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Autor sorocabano lança primeiro romance lean do Brasil sobre liderança e gestão de pessoas
G1 — Brasil · 2026-07-24T10:34:10.000Z
Autor sorocabano lança primeiro romance lean do Brasil sobre liderança e gestão de pessoas
Por décadas, livros sobre gestão empresarial foram associados a gráficos, metodologias e conceitos técnicos, mas uma nova proposta literária aposta no caminho inverso: contar uma história para ensinar liderança. É essa a premissa de "Gente Lean", obra lançada pelo escritor de Sorocaba (SP), Robson Gouveia, apresentada como "o primeiro 'romance lean' do Brasil".
Escrito em parceria com Ricardo Oréfice, ombudsman do Itaú Unibanco, o livro mistura ficção e conceitos de gestão para discutir um tema cada vez mais presente no ambiente corporativo: como empresas podem alcançar melhores resultados ao investir no desenvolvimento das pessoas e em ambientes de trabalho mais seguros e colaborativos.
Diretor do Lean Institute Brasil (LIB) e atuando há mais de 30 anos com desenvolvimento de pessoas e transformação organizacional. Ao lado de Ricardo Oréfice, Robson decidiu levar conceitos de gestão para um formato pouco comum no país: o romance empresarial.
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A obra acompanha a trajetória fictícia de Cristina, nova diretora de um conglomerado empresarial marcado por pressão excessiva, medo de errar e falta de diálogo entre equipes. Ao g1, o autor contou que ao longo da narrativa, a personagem busca transformar a cultura da organização por meio da escuta ativa, da confiança e da valorização das pessoas.
Segundo Gouveia, a escolha pela ficção foi estratégica. "As pessoas não se apaixonam por conceitos. Elas se apaixonam por histórias. Queríamos mostrar como os princípios de gestão ganham vida dentro das empresas, por meio dos desafios reais enfrentados pelas pessoas", afirma.
O que é um romance lean?
Autor de Sorocaba lança primeiro 'romance lean' do Brasil retratando liderança e gestão de pessoas
O termo faz referência ao sistema lean, modelo de gestão inspirado no Sistema Toyota de Produção e que tem como objetivo eliminar desperdícios, melhorar processos e desenvolver pessoas.
Diferentemente de um livro técnico tradicional, o romance lean utiliza uma narrativa ficcional para apresentar conceitos de liderança, cultura organizacional, resolução de problemas e desenvolvimento humano.
Nos Estados Unidos e em outros países, obras que combinam histórias e conceitos de gestão já são populares. Um dos exemplos mais conhecidos é "O Monge e o Executivo", de James C. Hunter. Segundo os autores, "Gente Lean" é o primeiro livro brasileiro a utilizar esse formato tendo o sistema como base central da narrativa.
Ao longo do livro, os autores defendem que resultados sustentáveis dependem da criação de ambientes onde as pessoas possam expor problemas, propor soluções e aprender sem medo de punições.
Para Gouveia, um dos maiores desperdícios das empresas não está apenas nos processos. "O maior desperdício de uma organização é o potencial humano que nunca chega a florescer. Já vi pessoas extremamente talentosas que nunca foram ouvidas ou convidadas a participar das soluções", diz.
A obra também aborda conceitos como segurança psicológica, escuta ativa e o papel das lideranças na formação de equipes mais engajadas.
De Sorocaba para uma rede global
Autores do livro, Robson Gouveia, diretor do LIB e Ricardo Oréfice, ombudsman do Itaú
A trajetória de Robson ajuda a explicar a visão de liderança apresentada na obra. Nascido e criado na zona oeste de Sorocaba, ele enfrentou perdas ainda na infância e adolescência. A mãe morreu quando ele tinha seis anos e, o pai, quando tinha 16.
"A vida me ensinou muito cedo que sozinho eu não chegaria muito longe. Sempre houve pessoas que acreditaram em mim em momentos em que eu mesmo ainda não enxergava meu potencial. Ao longo da minha trajetória, tive o privilégio de encontrar pessoas extraordinárias: familiares, professores, líderes, colegas e amigos que acreditaram em mim em momentos em que eu mesmo ainda não enxergava todo o meu potencial. Cada uma delas deixou uma marca na pessoa e no profissional que me tornei", relembra.
Hoje, à frente de uma organização presente em 29 países, ele diz carregar a convicção de que nenhuma transformação empresarial acontece apenas por meio de ferramentas ou processos.
"Minha história não foi construída apenas pelo meu trabalho. Foi construída pelas mãos de muita gente. Talvez por isso eu nunca tenha acreditado que empresas são transformadas por ferramentas. São as pessoas que transformam empresas", afirma.
Segundo o autor, o livro é também uma homenagem a todos que contribuíram para sua trajetória. "Os melhores líderes não são aqueles que brilham sozinhos, mas os que ajudam outras pessoas a descobrir que também podem brilhar", declara Gouveia.
Desperdício que não aparece nos relatórios
Ao longo de mais de três décadas trabalhando com gestão em empresas de diversos setores, Robson afirma ter percebido que alguns dos maiores prejuízos das organizações não aparecem nos balanços financeiros.
"Ao entrar nas fábricas, nos escritórios e nas operações, comecei a perceber algo que nenhum relatório mostrava. Havia pessoas cheias de talento que não eram ouvidas. Gente que conhecia profundamente os problemas, mas nunca era convidada a participar das soluções; líderes tão pressionados por metas que deixavam de desenvolver suas equipes e profissionais que iam trabalhar apenas com as mãos, quando poderiam contribuir também com a cabeça e com o coração", conta.
Autor de Sorocaba lança primeiro 'romance lean' do Brasil retratando liderança e gestão de pessoas
Foi dessa observação que surgiu uma das principais reflexões presentes no livro. "O maior desperdício de uma organização não é o material que vai para o lixo, nem o tempo perdido em um processo. O maior desperdício é o potencial humano que nunca chega a florescer", diz Gouveia.
Segundo ele, a situação se torna ainda mais preocupante quando profissionais passam anos dentro de uma empresa sem crescer, aprender ou desenvolver novas capacidades.
A cultura da pressão
Outro tema central da obra é o modelo de liderança baseado na cobrança constante por resultados. Para Robson, muitas empresas ainda acreditam que pressão gera desempenho, mas os efeitos dessa lógica costumam aparecer no médio e longo prazo. "Pressão pode até gerar velocidade por um tempo, mas raramente gera compromisso", afirma.
Ele explica que ambientes excessivamente rígidos tendem a reduzir a criatividade, enfraquecer a colaboração e fazer com que os profissionais trabalhem apenas para cumprir metas, sem buscar soluções para os problemas.
Embora o termo "segurança psicológica" tenha ganhado espaço nas discussões sobre ambiente de trabalho nos últimos anos, Robson acredita que ele ainda é frequentemente mal compreendido.
"Não se trata de criar um ambiente confortável. Trata-se de criar um ambiente onde as pessoas tenham coragem de falar, questionar, admitir erros e propor melhorias sem medo de serem humilhadas", diz.
Autor de Sorocaba lança primeiro 'romance lean' do Brasil retratando liderança e gestão de pessoas
Quando isso acontece, os problemas aparecem mais cedo, as decisões melhoram e a inovação se torna mais frequente. "Empresas que silenciam as pessoas acabam pagando um preço alto com retrabalho, desperdícios, perda de talentos e oportunidades", completa Gouveia.
A segurança psicológica deixa de ser apenas uma questão ligada ao bem-estar dos funcionários, mas uma vantagem competitiva.
Liderança em tempos de inteligência artificial
Em um momento em que a inteligência artificial avança rapidamente dentro das empresas, o autor acredita que o fator humano tende a se tornar ainda mais relevante. "As tecnologias podem ser copiadas. Uma cultura que desenvolve pessoas, não", afirma.
Para ele, organizações que insistirem em modelos de liderança baseados exclusivamente em comando, controle e pressão terão cada vez mais dificuldade para atrair e manter talentos. "As pessoas querem ser ouvidas, participar das decisões, aprender continuamente e sentir que seu trabalho tem um propósito maior", diz.
Ao longo das 267 páginas do livro, a narrativa ficcional se alterna com capítulos que funcionam como guias práticos sobre liderança, cultura organizacional e resolução de problemas. Mas, para Robson, a principal reflexão da obra pode ser resumida em uma única pergunta.
"Muitos gestores medem seu sucesso apenas pelos resultados que entregam. Mas deveriam se perguntar: as pessoas ao meu redor estão crescendo?". Segundo ele, essa é uma das questões mais importantes da liderança contemporânea.
"Um bom líder não deixa apenas metas cumpridas. Ele deixa pessoas mais preparadas, mais confiantes e mais capazes do que quando chegaram. Esse é o legado que realmente transforma uma organização", completa.
O Lean Institute Brasil (LIB) vai exibir um talk show ao vivo e gratuito no YouTube no dia 20 de agosto, às 19h30, para lançar oficialmente o livro “Gente Lean, um romance empresarial sobre liderança, confiança e conexões humanas”. A inscrições são gratuitas no site. O evento também irá sortear exemplares autografados da obra.
Autor de Sorocaba lança primeiro 'romance lean' do Brasil retratando liderança e gestão de pessoas
*Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida
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