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São Paulo precisa arrecadar R$ 180 milhões com vendas até o fim de 2026
ge — Futebol · 2026-09-02T11:00:18.000Z
São Paulo precisa arrecadar R$ 180 milhões com vendas até o fim de 2026
O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, determinou nesta terça-feira a criação de uma Comissão de Análise de Contrato para avaliar um acordo do clube com a Ticketmaster, empresa escolhida para ser a nova gestora de ingressos do Morumbis.
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O grupo, formado pelos conselheiros Daurio Speranzini, Flavio Marques, Daniel Fonseca e Marcel Bonilha, atuará em caráter de urgência para elaborar um parecer sobre o contrato. O acordo é considerado fundamental pela diretoria para antecipar receitas e acertar atrasos e pendências com o elenco. Tanto que, em áudio vazado, o presidente Harry Massis cobrou o Conselho sobre a votação.
O contrato precisa ser aprovado pelo Conselho Deliberativo para entrar em vigor. Em nota, Olten Ayres afirmou ter recebido o documento na última quinta-feira. Também disse ter recebido um e-mail de representantes da NewC, concorrente da Ticketmaster no processo, questionando a condução da concorrência pela diretoria. A manifestação motivou a criação da comissão, que irá examinar as alegações.
O ge teve acesso ao documento redigido por Cesar Augusto Sbrighi, Country Manager (gerente de país) da NewC no Brasil, que apresentou uma série de questionamentos sobre o processo de escolha.
Demora e material desatualizado
O empresário afirma que a NewC não foi convidada para participar da concorrência e decidiu entrar no processo após tomar conhecimento da oportunidade pelo mercado.
A empresa manifestou interesse em 13 de abril, utilizando como referência um documento de tomada de preços que circulava desde março e ao qual teve acesso de forma indireta. O ge apurou que seis empresas participaram da licitação.
A autorização para participar, de acordo com o e-mail, só foi dada no dia 24 de abril. Na época, Eduardo Toni ainda era diretor de marketing do São Paulo.
A empresa alega ter sido convidada para apresentar a proposta só um mês depois, no dia 26 de maio. Na ocasião, porém, diz ter sido informada de que o material utilizado como referência não correspondia mais à versão vigente da concorrência. Só então recebeu o instrumento atualizado.
A NewC também questionou uma das exigências previstas no novo documento. Segundo Sbrighi, a oferta de camarote corporativo era um item relevante e obrigatório na avaliação, mas os participantes dependeriam de condições comerciais a serem definidas posteriormente pela controladora de uma das empresas concorrentes. O empresário classificou a situação como "extremamente complexa, para não dizer polêmica".
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Proposta financeira e antecipação
No e-mail, Sbrighi afirma que a empresa estruturou uma nova operação, desta vez de cerca de R$ 500 milhões, em parceria com a ANGA Asset e com suporte jurídico da Demarest Advogados. A proposta teria sido apresentada durante reunião no dia 6 de julho. Segundo o documento, a operação ia além de uma antecipação de aproximadamente R$ 90 milhões, valor oferecido na primeira proposta.
Após a reunião, segundo Sbrighi, o clube demonstrou interesse na proposta, se comprometeu a analisá-la e prometeu dar um retorno. Depois de cobranças, houve nova sinalização para a continuidade das tratativas. No dia 22 de julho, a NewC alega ter enviado uma versão atualizada da proposta, solicitado informações complementares e pedido uma reunião com a presidência. Esse e-mail, segundo Sbrighi, nunca foi respondido.
Questionamentos sobre a concorrência
Em agosto, já sob a gestão do novo diretor de marketing do São Paulo, André Marques, a diretoria enviou um e-mail à NewC, mas com um conteúdo que, segundo Sbrighi, estava "dissociado" de tudo o que vinha sendo discutido até então.
Paralelamente, informações divulgadas pela imprensa e, segundo Sbrighi, confirmadas pelo São Paulo, indicavam que o clube já estava na fase de elaboração da minuta contratual. Como essas negociações não envolviam a NewC, o empresário concluiu que a empresa escolhida era a Ticketmaster e afirmou que essa circunstância poderia explicar a demora ou a ausência de respostas da diretoria.
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A NewC questiona, assim, a condução da concorrência e sustenta que sua proposta não recebeu a profundidade de análise compatível com sua dimensão.
Sbrighi sugeriu no e-mail que mensagens, documentos, vídeos, atas e demais registros do processo fossem compartilhados com a presidência do Conselho Deliberativo. A empresa também se colocou à disposição para retomar as negociações com o São Paulo, mas não apresentou detalhes de sua proposta oficial.
O São Paulo, por sua vez, entende que a proposta de R$ 500 milhões nunca foi formalizada pela NewC. Por isso, o clube considerou na concorrência apenas a oferta apresentada oficialmente pela empresa e avaliou que a Ticketmaster ofereceu as melhores condições.
Com o avanço das negociações, o clube também encomendou um parecer jurídico sobre os riscos do acordo com a Ticketmaster, que pertence ao grupo Live Nation. O estudo concluiu que o contrato oferece baixo risco ao São Paulo e apontou que a empresa não possui posição dominante no mercado brasileiro de gestão de ingressos.
O contrato também prevê a possibilidade de rescisão unilateral, sem multa, caso a Ticketmaster enfrente problemas na Justiça brasileira.
A proposta da Ticketmaster
Conforme antecipado pelo ge, em 17 de agosto, a proposta da Ticketmaster inclui a antecipação de R$ 110 milhões para o São Paulo em 45 dias depois da assinatura, como um empréstimo. Esse valor será devolvido pelo clube à empresa em cinco anos, com taxa de juros seguindo o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) mais 1,99%.
O contrato também prevê que a devolução partirá da renda obtida pelo São Paulo com jogos no Morumbis, com um limite de R$ 1,8 milhão ao mês.
Acordo foi assinado após a chegada de André Marques
A proposta da Ticketmaster ainda inclui a gestão do camarote 29A por cinco anos. A empresa pagará R$ 30 milhões, logo depois da assinatura do contrato, para ter o direito de gerir o espaço em shows e jogos. Esses R$ 30 milhões somados aos R$ 110 milhões antecipados são considerados pelo São Paulo vitais para o pagamento de dívidas com o elenco nesta temporada.
Para as apresentações musicais, a empresa também terá que comprar ingressos – neste momento, é a própria Ticketmaster, por escolha da Live Nation, que faz a gestão de ingressos dos shows no Morumbis.
Outro tópico da proposta da Ticketmaster é o pagamento de R$ 6 milhões para a reforma do Museu São Paulo.
A negociação entre o clube e Ticketmaster tem, também, a gestão do sócio-torcedor. Hoje, o serviço é administrado pela Feng. O clube entende que será benéfico para os torcedores que a mesma empresa faça a gestão da venda de ingressos e do sócio-torcedor, para que não haja concorrência por lucro.
O São Paulo também calcula que o custo total dessas duas operações juntas (ingressos e sócio-torcedor) será menor, porque hoje os serviços são feitos por duas empresas diferentes, que geram custos diferentes ao clube.
Para fazer a administração da venda de ingressos do São Paulo, a Ticketmaster cobrará uma taxa de administração de até 10% por ingresso (8% se for entrada física, não digital). A taxa do sócio-torcedor também será de 8% por associado.
O contrato foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Adminstração. Agora, precisa ser votado no Conselho Deliberativo para se tornar válido.
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