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Sócios da Azzas 2154 Roberto Luiz Jatahy (à esquerda) e Alexandre Birman (à direita).
G1 — Brasil · 2026-09-02T17:32:19.000Z
Sócios da Azzas 2154 Roberto Luiz Jatahy (à esquerda) e Alexandre Birman (à direita).
A cisão da Azzas 2154, conglomerado que reúne marcas como Farm, Hering, Animale e Schutz, entre outras, foi formalizada nesta quarta-feira (2), menos de dois anos após a criação do grupo.
A companhia foi formada em 2024, a partir da fusão entre a Arezzo&Co e o Grupo Soma, em uma operação que deu origem a um dos maiores grupos de moda do país.🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
O histórico da empresa, no entanto, indica que a separação ocorre em meio a impasses entre os sócios Alexandre Birman e Roberto Luiz Jatahy — fundadores da Arezzo&Co e do Grupo Soma, respectivamente —, além de uma série de mudanças no conselho de administração e na governança da companhia ao longo do último ano.
Dança das cadeiras
As mudanças no alto escalão da companhia começaram a ganhar força em maio de 2025, apenas nove meses após a conclusão da fusão entre Arezzo e Soma.
A primeira saída foi a do empresário Guilherme Benchimol — fundador da XP e então membro do conselho de administração da Azzas —, que renunciou ao cargo devido a “outros compromissos profissionais”, que demandavam “crescente disponibilidade de tempo e agenda”. André De Vivo assumiu a vaga.
Em junho, a empresa anunciou uma reestruturação no conselho de administração. Na mesma data, nomeou Nicola Calicchio Neto como presidente e Marcel Sapir como vice-presidente do colegiado, em substituição a Pedro Parente e Anna Chaia, que renunciaram aos cargos.
Nos meses seguintes, outros executivos deixaram seus cargos, como Rony Meisler, fundador da marca Reserva. O último deles foi o próprio Calicchio Neto, que deixou a presidência do conselho um ano após assumir a função.
Resultados mais fracos
Além das mudanças no alto escalão, os resultados da empresa também perderam força nos últimos trimestres.
De janeiro a março deste ano, por exemplo, a companhia registrou queda de 45,7% no lucro líquido em relação ao mesmo período do ano passado, passando de R$ 117,7 milhões para R$ 63,9 milhões.
O resultado também representa uma queda de 62% em relação ao último trimestre de 2025, quando a companhia registrou lucro líquido de R$ 168 milhões.
“É inegável que os resultados ficaram abaixo das nossas expectativas e não condizem com a nossa capacidade de execução e muito menos com a força das nossas marcas”, afirmou o presidente da companhia, Alexandre Birman, a investidores à época da divulgação de resultados.
Em meio a esse cenário, a empresa também viu seu valor de mercado cair pela metade.
O desempenho mais fraco da companhia também reforçou a cautela entre analistas do mercado financeiro e levantou dúvidas sobre o ritmo de crescimento das vendas nos próximos trimestres.
“A empresa tem reforçado nos últimos meses que está adotando uma estratégia disciplinada, voltada à eficiência, com foco em controle de custos, preservação de margens e otimização de capital. Ainda assim, o sentimento predominante é de cautela”, disseram analistas do BTG Pactual em relatório divulgado no começo de maio.
Os sócios na Justiça
Outro episódio marcante envolvendo a companhia ocorreu em maio, quando Jatahy entrou com um processo judicial contra Birman pedindo que a Justiça barrasse mudanças internas promovidas pelo então presidente da empresa.
A Justiça acatou o pedido e determinou que a empresa não pode fazer alterações em sua estrutura interna neste momento, mantendo Jatahy como responsável pelas unidades de vestuário feminino e masculino. Birman tentou reverter a decisão, mas teve o pedido negado.
Em comunicado divulgado a investidores, a companhia afirmou ter sido “surpreendida” pela existência do pedido judicial protocolado por Jatahy.
Agora no g1
“A companhia buscará acesso às informações pertinentes relacionadas à referida ação e tomará medidas que sejam aplicáveis”, afirmou o diretor financeiro corporativo, Eric Alexandre Alencar, no documento.
O caso evidenciou os desentendimentos entre os sócios e aumentou as expectativas em torno de uma eventual cisão da companhia.
Arezzo&Co e Grupo Soma: negócios complementares na moda
A fusão que deu origem à Azzas 2154 partiu de duas empresas relevantes do setor de moda, com atuações complementares.
Enquanto a Arezzo&Co concentrava seus negócios em calçados, bolsas e acessórios — com marcas como Arezzo, Schutz e Reserva em seu portfólio —, o Grupo Soma tinha força no segmento de vestuário, reunindo grifes como Farm, Animale e Hering.
A união das duas companhias, anunciada em 2024, criou uma gigante do varejo nacional, com mais de 30 marcas de roupas, calçados e acessórios, cerca de 2 mil lojas e faturamento conjunto estimado em R$ 12 bilhões.
À época, como o g1 mostrou, a criação da Azzas foi bem recebida pelo mercado financeiro, que esperava que a empresa se consolidasse como um dos principais grupos de moda do país, com portfólio ampliado e oferta mais completa ao consumidor de renda média e alta.