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Testosterona, a arma ideológica de Hegseth no Pentágono

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, faz questão de transmitir a imagem de virilidade aos subordinados, exibindo-se em vídeos de flexões e exercícios de barra, que já foram criticados por serem executados de forma errada.

G1 — Brasil · 2026-07-24T12:20:54.000Z

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, faz questão de transmitir a imagem de virilidade aos subordinados, exibindo-se em vídeos de flexões e exercícios de barra, que já foram criticados por serem executados de forma errada.

O novo projeto do chefe do Pentágono envolve testosterona: ele quer testar os níveis do hormônio dos militares a partir dos 30 anos e garantir, por meio da reposição, o desempenho ideal e a saúde a longo prazo dos combatentes americanos.

Apresentado num vídeo com o sugestivo nome de “O Departamento de Guerra com Alto Nível de Testosterona”, o argumento de Hegseth é bastante controverso entre a classe médica. Especialistas alertam para os riscos de um diagnóstico equivocado, baseado apenas em testes de sangue, e efeitos colaterais de um tratamento realizado sem necessidade, como problemas cardíacos e infertilida

Nas palavras do secretário, os militares diagnosticados com deficiência do hormônio poderiam receber a terapia de reposição de testosterona (TRT), para assegurar que “operem em seu máximo desempenho”.

“Não se trata de aprimoramento artificial, mas sim de restaurar e otimizar suas capacidades naturais, proteger a sua longevidade e garantir que você tenha a base biológica necessária para sustentar a luta”, explicou ele no vídeo, dirigindo-se aos soldados. Não ficou claro se as mulheres também serão submetidas aos testes.

A Sociedade Americana de Endocrinologia afirma que a terapia de reposição de testosterona requer sintomas claros e níveis consistentemente baixos do hormônio no sangue e desaconselha o tratamento baseado em uma simples triagem em homens assintomáticos. Médicos aconselham cautela com a TRT.

“Não existe almoço grátis. Há efeitos colaterais”, opinou o urologista Jeff Morrison, da Universidade de Colorado, à revista “Time”. “Se você tem interesse em melhorar a fertilidade, a TRT provavelmente não é uma boa opção.”

Vinda de Hegseth, a proposta suscita desconfiança por associar automaticamente o hormônio à masculinidade e à saúde. Ele impôs padrões rigorosos de condicionamento físico e aparência nas Forças Armadas, desprezando militares com sobrepeso.

Num discurso a oficiais em uma base militar da Virgínia, em setembro passado, o secretário declarou guerra aos “barrigudos e barbudos”. “A era da aparência inaceitável acabou”, decretou.

A diretiva sobre a medição de testosterona e aplicação da terapia de reposição alimenta a contradição de ter sido condenada pelo governo como tratamento para jovens transgênero. A proibição de pessoas trans nas forças armadas é uma das principais batalhas de Hegseth à frente do Pentágono.

A polêmica levou a juíza federal Ana Hayes a questionar, em um processo em andamento em Washington, quais seriam as diferenças entre a TRT oferecida a militares e o tratamento hormonal destinado a homens trans nas forças armadas.

No entender da congressista democrata Becca Balint, a exigência do secretário de Defesa de testar níveis de testosterona na população militar indica homoerotismo. “Acho que isso demonstra que há muitas pessoas neste governo que têm sentimentos homoeróticos estranhos e intensos em relação a homens, ao mesmo tempo que são incrivelmente homofóbicas.”

A iniciativa de Hegseth tem o aval do secretário de saúde, Robert Kennedy Jr., que admitiu fazer a terapia de reposição hormonal e compartilha com o colega, ainda que de calça jeans, a série intensa de exercícios físicos em público. A proposta reforça a percepção de que o governo Trump transformou a testosterona em uma bandeira ideológica, incorporando-a ao debate sobre políticas, sem o consenso na comunidade científica.

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