, na Argentina.
– Eu consigo o contato do pai e conto a história, em 2015. Anos depois, o pai me procura para fazer a linhagem da mãe para que eles peguem a cidadania italiana – disse.
Jorge Horacio, pai de Messi, na final da Copa do Mundo de 2022
Jean Catuffe/Getty Images
Segundo Fiorenzo Santini, a pesquisa do lado materno da família de Messi começa com o tataravô dele, Raniero Coccettini, nascido em San Severino Marche, na mesma província da família paterna.
Na mesma região, com poucos quilômetros de distância, há elementos que comprovam as origens das famílias de outras personalidades argentinas, como o técnico da seleção, Lionel Scaloni, o ex-jogador de basquete Manu Ginóbili e o presidente do país, Javier Milei.
– Os vilarejos ficam próximos, cerca de 20 minutos de distância, na mesma província de Macerata – contou Santini.
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Raniero então casa-se com Rosa Ricchezza e tem dois filhos ainda na Itália: Giulia e Francesco. A família parte para o Brasil a bordo do navio Washington e desembarca em Santos (SP) em 20 de setembro de 1899, conforme registros do acervo histórico do Museu da Imigração do Estado de São Paulo.
Na chegada ao porto, no entanto, Raniero Coccettinii tem o nome alterado para Ramiero Concenttini. A mudança de nomes e sobrenomes de imigrantes era comum à época por conta de dificuldades com a escrita e fonética do idioma original.
Acervo digital do Museu da Imigração de São Paulo tem registro da chegada do tataravô de Messi ao Brasil
Raniero, agora Ramiero, é apontado, pelo acervo histórico do Museu, como agricultor. Ele foi contratado para trabalhar em uma das fazendas do Doutor Martinho Prado Júnior, em Rincão (SP), a pouco mais de 70 quilômetros de Ribeirão Preto.
A família passou a morar no interior de São Paulo e, em Ribeirão, Ramiero e Rosa têm outros dois filhos, conforme apontam informações passadas ao historiador pela prefeitura de San Severino Marche. Em 1º de janeiro 1900 nasce Ermínia e, em 27 de janeiro de 1904 nasce Arderigo.
Registro de San Severino Marche com a linhagem do tataravô de Messi (Raniero) e do bisavô (Arderigo)
Mudança no sobrenome
É por meio de Arderigo que há a mudança no sobrenome usado por Lionel Messi. De acordo com o pesquisador, isso aconteceu no momento do registro em Ribeirão Preto.
– O Arderigo, no Brasil, vira Federico. E o Coccettini muda para Cuccittini. O Federico é o bisavô do Messi – explicou.
Um ano após o nascimento do agora Federico, toda a família muda-se para Argentina. O desembarque ocorre em 27 de setembro de 1905 e eles vão para região de Rosário, onde nasce o avô do jogador, Antônio Cuccittini, a mãe Célia Maria Cuccittini e, em 24 de junho de 1987, Lionel Andrés Messi Cuccittini.
Messi com a mãe Célia
Foi justamente o sobrenome Cuccittini que fez o pesquisador chegar à ligação com o Brasil, já que não há nenhum antecedente dele na Itália. Fiorenzo ficou de 2019 a 2022 na busca pela montagem da árvore genealógica da família materna de Messi.
– Pesquisando, vi que não existia Cuccittini aqui. Só fui entender quando recebi documentos de um primo da mãe do Messi, que me contou a mudança de nome e sobrenome na chegada ao Brasil.
A pesquisa de Fiorenzo rendeu a Messi, em 2022, o título de cidadão de honra de San Severino Marche, na Itália.
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O que ficou em Ribeirão?
Não há registros da presença de familiares de Messi em Ribeirão Preto nos dias atuais, já que todos foram para Argentina em 1905.
No entanto, o único elo entre a história dele e a cidade é uma rua localizada no bairro Vila Tibério, zona oeste da cidade. Curiosamente, é nesse bairro que nasce um dos clubes de futebol da cidade, o Botafogo-SP.
No bairro tem a Rua Martinico Prado, em homenagem ao fazendeiro que acolheu os ancestrais do jogador.
Rua Martinico Prado, na Vila Tibério, em Ribeirão Preto
Valdinei Malaguti/EPTV/ACERVO EP
Martinho Prado Júnior, ou Martinico Prado, como era conhecido, foi, além de fazendeiro, um político brasileiro. Os pais viviam em uma fazenda em Limeira (SP) e, depois, em Araras (SP). Ele, no entanto, morou com os avós em São Paulo, onde se formou em direito, chegou a fundar o jornal e até atuou na Guerra do Paraguai.
Depois que casou, passou a morar e administrar as fazendas da família no interior do estado. Foi vereador em Araras e deputado estadual.
Ao conhecer Ribeirão Preto, comprou terras na cidade e formou fazendas. Como a região era forte na produção de café, ele e o irmão tornaram-se os maiores produtores de café do mundo e chegaram a receber visitas de reis europeus. Prado também era dono de casas de exportação próximas ao porto de Santos, o que facilitava os seus negócios cafeeiros.
Martinico Prado faleceu em 1906, um ano depois da partida da família italiana de Messi do interior paulista para a Argentina.