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'Por favor, me ajuda': mensagens de menina de 11 anos no WhatsApp revelam anos de abusos e terminam com prisão de padrastro na Serra

Homem foi preso em flagrante por estuprar e ameaçar a enteada de 11 anos na Serra

G1 — Brasil · 2026-09-03T20:32:04.000Z

Homem foi preso em flagrante por estuprar e ameaçar a enteada de 11 anos na Serra

Mensagens de texto enviadas pelo WhatsApp por uma menina de apenas 11 anos levaram à prisão do padrastro dela, suspeito de estupro de vulnerável e ameaça, no município da Serra, na Grande Vitória, nesta sexta-feira (28).

Os pedidos de socorro, encaminhados pela criança aos familiares na última quarta (26) à noite, serviram como provas para a Polícia Civil prender o homem em flagrante e indiciar a mãe da vítima por omissão.

O nome do investigado e o bairro onde o crime ocorreu não foram divulgados para preservar a identidade da vítima.

Pedido de socorro e resgate

A menina usou o próprio celular para enviar mensagens ao seu tio biológico e uma tia de consideração. Nas mensagens, divulgadas pela polícia, a criança pediu socorro e relatou que o padrasto havia abusado sexualmente dela, e relatou que o padrasto a havia estuprado.

“Ele tirou [minha virgindade] e fica querendo fazer isso toda vez que minha mãe vai tomar banho”, disse a menina em um dos trechos.

Menina de 11 anos enviou mensagens com pedidos de socorro após ser abusada sexualmente pelo padrasto no Espírito Santo

Após receberem o pedido de socorro, os familiares procuraram a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) na quinta (27). Na manhã de sexta, aproveitando o momento em que o investigado saiu para trabalhar, os tios foram até a residência, resgataram a menina e a levaram diretamente para a delegacia.

As mensagens de texto enviadas pela vítima foram inseridas no inquérito policial e usadas pela autoridade policial como indícios de autoria e materialidade do crime. O laudo pericial realizado na sequência confirmou a violência sexual recente e a ruptura do hímen da menor de idade.

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Com base nessas provas, a polícia localizou o suspeito trabalhando em uma obra de construção civil em Vitória, onde foi efetuada a prisão em flagrante, posteriormente convertida em preventiva pela Justiça. Em depoimento, o homem negou as acusações.

Menina de 11 anos enviou mensagens com pedidos de socorro após ser abusada sexualmente pelo padrasto no Espírito Santo

Abusos ocorriam desde que a vítima tinha 5 anos

A investigação policial apontou que a violência contra a menina teve início em 2020, quando ela tinha apenas 5 anos de idade. Na época, a mãe da criança chegou a registrar um boletim de ocorrência sobre o abuso, gerando um inquérito concluído e enviado à Justiça com o indiciamento do padrasto.

Após o registro, no entanto, a família mudou de cidade. Eles residiram em Nova Venécia, no Noroeste do estado, e, posteriormente, passaram de quatro a cinco meses na Bahia.

Como o paradeiro da mãe e da criança era desconhecido, o Poder Judiciário não conseguiu localizá-las para a realização do depoimento especial solicitado pelo Ministério Público, fazendo com que o processo ficasse paralisado na Justiça.

Em seu relato ao setor psicossocial da delegacia, a vítima contou que os abusos do padrasto continuaram ocorrendo de forma reiterada ao longo dos anos, inclusive no período em que viveram na Bahia. Há cerca de um mês, a família retornou para a Serra, onde as agressões persistiram até que ela pedisse socorro aos familiares.

Mãe indiciada por omissão

A Polícia Civil indiciou a mãe da menina por omissão. Segundo os policiais, embora ela tivesse o dever legal de proteger a filha, continuou convivendo e residindo com o agressor, expondo a vítima a novos abusos.

Em depoimento, a genitora afirmou que não sabia das violências recentes e que só tomou conhecimento dos fatos na sexta-feira pelos tios da criança. No entanto, a polícia apontou contradição na versão, uma vez que ela própria já havia denunciado o companheiro pelo mesmo crime em 2020.

Ainda segundo a corporação, a família vivia em extrema vulnerabilidade social, morando de aluguel em uma kitnete de apenas um cômodo na Serra. O espaço possuía apenas duas camas: uma onde dormia o casal e outra dividida entre a vítima de 11 anos e seus três irmãos menores, filhos do casal.

Não há indícios ou registros de abusos contra os outros filhos.

Atualmente, a menina de 11 anos está acolhida sob a guarda dos tios que efetuaram a denúncia, enquanto os outros três menores continuam com a mãe.

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