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Do YouTube ao Rock in Rio: Lucas Inutilismo diz que tocará 'metal pesado' para público variado

LVCAS durante apresentação. Cantor e multi-instrumentista mistura metal, metalcore, trap, hip-hop e elementos de eletrônica em seus shows.

G1 — Brasil · 2026-09-03T07:02:13.000Z

LVCAS durante apresentação. Cantor e multi-instrumentista mistura metal, metalcore, trap, hip-hop e elementos de eletrônica em seus shows.

Lucas Vinícius resolveu ser um rockstar por influência do pai fã de Led Zeppelin e de uma prima descolada que admirava e queria chamar a atenção.

Conhecido na internet como Lucas Inutilismo, o criador de conteúdo com mais de 7 milhões de seguidores nas redes vai viver um momento inédito na carreira: se apresentará pela primeira vez no Rock in Rio.

Sob o nome artístico de Lvcas (o “V” é de Vinícius), o cantor e multi-instrumentista de 30 anos sobe ao palco Supernova no dia 5 de setembro, por volta das 18h, levando ao festival um show de metal com influências de trap e hip-hop.

“Vai ser um show pesado e enérgico, mas um show para todo mundo. Quero que me vejam no palco e percebam que eu estou fazendo isso com tesão. Que eu estou 100% entregue", revelou em entrevista ao g1.

A estreia acontece em uma fase de experimentação. Depois de construir uma grande comunidade de fãs ao longo de mais de uma década no YouTube, ele agora quer dedicar mais tempo e energia à música.

A carreira autoral começou a tomar forma há pouco tempo, em 2023, quando lançou “Odisseia”, seu primeiro single. A música ultrapassa 3 milhões de streams no Spotify. No ano seguinte, fez mais: lançou o primeiro álbum, “Amanamente”, e, em 2025, apresentou um novo EP.

Fotos do EP "abatido mas não derrotado", lançado por LVCAS em dezembro de 2025.

Lvcas também é compositor. Derramadas, suas letras falam sobre as dores da vida adulta: as inseguranças, frustrações, autossabotagens. E a tentativa constante de se manter de pé diante de tudo isso, como em "bico de corvo" (2025), em que canta sobre coragem e autocrítica.

Ei, mas eu não paro aqui

Mesmo depois de tantas formas diferentes de me ver cair

Experimentando a decadência, testando minha paciência

Vendo um império ruir, sem nem saber como agir

Em entrevista ao g1, o paulistano da Lapa contou sobre a relação com o público que o acompanha desde o início no YouTube, o encontro com o cantor americano Oliver Tree no Brasil antes de sua morte, os preparativos para o maior show de sua carreira até aqui e muito mais. Confira:

g1 — Como é que a música entra na sua vida?

Lvcas — Começa quando eu era muito moleque. As primeiras coisas que eu aprendi depois de andar e falar foram pegar um instrumento e uma câmera. Cheguei a ter bandas na escola e meu pai sempre foi um grande consumidor de música. Foi ele quem me apresentou a bandas como Led Zeppelin e Black Sabbath. Também teve uma prima minha que, durante muito tempo na minha infância e adolescência, era uma grande referência para mim. Eu achava ela muito legal, descolada, antenada. Era aquela prima que tudo o que fazia, eu pensava: “É isso que eu devo fazer”. Tudo o que ela ouvia, eu pensava: “É isso que eu devo ouvir então”. Ela teve uma influência muito grande na minha formação.

g1 — E quando esse sonho saiu do papel?

Lvcas — Foi bastante gradual. Eu sempre vim inserindo conteúdos que tinham a ver com música no meu canal. O que eu ouvia, o que eu tocava, sempre tinha alguma coisa por ali.

g1 — E você toca vários instrumentos, né?

Lvcas — Eu sou guitarrista de ofício, mas passei a tocar bateria depois. E agora canto. Esses conteúdos de música foram aparecendo de maneira muito natural. Foram eles que me levaram a fazer os shows. Cheguei a fazer uma turnê com 65 apresentações. Foi uma experiência bem importante para que eu pudesse ter confiança para dar sequência nisso, agora de maneira 100% autoral.

g1 — Como você entendeu seu som? Você se define como um cantor de rock?

Lvcas — Eu sempre tive uma mentalidade muito aberta. Acredito que a mistura proporciona coisas com muita identidade. Eu gosto do desafio de pegar coisas diferentes e brincar com contrastes. Eu sempre ouvi bastante rap, além da minha base de rock e metal. Então, no meu som, isso também se aplica. Não tenho problema nenhum com isso.

LVCAS durante apresentação. Cantor e multi-instrumentista mistura metal, metalcore, trap, hip-hop e elementos de eletrônica em seus shows.

g1 — Por que mudar para Lvcas e não manter o Lucas Inutilismo?

Lvcas — Sempre me perguntam qual é a diferença, se é um alter ego... e eu falo: é a mesma pessoa. São duas faces de uma mesma pessoa. O Inutilismo faz alusão a algo mais descompromissado, descontraído, engraçado, enquanto eu levo a música para um lugar um pouco mais de seriedade, quase sagrado.

Eu não quero que as pessoas pensem que meu trabalho de música é um trabalho de comédia, porque não é. Só que eu também queria que fosse um nome que fizesse alusão à minha pessoa. Meu nome é Lucas Vinícius da Silva. É um nome muito comum. Então eu quis pegar isso para mim e tentar subverter. Justamente por ser esse nome tão comum, é ele mesmo que eu vou usar.

g1 — E a música é hoje a prioridade da sua vida?

Lvcas — Eu acho que as duas coisas estão muito próximas. O entretenimento, a forma como eu gosto de criar histórias e vídeos e tudo mais, é uma coisa que eu amo fazer desde criança. Só que hoje a música, querendo ou não, pede mais de mim. Porque é uma página que eu estou virando praticamente em branco. É um começo, então ela pede muito da minha atenção. É também um lugar de vulnerabilidade, de muita exposição.

LVCAS durante apresentação. Cantor e multi-instrumentista mistura metal, metalcore, trap, hip-hop e elementos de eletrônica em seus shows.

g1 — Quem é o público que vai aos seus shows?

Lvcas — O meu show é para ser um espaço mais democrático possível. Seja de onde quer que você esteja vindo, você vai ser bem-vindo lá. Nem se você não gosta de rock: vem aqui. Vem ver. Não é sobre ser o melhor, não é sobre ter as melhores músicas, não é sobre ser o melhor músico ou ser o mais ouvido. Mas é legal ser um cara apaixonado pelo que faz, assim como gosto de ver pessoas que são apaixonadas pelo que fazem. Então eu quero sempre estar cultivando a minha audiência dessa maneira, trazendo mais pessoas para perto e essa sensação de unidade.

g1 — Você foi uma das últimas pessoas que esteve com Oliver Tree na última passagem dele pelo Brasil antes do acidente. Como foi?

Lvcas — Foi bastante impactante para mim, porque não era uma coisa que eu estava esperando. Eu conhecia o Oliver há uns cinco ou seis anos. E sempre achei muito legal tudo o que ele fez. Acho que é um cara que tem alguns paralelos comigo na nossa maneira de trabalhar. A gente conversou muito sobre isso, sobre ter esse lado, essa veia mais cômica, de trabalhar esses exageros, esse lado meio idiota, de não se levar tão a sério.

Acabou rolando da gente se encontrar quando ele veio fazer essa parte da turnê dele aqui no Brasil. Foi por intermédio de um amigo meu que estava em contato com o manager dele, e aí ele apareceu lá em casa. A gente passou um dia inteiro juntos. Ele pegava todo esse discurso de viver a vida com intensidade, de se conectar com os seres humanos de maneira genuína. Ele até falava que esse era o motivo de carregar aquele visual meio esquisito. Aquele cabelo estranho. Ele falava: “Eu quero ser o mais feio possível aqui, porque eu quero que a pessoa não olhe para isso”.

Foi uma grande aula. A gente chegou a gravar um vídeo que foi para o meu Instagram, uma versão de uma música dele. E a gente gravou outra coisa. Eu tenho um material gravado com ele que ainda não sei o que vou fazer. É um vídeo, uma coisa meio podcast, a gente trocando ideia. Eu estou pensando em fazer isso, mas não quero que soe desrespeitoso. Não quero parecer que estou querendo ganhar algo em cima dessa fatalidade absurda que aconteceu. Tudo é muito sensível.

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g1 - E o que você está preparando para o show do Rock in Rio?

Lvcas - É muito louco, porque, desde que recebi a notícia, isso tem sido meio que o norte da minha vida. Todos os dias eu penso nesse momento. Passo boas horas do dia pensando em coisas que posso trazer e também no que preciso tomar cuidado.

A gente precisa tomar cuidado porque o tempo do show será mais curto do que normalmente fazemos. É um lugar com várias outras coisas acontecendo, então temos que ser cirúrgicos, principalmente na escolha do que vamos apresentar. Precisa ser sucinto, direto ao ponto, mas sem faltar nada. Temos algumas coisas para ajustar nos próximos ensaios com a banda, mas é o momento de grande expectativa da minha vida.

g1 - Tá com medo?

Lvcas - Acho que é normal ter um pouco de medo. É bom, inclusive, que tenha. Não ter nenhuma ansiedade ou medo de tocar no Rock in Rio seria até estranho, porque aí teria perdido o sentido. Estou com um time muito bom por trás, tanto de banda quanto de equipe, para entregar o melhor trabalho possível e saber lidar com qualquer possível adversidade. É uma coisa que eu sonho desde muito moleque, desde antes dos meus 12, 13 anos.

Então estou me preparando da melhor forma possível. Estou fazendo vários tipos de preparação, inclusive física. Tenho treinado todos os dias, feito esteira subindo todos os dias. Estou me preparando para chegar lá da melhor forma possível.

g1 - E, além do seu próprio show, tem algum artista que você está especialmente ansioso para ver?

Lvcas - O Bring Me The Horizon é uma banda que me influenciou muito no início da minha vida. Quando eu tinha uns 15, 16 anos, eu pensava: “Os caras mudaram o mundo aqui”. Com certeza, é um dos motivos de eu estar na música. Eles me ajudaram a lapidar meu som para esse lugar mais moderno, que é uma referência contemporânea.

Então vai ser um dia de muitos reencontros. Com certeza vou apontar o dedo e falar: “Tem culpa de todos vocês no que eu fiz ali agora”. Se isso é bom ou ruim, são vocês que vão decidir.

g1 - Você falou da sua prima descolada, que foi uma referência para você na infância. Agora parece que o primo descolado virou você.

Lvcas - Ela foi uma boa mestra Jedi para mim, para ensinar o pupilo. Agora acho que chegou a minha vez.

LVCAS durante apresentação. Cantor e multi-instrumentista mistura metal, metalcore, trap, hip-hop e elementos de eletrônica em seus shows.

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