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Carbono Oculto: MP denuncia Mohamad Hussein e Beto Louco por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica em esquema de R$ 1 bilhão

Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades.

G1 — Brasil · 2026-09-03T18:01:58.000Z

Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, ambos foragidos, apresentaram material que aponta o pagamento de propina de R$ 400 milhões a políticos e autoridades.

O Ministério Público de São Paulo ofereceu nesta quinta-feira (3) nova denúncia por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica contra os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.

Os dois, que seguiam foragidos da Justiça até a publicação da reportagem, são apontados como chefes de um esquema criminoso que operava no setor de combustíveis. A TV Globo entrou em contato com as defesas dos denunciados e aguarda retorno.

O objetivo dessa ação é atingir a engrenagem financeira usada para ocultar o dinheiro das fraudes, que teriam sonegado mais de R$ 1 bilhão em ICMS.

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A denúncia, resultado da Operação Carbono Oculto, aponta o uso de um intrincado mecanismo financeiro. O esquema ia de empresas de fachada a fundos de investimento para mascarar o patrimônio ilícito.

Segundo o MP, os investigados tinham a pretensão de se estabelecer como uma potência sucroenergética na região, por meio do Grupo Itajobi.

Acusações e crimes antecedentes

Nesta ação penal específica, os alvos respondem pelos crimes de lavagem de capitais e falsidade ideológica.

A Promotoria detalha, no entanto, que o dinheiro ocultado e movimentado por meio de documentos forjados é fruto de uma série de práticas ilegais anteriores (chamados de crimes antecedentes).

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A origem principal dos recursos ilícitos seria a atuação da própria organização criminosa por meio da "fraude fiscal estruturada", na qual o grupo simulava importações para sonegar impostos.

Além disso, o MP aponta que o dinheiro ilícito também vinha de crimes contra o consumidor — como fraudes em bombas e venda de combustível adulterado nos postos — e de infrações anteriores envolvendo a importação de nafta, um derivado do petróleo usado para adulterar combustíveis.

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Lavagem e ocultação

Para escoar o dinheiro gerado pelas fraudes, o grupo recorreu a três frentes no mercado financeiro, segundo o MP.

Primeiro, registrou dezenas de firmas em nome de laranjas. Somente uma das empresas teria movimentado R$ 15 bilhões operando como uma espécie de caixa dois.

Em seguida, contas de pagamento (fintechs) foram utilizadas para pulverizar os recursos. O esquema se valia de "contas bolsão" para camuflar a origem e o destino final do dinheiro, burlando o controle do Sistema Financeiro Nacional.

No topo da cadeia, os recursos desaguavam no mercado de capitais. Com a participação de uma gestora e de um advogado, o esquema criava fundos fechados para “blindar” o dinheiro, escondendo os verdadeiros beneficiários.

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O rastro em Catanduva

Para ilustrar a velocidade da ocultação de bens, a denúncia detalha a compra de dois terrenos em Catanduva, no interior de São Paulo, por R$ 3,9 milhões, pagos à vista, em outubro de 2023.

A área abrigaria a sede do Grupo Itajobi, uma obra de grandes proporções classificada pela investigação como "faraônica", que refletia a ambição do projeto.

O rastreamento do Gaeco mostra que o valor saiu de uma conta da distribuidora Aster (adquirida pela dupla em 2020 junto com a formuladora Copape) e passou por cinco contas distintas em apenas sete minutos. O destino final foi a conta da “empresa de prateleira” controlada por um advogado do grupo, que repassou o pagamento aos vendedores.

Os terrenos foram inicialmente registrados no nome da empresa desse advogado. Posteriormente, consumando as práticas de lavagem e falsidade, a firma teve o nome alterado e suas cotas transferidas para um fundo de investimento.

Para viabilizar a manobra, foi criada ainda uma nova empresa de fachada para atuar exclusivamente na condição de cotista desse fundo, distanciando definitivamente o patrimônio dos líderes foragidos.

O MP paulista pediu à Justiça a perda dos valores atrelados aos crimes e a fixação de reparação pelos danos causados.

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