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Atendimentos por engasgo sobem 10% em São Paulo no 1º semestre

Atendimentos por engasgo aumentam 10% em SP

G1 — Brasil · 2026-09-03T16:39:20.000Z

Atendimentos por engasgo aumentam 10% em SP

Os casos de engasgo atendidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) aumentaram 10% na cidade de São Paulo no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025.

Entre janeiro e junho de 2025, foram registrados 624 atendimentos relacionados a engasgos. Neste ano, o número subiu para 689 ocorrências.

A maior incidência está entre crianças de 1 a 5 anos. Nessa faixa etária, os atendimentos passaram de 92 para 106 no período, um aumento de 15%.

Os casos também chamam a atenção entre os idosos. Apenas na faixa dos 70 aos 80 anos, o Samu registrou 90 chamados nos primeiros seis meses deste ano.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre os alimentos que podem provocar engasgos estão pipoca, amendoim, balas, carne, sementes e castanhas, biscoitos, uvas, batata frita, salsicha e azeitona.

A médica de emergência do Samu Gabriela Matielo Galli Rosalen explica que o engasgo acontece quando o alimento, em vez de seguir para o esôfago, acaba entrando na via respiratória.

Ambulância do Samu de São Paulo

“Quando a gente se alimenta, a epiglote se fecha e o alimento desce para o esôfago. Quando eu não mastigo o alimento, ou, no caso das crianças, elas estão brincando, correndo ou se distraem com alguma coisa, eu tenho uma falha nesse mecanismo e o alimento acaba se impactando na entrada ou na região da traqueia.”

Foi o que aconteceu com a filha de dois anos da empresária Natália Geroldi. A menina comeu uma bolinha de queijo sem que a mãe percebesse. Quando Natália notou o que estava acontecendo, a criança já estava com falta de ar e começando a ficar roxa.

“Quando eu percebi, ela já tava engasgada, com falta de ar ali, ficando roxinha. E aí cheguei próxima dela sem pensar muito, sem chamar meu marido, já fui tomando ação e fazendo a manobra com ela.”

Natália virou a filha de bruços e deu tapas nas costas da criança até que ela conseguisse voltar a respirar normalmente.

Mas nem sempre a história termina bem. Há um mês, a jornalista Deborah Silva perdeu a mãe, Severina, aos 70 anos, depois que ela se engasgou durante uma refeição em casa.

Severina sofria de artrite reumatoide e havia perdido um implante dentário. Por causa disso, tinha dificuldade para mastigar e havia passado por uma cirurgia na mandíbula.

No dia do acidente, ela pediu à filha que comprasse feijoada. Disse que conseguiria comer pelo menos o caldo e a carne.

“Ela colocou na boca, começou a passar mal. Eu falei: ‘Tá engasgando’. Aí fui atrás dela, fiz a manobra, conseguiu soltar e saiu o pedaço de carne, mas ela não tava respirando ainda.”

Severina foi internada e permaneceu no hospital por uma semana. A família acompanhou a tentativa de reduzir a sedação, mas ela não apresentou sinais de atividade cerebral. “Aos poucos foram tirando a sedação dela, só que ela não apresentava mais sinais, sinais cerebrais.”

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