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Viaturas da Polícia Federal durante operação que apura abuso de poder econômico e político nas eleições 2026 no Amazonas
G1 — Brasil · 2026-09-03T21:30:55.000Z
Viaturas da Polícia Federal durante operação que apura abuso de poder econômico e político nas eleições 2026 no Amazonas
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (Aadesam), em Manaus, nesta quinta-feira (3), por suspeita de abuso do poder econômico e politico das Eleições 2026.
A operação foi determinada pela Vice-Presidência e Corregedoria Regional Eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), a pedido do Ministério Público Eleitoral (MPE). Segundo a PF, o procedimento apura possíveis irregularidades relacionadas a transferência de servidores da capital para o interior do estado que, segundo denúncia, poderiam ter motivação eleitoral.
A investigação também envolve uma decisão anterior do TRE-AM que determinou à entidade que preservasse registros relacionados a admissões e desligamentos de funcionários, sem excluir, alterar ou retificar os dados.
Segundo a PF, a busca foi autorizada após o Ministério Público Eleitoral alertar a Justiça sobre o risco de que provas fossem apagadas ou alteradas.
Durante a ação, foram apreendidos equipamentos de informática, um celular e uma mídia de armazenamento. O material foi encaminhado ao setor técnico-científico da PF para espelhamento forense e análise pericial. Uma nova diligência ainda deverá ser realizada para a extração seletiva de dados relacionados a registros trabalhistas eletrônicos.
A Polícia Federal informou que apenas prestou apoio técnico e operacional ao cumprimento da ordem judicial. A ação contou com a participação de um perito criminal federal especializado em informática forense e acompanhamento de um oficial de Justiça do TRE-AM.
Transferência de servidores
A investigação ocorre no contexto de uma decisão da Justiça Eleitoral que suspendeu a transferência de 19 servidores da Aadesam. Eles seriam retirados de Manaus e enviados para municípios do interior do Amazonas.
As transferências haviam sido determinadas pela Secretaria de Estado da Assistência Social (Seas), por meio de ofício de 19 de agosto. Entre as justificativas apresentadas estavam a necessidade de melhorar o desempenho das atividades, adequar planos de trabalho e reduzir gastos com diárias e passagens.
A medida, no entanto, foi questionada na Justiça Eleitoral por uma coligação, que alegou possível motivação eleitoral nas transferências, considerando que elas ocorreram durante o período eleitoral e teriam prazo curto para cumprimento.
Na decisão, a desembargadora Nélia Caminha Jorge, do TRE-AM, apontou a possibilidade de ocorrência de conduta vedada prevista no artigo 73, inciso V, da Lei das Eleições. A norma proíbe, nos três meses que antecedem a eleição, a remoção ou transferência de servidores públicos ex officio, salvo exceções previstas na legislação.
A relatora também considerou que havia risco de prejuízo caso as transferências fossem efetivadas antes da análise completa do processo e, por isso, concedeu a liminar para suspendê-las.
O que diz a Aadesam
Em nota, a Aadesam afirmou que todas as informações e documentos anteriormente solicitados pela Justiça foram fornecidos espontaneamente pela entidade na quarta-feira (2), um dia antes do cumprimento do mandado.
A agência declarou ainda que trabalha dentro da legalidade e da transparência e que está colaborando integralmente com as solicitações da Justiça para o esclarecimento dos fatos.
A investigação tramita sob segredo de Justiça. Por isso, a Polícia Federal informou que não divulgará nomes, o conteúdo dos materiais apreendidos ou outros detalhes da apuração.