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Maria Bethânia é retratada com ares de divindade em exposição na Bahia

Obras de Manuela Hereda (à esquerda) e Pablo Araújo são expostas na mostra 'Abelha rainha – Vida, música, amor e poesia', em cartaz em Salvador

G1 — Brasil · 2026-07-24T09:00:43.000Z

Obras de Manuela Hereda (à esquerda) e Pablo Araújo são expostas na mostra 'Abelha rainha – Vida, música, amor e poesia', em cartaz em Salvador

Mauro Ferreira / Montagem g1

♫ PRIMEIRA PESSOA DO SINGULAR

♬ SALVADOR (BA) – Quando Nelson Motta associou o nome de Anitta a uma “entidade da MPB”, ao comentar sobre o ainda inédito show inspirado pelo álbum “Equilibrium II”, percebi de imediato que Nelsinho falava de Maria Bethânia. Eu e todo mundo que conhece a intérprete baiana e que sabe da forma como a cantora é percebida nos bastidores da MPB. É que Bethânia carrega essa aura sagrada de artista em profunda conexão com a espiritualidade.

Essa imagem de divindade terrena – quando em cena, no exercício do ofício de cantar – me veio à mente diversas vezes enquanto conferia a abertura da exposição “Abelha rainha – Vida, música, amor e poesia”, inaugurada na noite de quarta-feira, 22 de julho, com vernissage na galeria de arte Me Ateliê da Fotografia, em Santo Antônio Além do Carmo, bairro da cidade de Salvador (BA), próximo do Pelourinho.

Aproveitei a estada temporária em Salvador (BA) e fui visitar a exposição. Com obras de 25 artistas visuais, a mostra idealizada pelo fotógrafo e curador Mário Edson para celebrar os 80 anos de Maria Bethânia – festejados pela artista em 18 de junho – parece enfatizar a aura sagrada da cantora em fotografias, desenhos e pinturas que, não raro, associam símbolos e signos das religiões de matriz afro-brasileira à imagem da artista.

Logo de cara me chamou a atenção a obra “Quem é você?”, imponente óleo sobre guarda-chuva criado pelo artista Rogério Silva. Depois, outras obras capturaram meu olhar.

Foi o caso de “Onde mora a luz”, desenho em tela criado pelo artista Pablo Araújo. Olhar os cabelos brancos de Bethânia nesse desenho me fez lembrar de imediato a imagem intencionalmente envelhecida da cantora na capa do álbum “Ciclo”, de 1983. É como se houvesse uma transcendência na força daqueles cabelos brancos.

Obras dos artistas Bianca Branco (“Menina de Oyá”), Manuela Hereda e Wagner Lacerda (uma instalação em que lê-se versos de músicas do repertório mais espiritualizado da intérprete) sublinharam esse status de entidade alcançado por Maria Bethânia ao longo dos 63 anos de palco.

Aberta para o público a partir das 16h de hoje, sexta-feira, 24 de julho, com entrada gratuita, a exposição “Abelha rainha – Vida, música, amor e poesia” é simples, mas ressalta em obras visuais a majestosa altivez que rege a existência de Maria Bethânia, “entidade da MPB” como bem a caracterizou Nelson Motta.

Obra “Quem é você?, do artista Rogério Silva, em exibição na mostra que fica em cartaz em Salvador (BA) de 24 de julho a 24 de setembro

Mauro Ferreira / g1

Instalação do artista Wagner Lacerda que sobressai na exposição que abre hoje, 24 de julho, para o público

Mauro Ferreira / g1

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