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Nova fase de operação investiga fraude de até R$ 70,4 milhões em empréstimos da Desenvolve SP

A sede da Deic, em Campinas (SP)

G1 — Brasil · 2026-09-03T10:27:30.000Z

A sede da Deic, em Campinas (SP)

A Polícia Civil, por meio do Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro (Neccold), de Campinas (SP), iniciou nesta quinta-feira (3) a segunda fase da Operação Avaritia, que investiga suspeitas de fraudes em financiamentos da Desenvolve SP.

Ao todo, são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo (SP), Mogi das Cruzes (SP), Suzano (SP) e Barueri (SP), além do Rio de Janeiro (RJ). A ação mobilizou cerca de 80 policiais civis e 27 viaturas.

Segundo o governo estadual, as fraudes investigadas teriam ocorrido entre 2021 e 2022, durante a pandemia. O prejuízo pode chegar a R$ 70,4 milhões.

"A quadrilha se aproveitou de um contexto excepcional durante a pandemia, quando houve uma expansão emergencial do crédito para atender empresas que enfrentavam dificuldades e a transição para o trabalho remoto", disse a Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo, em nota.

A investigação começou depois que a própria Desenvolve SP recebeu, pela Ouvidoria, uma denúncia sobre uma operação de crédito, em janeiro de 2022. A agência fez uma apuração interna, encontrou outros casos suspeitos e avisou as autoridades.

Segundo a polícia, o grupo usava empresas de fachada, documentos falsos e informações financeiras manipuladas para conseguir os empréstimos.

Depois que o dinheiro era liberado, os valores eram enviados para contas de terceiros e movimentados várias vezes. A suspeita é de que isso fosse feito para dificultar a identificação de quem realmente ficou com os recursos. Os nomes dos investigados não foram divulgados.

Ainda de acordo com o governo estadual, a agência de fomento "implementou diversas ações após a identificação das fraudes, incluindo alteração da Política de Crédito; revisão da Política de Prevenção à Lavagem de Dinheiro; e treinamento específico sobre prevenção a fraudes".

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Como o grupo atuava

A polícia identificou dois principais grupos dentro do esquema:

Um deles seria responsável pelo contato com empresários e pelos pedidos de empréstimo.

O outro prepararia documentos para fazer as empresas parecerem regulares e com condições de receber o dinheiro. Entre esses documentos estavam contratos, registros de empresas, balanços e procurações.

Nas buscas desta quinta-feira, os policiais procuraram documentos, celulares, computadores e registros bancários. O objetivo é descobrir quem recebeu o dinheiro, acompanhar o caminho dos valores e localizar bens comprados com os recursos.

A primeira fase da Operação Avaritia foi realizada em outubro de 2023. Na época, a polícia identificou três empresas consideradas fantasmas que teriam conseguido cerca de R$ 5 milhões em empréstimos da Desenvolve SP.

Foram cumpridos 20 mandados de busca e apreensão. Carros, celulares, computadores, documentos e joias foram apreendidos.

À época, a Polícia Civil estimava que o prejuízo poderia chegar a R$ 40 milhões. A Desenvolve SP informou, em nota, que fez apurações internas e que cinco funcionários foram desligados após suspeitas de envolvimento no caso.

Os investigados podem responder por estelionato, falsidade ideológica, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Cronologia da operação

Janeiro de 2022: Desenvolve SP recebe, via Ouvidoria, a denúncia de suspeita de fraude em uma operação de crédito e inicia investigação interna que identifica outros casos semelhantes

Novembro de 2022: Ministério Público de São Paulo (MPSP) recebe Notícia de Fato. Banco Central e Controladoria Geral do Estado (CGE) também são informados sobre as apurações da agência.

Fevereiro de 2023: Desenvolve SP avalia que a quantidade de casos é relevante e pode haver participação de colaboradores. O Conselho de Administração cria um grupo de trabalho e um escritório para auditoria forense é contratado.

Julho de 2023: Desenvolve SP envia complemento de informações MPSP e faz denúncia no Conselho Regional de Contabilidade contra os contadores identificados na fraude.

Setembro de 2023: Desenvolve SP dá conhecimento dos fatos para auditor do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP.) Início dos processos administrativos disciplinares contra oito colaboradores.

Outubro de 2023: Deflagração da 1ª fase da operação Avaritia pela Polícia Civil

Dezembro de 2023: nova denúncia contra colaborador por indícios de corrupção. Durante a apuração, verificou-se relação com o núcleo de fraudadores da operação Avaritia. CGE é comunicada. Inicia-se uma apuração interna com novo suporte de auditoria forense.

Fevereiro de 2024: abertura de processo administrativo disciplinar contra o colaborador denunciado. Desenvolve SP envia informações complementares para CGE e polícia civil.

Junho de 2024: desligamento de 4 colaboradores suspeitos de envolvimento.

Julho de 2024: desligamento do colaborador alvo da denúncia de dezembro de 2023.

Novembro de 2024: envio de nova manifestação para o TCE.

Setembro de 2026: Polícia Civil deflagra segunda fase da operação, cumprindo 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo e Rio de Janeiro.

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