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Fernando de Noronha começa a usar mosquitos estéreis contra a dengue

Noronha começa combate à dengue com mosquitos estéreis

G1 — Brasil · 2026-09-03T20:12:53.000Z

Noronha começa combate à dengue com mosquitos estéreis

A Administração de Fernando de Noronha iniciou a implantação da técnica de mosquitos estéreis para reduzir a população do Aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika (veja vídeo acima). A ação é realizada em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, com apoio do Ministério da Saúde e da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em 2015 e 2016, a ilha recebeu um projeto-piloto. Na época, mosquitos estéreis foram liberados em quatro pontos da Vila da Praia da Conceição. Segundo os pesquisadores, os resultados foram positivos e, agora, a técnica será aplicada de forma mais ampla.

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Fernando de Noronha vai combater o Aedes aegypti na ilha.

Ana Clara Marinho/TV Globo

O trabalho passou a ser colocado em prática pela organização social Moscamed Brasil.

“Instalamos armadilhas, chamadas de ovitrampas, para coletar os ovos dos mosquitos de Noronha. Em laboratório, esses insetos vão se desenvolver até a fase adulta para formar uma colônia. Isso será feito na Bahia, com autorização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)”, explicou o presidente da Moscamed, Jair Fernandes Virginio.

Ovitrampas foram instaladas em Fernando de Noronha

Ana Clara Marinho/TV Globo

As armadilhas foram distribuídas em 33 pontos da ilha. No final de setembro, os primeiros ovos serão transportados para o continente. Segundo os estudos, apenas as fêmeas do Aedes aegypti transmitem as arboviroses.

“No laboratório, vamos esterilizar os machos por meio de irradiação e marcar esses mosquitos antes de trazê-los de volta para Noronha. Em seguida, eles serão liberados na natureza e vão procurar as fêmeas para acasalar. As fêmeas que cruzarem com esses machos vão colocar ovos que não irão se desenvolver”, informou o presidente da Moscamed.

Segundo Jair Virginio, o processo não utiliza produtos químicos e não oferece riscos ao meio ambiente ou à população.

Aedes aegypti encontrado na ilha

Ana Clara Marinho/TV Globo

Casos de arboviroses na ilha

Em Fernando de Noronha não foram identificados de casos de zika. Os dados de casos investigados e confirmados de chikungunya e dengue na ilha são os seguintes:

2022: 126 casos investigados e 9 confirmados;

2023: 43 casos investigados e 2 confirmados;

2024: 16 casos investigados e 8 confirmados;

2025: 1 caso investigado e 1 confirmado;

2026: 3 casos investigados e nenhum confirmado.

2022: 79 casos investigados e 17 confirmados;

2023: 22 casos investigados e 2 confirmados;

2024: 53 casos investigados e 50 confirmados;

2025: 16 casos investigados e 14 confirmados;

2026: 71 casos investigados e 45 confirmados.

O gerente de Vigilância em Saúde da Administração de Fernando de Noronha, Guilherme Santos, afirmou que a expectativa é reduzir o número de casos de arboviroses na ilha.

“A gente acredita que ainda não será possível zerar os casos de arboviroses, mas a nossa expectativa é ter uma redução significativa dos casos de dengue e chikungunya em Fernando de Noronha”, falou Guilherme Santos.

Além da técnica dos mosquitos estéreis, outras ações já foram realizadas em Noronha para combater o Aedes aegypti.

“Nós fizemos a capacitação técnica dos agentes de endemias e realizamos um estudo-piloto da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com larvicidas biológicos”, informou o gerente.

O projeto com os mosquitos estéreis será desenvolvido inicialmente por três anos. Guilherme Santos acredita que Fernando de Noronha pode se tornar um modelo para o controle das arboviroses.

“Com os estudos e os trabalhos realizados, podemos ser uma referência para o Brasil e outros locais do mundo no controle da dengue”, declarou Santos.

Larvicidas biológicos são aplicados em Noronha

Ana Clara Marinho/TV Globo

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