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Ticketmaster é mais um episódio de tensão entre Massis e Olten; relembre
ge — Futebol · 2026-09-03T07:00:56.000Z
Ticketmaster é mais um episódio de tensão entre Massis e Olten; relembre
O clima no Morumbis meses antes da próxima eleição presidencial do São Paulo é tenso. A já estremecida relação entre diretoria executiva e presidência do Conselho Deliberativo ganhou novos capítulos nos últimos dias.
O acordo do São Paulo com a Ticketmaster para a empresa ser a nova gestora de ingressos do Morumbis é mais um episódio da tensão entre Harry Massis, presidente executivo do clube, e Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo. Os dois são de grupos diferentes e considerados adversários políticos.
Harry Massis Junior, vice-presidente do São Paulo
O contrato negociado pela diretoria, que precisa ser aprovado pelo Conselho Deliberativo, prevê um adiantamento de R$ 140 milhões e é tido por Harry Massis como crucial para quitar pendências do clube com os jogadores e resolver problemas de fluxo de caixa.
O acordo foi aprovado pelo Conselho de Administração, mas Olten Ayres não o colocou em votação no Conselho Deliberativo e criou uma Comissão de Análise para avaliar os detalhes do contrato.
O grupo, formado por quatro conselheiros, três da oposição e um da situação, irá elaborar um parecer sobre o acordo após questionamentos feitos pela NewC, concorrente da Ticketmaster. Por outro lado, Massis, em áudio vazado, deixou clara a insatisfação com Olten e enfatizou a importância da aprovação do contrato para resolver os problemas financeiros do clube.
Massis assumiu a presidência do São Paulo em janeiro de 2026, após a renúncia de Julio Casares, ex-presidente do clube e antigo aliado político de Olten Ayres. Desde então, a relação entre poderes ficou estremecida.
Julio Casares e Olten Ayres de Abreu Júnior no São Paulo
Em fevereiro, Olten Ayres recebeu uma denúncia sobre uma suposta participação de Chris Massis, filha do presidente, na venda ilegal de ingressos para shows no Morumbis e convocou uma reunião extraordinária do Conselho Consultivo para discutir um possível processo de impeachment contra Massis. O órgão se reuniu, e o presidente permaneceu no cargo.
Denúncia de Massis
O clima entre os poderes, no entanto, se deteriorou após a crise inicial. O embate ficou explícito em abril, quando Massis protocolou um pedido de expulsão de Olten do clube, sob acusação de gestão temerária por supostas irregularidades em uma proposta de reforma estatutária do clube que, segundo a denúncia, não seguiu o rito previsto no estatuto.
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Olten Ayres, presidente do Conselho do São Paulo
Durante a investigação, a Comissão de Ética do São Paulo encaminhou à Polícia Civil um pedido de apuração por suposta falsidade ideológica envolvendo Olten Ayres. O caso passou a ser investigado também pela Polícia.
Segundo a Comissão de Ética, um documento assinado por dois membros do Conselho Consultivo do clube, José Eduardo Mesquita Pimenta e Ives Gandra, teria sido entregue já pronto pelo presidente do Conselho Deliberativo, apenas para que eles o assinassem.
Olten Ayres, então, iniciou uma tentativa frustrada de trocar os membros da Comissão de Ética. Seu vice, João Farias, impediu o afastamento dos membros da Comissão de Ética e determinou que o presidente não participasse de qualquer decisão que tivesse relação com as investigações que apuravam possíveis irregularidades cometidas em sua gestão.
Depois do impasse, Olten Ayres pediu afastamento do cargo para preparar sua defesa, enquanto era investigado pela Polícia Civil e internamente no São Paulo pela possível falsidade ideológica.
Em junho, o pedido de afastamento de Olten, protocolado por Massis, foi recusado, e o presidente do Conselho voltou ao cargo. O movimento foi visto internamente como uma vitória da oposição e uma derrota para Massis.
Em julho, o Ministério Público arquivou a denúncia sobre falsidade ideológica por ausência de tipicidade penal da conduta investigada.
Em busca de paz
No mesmo mês, conselheiros do São Paulo apresentaram uma representação que pedia o afastamento do presidente Harry Massis e a abertura de um processo disciplinar contra o dirigente. O documento apontava supostos indícios de gestão temerária, violações estatutárias e comprometimento da governança.
Harry Massis, presidente do São Paulo, em São Paulo x Palmeiras
Um dos pontos citados era o atraso de salários dos jogadores. A representação foi arquivada pela Comissão de Ética. Por isso, a aprovação do acordo com a Ticketmaster e a consequente entrada de recursos são vistas internamente como uma forma de aliviar não apenas os problemas de caixa, mas também a pressão sobre a gestão de Massis.
– Eu preciso que vocês ajudem a fazer o presidente do CD colocar na pauta para ser votado. Porque se segurar e não for votado, não vamos cumprir nada. Não vai ter dinheiro para pagar nada, tá? Entendeu? Tem muita gente bocuda que fala o que não deve falar e cai sobre a minha pessoa – diz Massis no áudio vazado na última terça-feira.
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Mesmo diante da insistência da diretoria executiva, Olten Ayres constituiu a comissão para avaliar o contrato com a Ticketmaster e as reclamações da NewC.
– A situação financeira do São Paulo torna ainda mais necessária a avaliação rigorosa de compromissos que possam afetar suas receitas. A urgência na obtenção de recursos deve ser acompanhada de informações completas sobre custos, garantias, obrigações e consequências da contratação – disse nota divulgada pelo presidente do Conselho.
A eleição dos novos conselheiros será na segunda quinzena de novembro, enquanto o pleito presidencial está previsto para a primeira quinzena de dezembro. A tensão entre Massis e Olten também serve como termômetro para a corrida eleitoral no clube.
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Massis ainda avalia ser candidato à presidência, mas enfrenta a concorrência de outros conselheiros, entre eles Adilson Alves Martins. Na oposição, Olten Ayres apoiou inicialmente uma candidatura de Rogério Caboclo. Diante da rejeição ao nome do ex-presidente da CBF, porém, a possibilidade não avançou, e Marcelo Portugal Gouvêa Jr. deve ser o escolhido do grupo para disputar a eleição.
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