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Élede Guidi, amiga de Elizabete Arrabaça, morreu em 2016 em Pontal (SP).
G1 — Brasil · 2026-09-03T22:25:24.000Z
Élede Guidi, amiga de Elizabete Arrabaça, morreu em 2016 em Pontal (SP).
O Ministério Público emitiu um parecer nesta quinta-feira (3) pedindo o arquivamento de uma investigação contra Elizabete Arrabaça pela morte da amiga, Élede Guidi, aos 80 anos, em Pontal (SP).
Acusada de envenenar e matar a nora e a filha, Elizabete, de 68 anos, também se tornou alvo de um inquérito por suspeita de ter praticado o mesmo tipo de crime contra Élede em 2016, quando a morte foi registrada por causas naturais.
No parecer, o promotor Patrick Carvalho Silva argumentou que, apesar de indícios de um comportamento estranho de Elizabete, não existem meios de apontar que a morte foi causada por um envenenamento.
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Dez anos depois da morte, a coleta de provas para análises toxicológicas está prejudicada, segundo o representante do MP.
"A ocorrência da morte é incontroversa. O que não restou demonstrado, porém, é a sua natureza criminosa, isto é, que o resultado tenha sido causado pela administração de substância tóxica ou por qualquer outra ação humana dolosa", disse.
Presa preventivamente na Penitenciária de Tremembé (SP) desde agosto de 2025, Elizabete Arrabaça é acusada de ter matado a nora, a professora de pilates Larissa Rodrigues, em Ribeirão Preto (SP), em março de 2025, e a filha, a médica veterinária Nathalia Garnica, de 42 anos, em Pontal, em fevereiro do mesmo ano.
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Nos dois casos, as vítimas tinham a substância conhecida como "chumbinho" no organismo. Além disso, Elizabete é acusada de ter tentado matar a amiga Neuza Ghiotto em 2017, além de ter se tornado suspeita pela morte de Élede em 2016.
Ao longo das investigações, Elizabete negou envolvimento nas mortes. Em audiência de instrução realizada esta semana, no processo que a acusa pelo envenenamento de Nathalia Garnica, a ré jurou por Deus que é inocente e disse que a filha mais nova dela mentiu ao fazer acusações contra ela na Justiça.
Suspeita de envenenar a amiga
Élede Guidi foi encontrada morta em 22 de dezembro de 2016. Ela era solteira, não tinha filhos e morava sozinha no Centro de Pontal.
Na época, o caso foi registrado como morte natural e associado a um quadro de insuficiência respiratória aguda grave, edema pulmonar bilateral e pneumonite.
Em 2025, no entanto, diante de denúncias contra Elizabete Arrabaça, por envenenamento da filha e da nora, a morte de Élede também se tornou alvo de um inquérito policial.
Elizabete Arrabaça, Ribeirão Preto, SP
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No relatório final, a Polícia Civil levantou suspeitas, como o comportamento de Elizabete. No dia da morte, segundo uma testemunha, ela foi à cozinha da casa da amiga, abriu o forno e algumas gavetas e tentou fazer com que uma testemunha deixasse o cômodo.
Além disso, não foi ao local onde o corpo de Élede estava e foi embora poucos minutos depois, segundo os relatos.
A Polícia Civil também chegou a levantar suspeitas de que Elizabete teria agido para se livrar de uma dívida que tinha com Élede.
As autoridades concluíram o inquérito sem indiciar Elizabete ao apontar que não foi possível demonstrar, com provas técnicas, que a morte de Élede foi causada por um envenenamento.
Nathália Garnica, Elizabete Arrabaça, Larissa Rodrigues, Ribeirão Preto, SP
Falta de provas
Ao receber o relatório final, o promotor de Justiça seguiu com o entendimento de que as investigações sobre a morte de Élede Guide devem ser arquivadas.
"Embora tenham sido colhidos elementos que justificaram a instauração e o aprofundamento das investigações, o conjunto informativo reunido não permite concluir, com o grau mínimo de segurança exigido para a instauração da ação penal, que a morte de Élede Guidi tenha resultado de conduta homicida praticada mediante envenenamento", disse.
Em seu parecer, Patrick Carvalho Silva considerou relevantes as informações suspeitas levantadas contra Elizabete, mas insuficientes para motivar uma ação penal.
"Embora esteja demonstrado que Elizabete possuía dívida perante Élede, a irmã da vítima esclareceu, em sua derradeira oitiva, que a obrigação, no valor aproximado de R$ 3.000,00, remontava a mais de vinte anos, não possuía comprovação documental e se inseria em relação de amizade e parentes coexistente desde a infância"
O promotor apontou, nesse contexto, a falta de um exame toxicológico na época da morte para complementar o laudo necroscópico.
"Os achados anatomopatológicos posteriormente analisados tampouco permitem, por si sós, estabelecer envenenamento, pois, conforme esclarecido pelo médico responsável, podem estar associados a diversas condições clínicas de origem infecciosa, inflamatória ou reacional."
Além disso, as amostras obtidas posteriormente foram consideradas inadequadas pela perícia para a avaliação necessária. Ele também mencionou que, hoje, não existe outros procedimentos viáveis capazes de solucionar esse problema.
"O médico responsável pela necropsia consignou a baixa probabilidade de obtenção de elementos relevantes por meio de eventual exumação ou análise tardia dos blocos histológicos. Desse modo, não há elemento técnico que permita afirmar que a vítima tenha ingerido veneno ou qualquer outra substância tóxica."
Corpos de Nathalia Garnica e Larissa Rodrigues estão sepultados no mesmo túmulo, em Pontal (SP).
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