ITATIBA1

Professor é condenado a 7 anos por comparar aluno a chimpanzé em Maceió

Familiares e amigos de adolescente vítima de racismo por professor pedem por justiça

G1 — Brasil · 2026-09-02T18:19:54.000Z

Familiares e amigos de adolescente vítima de racismo por professor pedem por justiça

Um professor, que não teve o nome divulgado, foi condenado a sete anos e três meses de prisão por injúria racial e corrupção de menores após comparar um aluno negro, de 13 anos, a um chimpanzé durante uma aula em uma escola particular de Maceió. O Ministério Público de Alagoas (MPAL) divulgou a decisão nesta quarta-feira (2).

Além da pena de prisão, o professor foi condenado a pagar R$ 15 mil de indenização à vítima. O caso aconteceu em 12 de fevereiro deste ano, em uma escola no bairro do Benedito Bentes.

O crime na sala de aula

Caderno com imagem de chimpanzé levado por aluno à sala de aula em Maceió

Conforme a denúncia, durante uma aula para o 8º ano, um aluno mostrou um caderno com a foto de um chimpanzé na capa. Ao ser questionado com quem o animal se parecia, o professor apontou para a vítima, provocando risadas entre os outros alunos.

Outros estudantes que estavam na sala confirmaram, durante a investigação, a atitude do professor. Eles também relataram que a vítima ficou visivelmente triste com a situação.

Em procedimento disciplinar aberto pela própria escola, o professor reconheceu que apontou para o estudante, mas negou ter tido intenção racista.

O adolescente contou em depoimento que ficou abalado e continuou sendo alvo de chacotas nos dias seguintes. Segundo o relato, ele passou a resistir a voltar à escola e só retornou depois de saber que o docente havia sido afastado.

LEIA MAIS: Filho não quer mais ir à escola, diz pai de aluno comparado a chimpanzé por professor em Maceió

Por que corrupção de menores?

Professor é demitido após associar imagem de chimpanzé a de um aluno negro em Maceió

O Ministério Público explicou que a acusação de corrupção de menores ocorreu porque a ofensa foi feita diante de outros estudantes, que acabaram participando da situação.

Para os promotores responsáveis pelo caso, a condição do acusado como professor tornou a conduta ainda mais grave, já que ele tinha o dever de orientar e proteger os alunos.

“A escola não pode ser espaço de reprodução ou naturalização do racismo. Professores e demais profissionais da educação têm responsabilidade fundamental na construção de um ambiente seguro, respeitoso e livre de discriminação”, afirmou o promotor Ricardo Libório.

Durante o processo, o MPAL também pediu uma medida para impedir que o professor exercesse atividades de docência ou outras funções com contato direto com crianças e adolescentes.

Racismo em sala de aula de colégio de Maceió.

O Colégio Fantástico informou que repudia todo e qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito, e disse que entre as medidas adotadas estão o afastamento do professor de matemática, que não integra mais o quadro de colaboradores da instituição.

Na nota, o colégio disse também que o Conselho Tutelar de Maceió acompanha o caso, e que está à disposição para colaborar com os esclarecimentos e providências necessárias.

Qual a diferença entre racismo e injúria racial?

Especialista explica a diferença entre preconceito, injúria racial e racismo

Leia no Itatiba1 →