ITATIBA1
O ator americano Mark Ruffalo, de 58 anos, recebeu o apoio público de mais de 180 figuras judaicas da indústria do entretenimento e de outros setores.
G1 — Brasil · 2026-09-02T11:18:58.000Z
O ator americano Mark Ruffalo, de 58 anos, recebeu o apoio público de mais de 180 figuras judaicas da indústria do entretenimento e de outros setores.
Eles assinaram uma carta em defesa do ator após a Paramount acusá-lo de antissemitismo.
Entre os signatários estão Joaquin Phoenix, Jonathan Glazer, Joel Coen, Todd Haynes e Hannah Einbinder. As informações foram divulgadas pela revista americana Variety nesta terça-feira (1º).
Agora no g1
Ruffalo entrou em uma disputa pública com a Paramount após criticar a proposta de fusão da empresa com a Warner Bros. Discovery.
Em uma publicação nas redes sociais em 21 de agosto, o ator questionou os possíveis efeitos do negócio para Hollywood. Ele também criticou os vínculos da família Ellison, ligada à Oracle e à Paramount, com Israel, e relacionou esses negócios à situação dos palestinos em Gaza.
Em resposta, um porta-voz da Paramount acusou Ruffalo de invocar “estereótipos antissemitas” em meio ao debate sobre a operação empresarial.
Mark Ruffalo viveu o advogado Duncan Wedderburn em 'Pobres Criaturas'
As declarações também provocaram reações de organizações e profissionais do setor. O Simon Wiesenthal Center e a Creative Community for Peace condenaram os comentários do ator.
Haim Saban, Teddy Schwarzman e Lawrence Bender também se manifestaram. Eles afirmaram ser inadequado associar uma negociação empresarial a questões envolvendo judeus, antissionismo e antissemitismo.
Ruffalo rebateu as críticas. O ator classificou a acusação como “terrível e fundamentalmente desonesta” e afirmou que criticar o governo israelense, contratos de tecnologia militar ou executivos envolvidos nesses negócios não significa atacar o povo judeu.
O que diz a carta
O diretor Jonathan Glazer recebe Oscar de Melhor Filme internacional por 'Zona de Interesse'
Na carta divulgada pela Variety, os mais de 180 signatários classificam as acusações contra Ruffalo como uma “campanha difamatória”.
“Apontar as conexões cruciais entre o que está acontecendo em Gaza e o que está acontecendo em Hollywood é exatamente o oposto do antissemitismo”, afirma o documento.
Os autores também criticam a concentração de poder na indústria de mídia e questionam os negócios de Larry Ellison, fundador da Oracle e uma das figuras centrais na operação envolvendo a Paramount.
Joaquin Phoenix está entre os artistas judeus que assinaram carta em defesa de Mark Ruffalo após o ator ser acusado de antissemitismo.
Além de assinar a carta, Jonathan Glazer divulgou uma declaração em defesa de Ruffalo. Segundo o cineasta, acusar o ator de antissemitismo por questionar uma grande fusão corporativa seria uma forma de silenciar críticas legítimas.
O dramaturgo e cineasta Kenneth Lonergan, por sua vez, classificou como “flagrantemente absurda” a acusação de antissemitismo contra Ruffalo. Hannah Einbinder também já havia manifestado apoio ao ator.
Hannah Einbinder vence como melhor atriz coadjuvante em comédia por 'Hacks' no Emmy 2025
Chris Pizzello/AP Photo
Leia na íntegra (tradução livre):
A fusão proposta entre a Paramount e a Warner Brothers Discovery não é uma mera combinação de duas grandes empresas multinacionais.
Sim, ela destruirá milhares e milhares de empregos. Sim, ela consolidará ainda mais o controle oligárquico sobre a nossa mídia (basta ver o desmantelamento da CBS News). Sim, ela sufocará a competição e a criatividade na produção e distribuição de filmes e programas de televisão.
Mas tudo isso e muito mais será feito como parte de um projeto maior de dominação tecnológica, um projeto que Larry Ellison e seus parceiros nunca hesitaram em alardear — e que eles próprios vincularam explicitamente ao seu apoio às depredações contínuas infligidas ao povo palestino e ao silenciamento dos críticos desses horrores. T
odos vimos isso após a aquisição do TikTok, intermediada por Trump — uma aquisição que eles declararam abertamente ter sido motivada, em grande parte, pelo desejo de impulsionar a propaganda pró-Israel. Larry Ellison, pessoalmente, com seus impressionantes US$ 350 milhões em financiamento e promessas de doação ao Instituto Tony Blair para a Mudança Global, tem sido o principal apoiador de Blair, que assume um papel influente na tomada de Gaza, arquitetada por Trump, através do "Conselho da Paz", um território que se tornou um laboratório a céu aberto para tecnologias de controle e assassinato baseadas em inteligência artificial, como as celebradas pela ex-CEO da Oracle (e atual membro do conselho da Oracle e da Paramount), Safra Catz.
O caminho da IA para a WarnerMount passa por Gaza, e Ellison frequentemente nos alerta sobre o mundo orwelliano que ele preparou para nós, enquanto consolida o controle sobre o que assistimos e como assistimos, sabendo que, enquanto assistimos, ele e sua comitiva corrupta estarão sempre nos observando: "Os cidadãos se comportarão da melhor maneira possível porque estamos constantemente gravando e relatando."
Apontar as conexões cruciais entre o que está acontecendo em Gaza e o que está acontecendo em Hollywood é exatamente o oposto do antissemitismo. É, para nós, a própria essência do dever ético judaico.
De acordo com uma pesquisa recente do Washington Post, 61% dos judeus americanos agora concordam que Israel está cometendo crimes de guerra em Gaza; e quatro em cada dez concordam que esses crimes equivalem a genocídio.
Será que aqueles que atacam Mark Ruffalo como antissemita realmente acreditam que todos esses judeus americanos também são antissemitas? Ou que não vemos a conexão entre, por um lado, a impunidade criminosa que levou os EUA e Israel a um desastre sem fim e, por outro, as manobras oligárquicas de poder dos Musks, Ellisons, Thiels e outros que estão trabalhando para desmantelar nossa democracia?
Mas a virulência e a falsidade das calúnias que dirigem aos seus críticos evidenciam a crescente fragilidade da sua posição, baseada em insinuações.
Hoje, cada vez mais pessoas de consciência unem-se para proclamar, em voz alta e unívoca:
Acabou o tempo de se recorrer a acusações espúrias de antissemitismo, desta vez em defesa da guerra, da oligarquia e da dominação da inteligência artificial. Essa estratégia desgastada já não funciona mais.
Apoiamos com orgulho Mark Ruffalo e todas as pessoas decentes que estão corajosamente se levantando e dizendo a verdade ao poder.
George Clooney defende Ruffalo em Veneza
Durante uma coletiva de imprensa no Festival de Veneza nesta quarta-feira (2), o ator George Clooney saiu em defesa de Mark Ruffalo.
“Eu acredito no livre discurso. Isto é parte de como uma democracia funciona. Eu sempre vou apoiar a 'capacidade 'de Mark Ruffalo de falar livremente”, disse Clooney.
O momento foi registrado e publicado pelo portal Deadline no X.
Initial plugin text