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VÍDEO: filhote de beija-flor resgatado por veterinário no interior de SP dá primeiros voos e ganha novas penas

Filhote de beija-flor resgatado por veterinário dá primeiros voos

G1 — Brasil · 2026-07-24T10:05:30.000Z

Filhote de beija-flor resgatado por veterinário dá primeiros voos

O filhote de beija-flor resgatado há mais de dois meses em Presidente Prudente (SP) continua evoluindo a partir dos cuidados do veterinário Luís Felipe Zulim.

Ao g1, o especialista descreve as novidades do comportamento apresentado pela ave, que já está mais independente.

“Tem um pouquinho mais de penas coloridas, está mais agitadinho, espertinho, presta atenção em tudo e também está dando uns voos baixos", detalha.

Segundo o veterinário, a ave fica no banheiro da casa dele quando não está sob supervisão, para não correr o risco de ser atacada por outros pets do imóvel.

"Eu chego lá e ele está cada hora num lugar, parece que tentou voar. Ele sempre tentou um pouquinho, mas agora está mais evidente e dá pra ver que consegue voos baixos.”

Apesar da evolução, o veterinário afirma que ainda não dá para estimar quando a ave poderá ser solta na natureza, pois alguns cuidados ainda permanecem necessários: “Pra comer, ele é extremamente dependente ainda, não tantas vezes ao dia, mas ele me vê e abre a boca pra eu dar comida.”

“Quando estou longe, ele já come e bebe na vasilha, mas ainda é dependente e, para ser livre, precisa voar bem e estar totalmente empenado”, completa.

Veterinário que resgatou filhote de beija-flor descreve evolução da ave em Presidente Prudente (SP)

Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal

Enquanto a ave segue com os cuidados do veterinário, os seguidores de Luís Felipe acompanham, pelas redes sociais, a rotina entre homem e ave. Em um dos vídeos que encantou o público, a ave aparece numa banheira de brinquedo. O veterinário brinca na legenda: “Mais um dia super normal por aqui, fazendo skincare no baby beija-flor.” Assista ao vídeo no início da reportagem.

Atualmente, os cuidados com a ave incluem a alimentação, treinos de independência no bebedouro, o uso de poleiros para fortalecer as patas e períodos de “banho de sol” ao longo do dia, segundo o veterinário.

Amanda Abonizio, médica-veterinária de animais silvestres, também acompanha o desenvolvimento do Zulinho e reforça a importância dos banhos que o animal tem recebido.

“Eu institui alguns banhinhos para a gente terminar de tirar toda a sujeira do início das papinhas, porque o beija-flor é um animal extremamente limpo. Então, a gente fez alguns banhos com esse objetivo, porque os beija-flores também tomam banho”, descreve.

Outro detalhe que pode afetar o desenvolvimento do filhote é em relação às penas.

“É muito provável que ele só volte a empinar na próxima estação, na primavera, porque ele só vai realmente crescer essas penas agora na próxima muda de penas", explica Amanda.

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Características da espécie

A veterináriadescreve algumas características do beija-flor, que pertence à família Trochilidae e está entre as menores aves do mundo, com metabolismo extremamente acelerado.

“Esses animais precisam se alimentar várias vezes ao longo do dia para suprir sua demanda energética. Uma curiosidade é que eles são capazes de permanecer pairados no ar durante o voo e até conseguem voar para trás”, revela.

Além disso, algumas espécies vivem em média de cinco a oito anos, com temperatura bastante elevada, entre 39 e 45 graus.

“Eles consomem néctar e também conseguem capturar pequenos insetos. Então, eles precisam dessa quantidade de proteínas, gorduras, minerais.”

A frequência cardíaca da ave pode chegar a 1.200 batimentos por minuto em pleno voo, e o coração representa 5% do peso corporal.

“Um coração grande para uma ave tão pequena”, destaca a especialista.

“O beija-flor exerce um papel ecológico importantíssimo como polinizador de diversas espécies de vegetais, flores, enfim. Isso contribui diretamente, por exemplo, para a reprodução das plantas nativas”, continua Amanda.

Cuidados eram a cada 30 minutos

Quando o filhote foi resgatado, precisava ser alimentado a cada 20 ou 30 minutos, o que fazia com que acompanhasse o veterinário durante praticamente todo o tempo e em diferentes lugares.

Uma das preocupações do veterinário está relacionada à alimentação da ave. Segundo uma amiga que trabalha com aves, a dieta diária dos beija-flores inclui uma grande quantidade de pequenos insetos, como mosquitos, o que torna a manutenção da espécie em “cativeiro” um desafio.

"Acreditamos que a falta do alimento mais específico, aliada às temperaturas frias, retardou o desenvolvimento, mas seguimos na luta, pois ele se apresenta forte, interagindo, pedindo alimento e batendo as asas", explica Zulim.

Além disso, o animal apresentava deformidade nas patas, mas isso não é algo que possa impedir que a ave voe, pois, segundo o veterinário, o mais importante são as asas.

"Percebi que o aquecedor ajudou muito no desenvolvimento dele nas últimas semanas. É devagar, mas já é possível ver peninhas novas e ele mais ‘reforçadinho’", completa.

Filhote foi resgatado no dia 12 de maio; inicialmente, o veterinário pensou que o filhote estava morto

Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal

Recuperação e meta de soltura

Zulim destaca que o "filho de asas" está em recuperação, mas o processo se torna mais lento devido à falta da presença da mãe.

"O frio está judiando um pouco, mas a alimentação frequente e o aquecimento estão ajudando muito. Agora ele começou a se mexer mais e bater a asa, interagir mais, pedindo comida, e as penas começaram a crescer, inclusive as coloridas (verdes)", conta.

Desde o início, o objetivo é realizar a soltura da ave em seu habitat natural assim que ela estiver preparada para viver de forma independente na natureza: "Como profissional e como ser humano, esse processo está sendo de grande intensidade, entrega e dedicação. Ficará marcado para sempre."

Apesar do esforço que tem empregado nos cuidados com o beija-flor, o profissional reforça que não é adequado resgatar animais silvestres sem conhecimento e manejo adequados.

"Foi preciso agir com coração, mas com cautela e rapidez. Não é minha área de atuação, por isso precisei pesquisar e pedir ajuda a profissionais da área de forma rápida para oferecer o cuidado necessário", afirma.

A orientação é acionar profissionais da área, como a Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou médico-veterinário de animais silvestres.

Aquecimento e alimentação adequados são essenciais no cuidado com a ave

Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal

O que fazer ao encontrar um filhote?

Em entrevista ao g1, a médica-veterinária de animais silvestres Amanda Abonizio orienta que a primeira atitude ao ver um filhote de animal silvestre é observar a situação com calma e garantir que o bicho está realmente abandonado.

"Nem todo filhote encontrado sozinho está abandonado. Muitas vezes os pais continuam por perto alimentando a ave. Se o animal estiver em local seguro e sem ferimentos aparentes, o ideal é monitorar antes de intervir", alerta.

A profissional acrescenta que, caso o animal esteja ferido, debilitado ou em situação de risco, ele deve ser colocado em uma caixa de papelão limpa, aquecida e silenciosa, enquanto se busca orientação de um médico-veterinário ou órgão ambiental.

"A principal orientação é avaliar se existe realmente necessidade de intervenção. Devemos agir quando o animal apresenta ferimentos, sinais de debilidade, risco iminente ou quando há certeza de que ficou órfão", afirma.

"Nessas situações, o ideal é procurar um médico-veterinário capacitado para atendimento de animais silvestres, além dos órgãos ambientais responsáveis pela fauna. Quanto mais rápido o encaminhamento adequado, maiores são as chances de recuperação e retorno à natureza", conclui.

Filhote de beija-flor resgatado por veterinário dá primeiros voos

Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal

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