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O mercado de patrocínios ao futebol da Europa movimenta atualmente mais de 13,4 bilhões de euros — R$ 79,6 bilhões. Clubes como Barcelona, Real Madrid e Manchester City recebem mais de 100 milhões de euros por ano de seus fornecedores de…
ge — Futebol · 2026-09-04T12:00:00.000Z
O mercado de patrocínios ao futebol da Europa movimenta atualmente mais de 13,4 bilhões de euros — R$ 79,6 bilhões. Clubes como Barcelona, Real Madrid e Manchester City recebem mais de 100 milhões de euros por ano de seus fornecedores de material esportivo. O ge apresenta abaixo um raio-x desse setor para a atual temporada 2026/27.
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Especialistas ouvidos pelo ge destacam que o futebol oferece aos patrocinadores não só visibilidade, mas lealdade e conexão emocional com os torcedores. Essa combinação potencializa a afinidade com as marcas.
O valor comercial de um clube é determinado pela escala e pelo perfil do público que ele pode oferecer ao patrocinador. Nessa conta, entram o tamanho da torcida, o alcance geográfico do time, o engajamento dos torcedores, a exposição em transmissões e meios digitais, o desempenho esportivo, a sua história e a de seus jogadores... Os maiores clubes da Europa combinam esses fatores de forma consistente.
Eles ainda conseguem agregar, regularmente, audiências massivas. Das Américas à Ásia, passando pela África. Reúnem ícones globais, como Mbappé, Haaland e Vinicius Junior, seguidos por milhões de pessoas.
A marca mais valiosa do futebol atualmente é a do Real Madrid, estimada em 2,4 bilhões de euros, ou R$ 14,3 bilhões, segundo relatório publicado em agosto pela Brand Finance. O clube espanhol registrou na temporada passada (2025/26) uma receita bruta de 1,2 bilhão de euros (R$ 7,1 bilhões), mais do que qualquer outro no planeta. De acordo com o Real, cerca de 539 milhões de euros (R$ 3,2 bilhões hoje) do faturamento vieram de receitas de marketing.
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Barcelona x Real Madrid: quem tem o melhor elenco
Gigantes dominam mais de 50% do fornecimento de material esportivo
As empresas Adidas, Nike e Puma vestem 51 dos 96 clubes das cinco principais ligas da Europa, o equivalente a 53% do total. Também foram elas que fecharam os 10 contratos mais caros atualmente, todos superiores a 50 milhões de euros por ano (R$ 300 milhões).
O acordo atual entre Barcelona e Nike, estabelecido em 2024, prevê que o clube receba cerca de 127 milhões de euros por temporada, sem contar bônus por resultados esportivos, até 2038, com reavaliação entre 10% e 15% durante a vigência do contrato. É o mais alto da Europa.
Barcelona, de Raphinha, é o clube com o maior contrato de patrocínio de material esportivo do mundo
Os contratos mais valiosos (por ano):
Barcelona e Nike - 127 milhões de euros
Real Madrid e Adidas - 120 milhões de euros
Manchester City e Puma - 115 milhões de euros
Manchester United e Adidas - 104 milhões de euros
Arsenal e Adidas - 86,4 milhões de euros
PSG e Nike - 80 milhões de euros
Liverpool e Adidas - 74,9 milhões de euros
Chelsea e Nike - 69,1 milhões de euros
Bayern de Munique e Adidas - 60 milhões de euros
Juventus e Adidas - 51 milhões de euros
* Fonte: Football Benchmark (2026)
Nos casos de Arsenal, Chelsea, Juventus e Manchester City, essas parcerias representaram quase 30% das receitas comerciais na temporada 2024/25, de acordo com informações da consultoria Football Benchmark. A maioria dos vínculos do tipo tem duração de cinco anos, mas metade dos 10 contratos mais caros de fornecimento de material esportivo vai até 2035.
— Para a maioria dos clubes, os fornecedores de material esportivo ainda representam a categoria de parceria de maior valor — sendo comparáveis apenas aos patrocinadores principais da camisa —, embora o grau de dependência varie significativamente de um clube para outro. Um aspecto fundamental desse valor é que os contratos com fornecedores de material esportivo são, geralmente, parcerias de longo prazo — comentou Sebestyén Balázs, gerente da Football Benchmark.
Os 10 contratos mais caros de fornecimento de material esportivo no futebol de clubes da Europa
Patrocínio Máster: aéreas se destacam
O mercado de patrocinadores máster nas camisas dos times costuma ter mais mudanças do que o de fornecimento do material esportivo. Neste início de temporada 2026/27, todos os 96 clubes das principais ligas da Europa contam com pelo menos um patrocinador máster. Nem sempre a marca é estampada no centro do uniforme, há diferentes modelos.
Quase 20 setores econômicos figuram nas camisas desses 96 clubes. Serviços financeiros, casas de apostas, companhias aéreas, agências de turismo, tecnologia, bebidas... E quase metade desse tipo específico de patrocínio envolve companhias estrangeiras, isto é, de um país diferente do clube. Na Premier League, por exemplo, todos são do exterior.
Caso da companhia aérea Etihad Airways, dos Emirados Árabes Unidos, cujo patrocínio na camisa do Manchester City é estimado em quase 79 milhões de euros. Dos 10 acordos mais caros, metade envolve empresas desse ramo (confira a lista mais abaixo).
Manchester City é patrocinado pela companhia aérea Etihad, dos Emirados Árabes Unidos
Os maiores patrocínios máster em camisas:
Real Madrid - Emirates Airlines - 100 milhões de euros
Arsenal - Emirates Airlines - 72,9 milhões de euros
Manchester City - Etihad Airways - 69,1 milhões de euros
Barcelona - Spotify - 65 milhões de euros
PSG - Qatar Airways - 65 milhões de euros
Manchester United - Snapdragon - 64,1 milhões de euros
Liverpool - Standard Chartered Bank - 57,6 milhões de euros
Bayern de Munique - Deutsche Telekom - 50 milhões de euros
Tottenham - AIA - 46,1 milhões de euros
Atlético de Madrid - Riyadh Air - 40 milhões de euros
* Fonte: Football Benchmark (2026)
O Chelsea vem de quatro anos sem um longo acordo de patrocínio máster no centro da camisa, mas anunciou recentemente o vínculo com a Circle Internet Group, válido por uma temporada. O clube deve receber cerca de 50 milhões de libras por isso, ou R$ 350,2 milhões.
Dos 10 maiores acordos para patrocínio de camisas de clubes da Europa, oito estão acima dos 50 milhões de euros por ano.
— Um grande patrocínio pode oferecer um atalho para a notoriedade. Milhões de consumidores pagam, na prática, para exibir a marca do patrocinador ao comprar a camisa de seu time. Grandes patrocínios também podem transmitir qualidades valiosas. Existe um endosso implícito. A conexão emocional é poderosa. O patrocínio permite que uma marca se insira na relação entre torcedores e clube. Camisas icônicas associadas a conquistas históricas podem gravar a marca na memória dos torcedores por décadas — comentou Stuart Wareman, Presidente da Associação de Patrocínios da Europa (ESA).
Os 10 contratos mais caro de patrocínio master nas camisas de clubes de futebol da Europa
De onde virá o próximo bilhão?
As receitas comerciais são o tipo de fonte de dinheiro que mais cresce no futebol europeu, e o mercado de patrocínios ao esporte no continente só aumentou nos últimos cinco anos. Por outro lado, o espaço central em uma camisa é limitado, a exclusividade aumenta o valor do ativo, ainda mais quando o clube já tem uma marca poderosa.
A cada dois ou três anos, o futebol vê novas empresas brigando por um espaço nessa janela de visibilidade. A nova fase para os patrocínios dependerá de como os clubes vão demonstrar ao parceiro o que o seu público pode oferecer de novo. Pesquisa do ano passado da Nielsen, empresa medidora de audiência, mostrou que um terço dos torcedores de futebol considera atraente o patrocínio de marcas.
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Economista e sócio da Convocados Gestão e Futebol, Cesar Grafietti considera que esse mercado ainda tem espaço para crescer, já que clubes ainda não exploram comercialmente bem todos os seus ativos, como por exemplo a exposição nas redes sociais.
— Novos setores e aqueles em expansão são candidatos naturais. A fase atual indica que empresas do setor financeiro digital e de IA estão ocupando mais espaços, mas segmentos de consumo e serviços são aqueles mais comuns. Quando falamos dos clubes é possível dizer que os globais já exploram muito bem seus valores, e acabam se beneficiando da escassez de clubes de mesma exposição para seguirem crescendo receitas. Trabalhamos com a ideia de que clubes europeus são bem geridos, mas abaixo dos 50, 60 maiores há muito amadorismo e práticas arcaicas. Aqui há dinheiro na mesa — analisou Grafietti.
Uma mudança já em andamento nesta temporada é a proibição na Premier League da exposição de marcas de casas de apostas no centro dos uniformes. Nas duas temporadas anteriores, 11 dos 20 clubes tinham patrocínios desse tipo. Isso abriu a porta para empresas de criptomoedas, inteligência artificial, entre outros ramos. As bets ainda podem ser exibidas na manga, uniformes de treino e placas publicitárias nos estádios.
Todos os 20 clubes que mais ganham dinheiro no mundo são europeus. Juntos, eles faturaram mais de 12,4 bilhões de euros na temporada 2024/25, segundo o relatório Football Money League 2026. E a principal fonte disso, pelo terceiro ano consecutivo, foram as receitas comerciais: 5,3 bilhões de euros (R$ 31,5 bilhões atualmente).