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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (3) que o país "não pode ficar refém de vazamentos seletivos" e que defende a adoção de um código de ética para o Judiciário.
G1 — Política · 2026-09-03T23:25:59.000Z
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (3) que o país "não pode ficar refém de vazamentos seletivos" e que defende a adoção de um código de ética para o Judiciário.
"O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos", disse Lula.
A declaração foi feita em meio à crise provocada pelas revelações dos últimos dias sobre a relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sobre o encontro que o dono do Master teve com André Mendonça em março de 2025.
Lula disse ainda que é "fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer.
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Essa é a primeira vez que o presidente comenta a crise no Supremo.
"Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações. Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira".
O vídeo foi divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. Lula fez a gravação no início da noite desta quarta-feira (3), no Palácio do Planalto.
O presidente não citou diretamente as recentes revelações envolvendo o caso Master e integrantes do Judiciário. O petista seguiu a mesma linha do vídeo publicado recentemente pelo presidente do PT, Edinho Silva, que afirmou que "ninguém está acima da lei" e que defendeu a adoção de um código de ética para o Judiciário e para o Ministério Público.
Nesta terça-feira (1º), o ministro do Supremo Gilmar Mendes esteve com o presidente Lula para uma conversa sobre a "crise Master" no STF, que vem atingindo também a Polícia Federal.
Segundo apurou o blog do Valdo Cruz, o ministro do STF disse a Lula considerar que o governo demorou a agir para evitar que a crise entre o gabinete do ministro André Mendonça e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se agravasse. O que acabou acontecendo.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em vídeo sobre crise do STF
Lula também conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, na terça-feira. O petista conversou com os magistrados para sentir a temperatura da crise dentro do Supremo.
O ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF sobre troca de mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes depois de ser criticado por solicitar à Procuradoria-Geral da República parecer sobre o documento elaborado pelos investigadores. Nele, a PF diz que o destinatário das mensagens do banqueiro era, sim, Moraes.
De acordo com a PF, os diálogos indicam proximidade entre Vorcaro e Moraes, incluindo consultas sobre operações policiais, agendas de encontros e a edição digital de minutas contratuais do escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, com a instituição financeira.
Agora, André Mendonça deve levar o relatório ao plenário físico do STF, solicitando que os colegas decidam se é para abrir uma investigação sobre a troca das mensagens.
A PGR respondeu ao relator do caso Master considerar o procedimento nulo, alegando que apenas a PF e o Ministério Público podem solicitar uma investigação de um ministro do STF, que precisa ser aprovada pelo plenário do Supremo.
No STF, o caso motivou discussões internas sobre as regras éticas do tribunal e a competência de magistrados para conduzir atos de investigação.