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Taxa das blusinhas: calculadora do g1 mostra quanto você pagaria com ou sem o imposto

O que é a 'taxa das blusinhas', que Lula cancelou após quase dois anos?

G1 — Brasil · 2026-09-03T21:11:07.000Z

O que é a 'taxa das blusinhas', que Lula cancelou após quase dois anos?

O Congresso Nacional aprovou nesta quinta-feira (3) a medida provisória (MP) que acabou com a chamada "taxa das blusinhas", aplicada sobre compras internacionais de até US$ 50. A isenção do imposto, que já está em vigor, se tornará permanente após a sanção do presidente Lula (PT).

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A MP que zerou a alíquota de importação de 20% sobre esse tipo de compra foi publicada pelo governo em maio e perderia a validade em 8 de setembro caso não fosse aprovada pelo Congresso. Sem o aval de deputados e senadores, o imposto voltaria a ser cobrado.

A isenção tem impacto direto nos preços, afirmam especialistas ouvidos pelo g1. Na prática, beneficia compras internacionais feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.

O especialista em comércio exterior Jackson Campos pondera, no entanto, que isso não significa o fim da tributação sobre as compras internacionais.

O ICMS continua em vigor, enquanto encomendas acima de US$ 50 seguem sujeitas ao imposto de importação de 60%, além da cobrança estadual.

Como funciona o cálculo da calculadora do g1?

Em todas as simulações, o valor final da compra considera o ICMS, imposto estadual cuja alíquota varia conforme o estado de destino. Atualmente, a taxa é de 17% na maior parte do país e de 20% em dez estados.

O cálculo exige um cuidado adicional porque o ICMS é cobrado “por dentro”. Isso significa que o próprio imposto integra a base sobre a qual ele é calculado, fazendo com que o valor final não resulte apenas da soma direta da alíquota ao preço do produto.

“O imposto ‘por dentro’ significa que o ICMS já faz parte do preço final da compra. Por isso, nesse caso, os US$ 50 são divididos por 0,83 — e não apenas acrescidos em 17%. É que o imposto também incide sobre ele mesmo. Assim, o total chega a US$ 60,24”, explica Campos.

🔽 Compras até US$ 50

Antes, compras internacionais de até US$ 50 eram tributadas em duas etapas: primeiro, incidia o imposto de importação de 20%; em seguida, era aplicado o ICMS, cuja alíquota varia de acordo com o estado.

No caso de uma compra de US$ 50, o imposto federal elevava o valor para US$ 60. Em estados com ICMS de 17%, como São Paulo, o preço final chegava a US$ 72,29, o equivalente a cerca de R$ 374 pela cotação do dólar de segunda-feira (31), a R$ 5,1816.

Em Minas Gerais, onde a alíquota é de 20%, o total alcançava US$ 75, ou aproximadamente R$ 388, considerando a mesma cotação.

Sem o imposto de importação, a cobrança se limita ao ICMS. No mesmo exemplo, o valor final cai para US$ 60,24 (cerca de R$ 312) em estados com alíquota de 17% e para US$ 62,50 (aproximadamente R$ 323) em Minas Gerais.

🔼 Compras acima de US$ 50

Para compras internacionais que ultrapassam US$ 50, continua incidindo o imposto de importação de 60%, além do ICMS cobrado pelos estados.

Nesse caso, o cálculo é feito em duas etapas: primeiro, o valor da mercadoria é multiplicado por 1,60 para incorporar o tributo federal; em seguida, aplica-se o ICMS sobre esse novo montante.

No caso de uma compra de US$ 100, por exemplo, o imposto de importação eleva o valor para US$ 160.

Em estados com ICMS de 17%, como São Paulo, o preço final chega a US$ 192,77, o equivalente a cerca de R$ 998.

Em Minas Gerais, onde a alíquota é de 20%, o total alcança US$ 200,00, ou aproximadamente R$ 1.036.

Relembre a criação da taxa e a arrecadação

Nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com imposto de importação sobre encomendas internacionais, segundo a Receita Federal. O valor representa alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde para o período.

Pacotes de roupas em uma fábrica da Shein em Guangzhou, província de Guangdong, China, em 1º de abril de 2025.

* Com informações da equipe do g1 e da TV Globo em Brasília.

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