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Enfermeira que matou os 3 filhos: juiz diz que anulará julgamento após impasse no júri

Lindsay Clancy e seu advogado Kevin Reddington ouvem o juiz William Sullivan após júri anunciar não ter chegado a veredicto

G1 — Mundo · 2026-09-04T15:27:23.000Z

Lindsay Clancy e seu advogado Kevin Reddington ouvem o juiz William Sullivan após júri anunciar não ter chegado a veredicto

Greg Derr/AP Photo

Após dias de impasse no júri, o juiz à frente do caso de Lindsay Clancy, a enfermeira que matou os três filhos nos Estados Unidos, declarou nesta sexta-feira (4) que vai anular o julgamento.

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A anulação foi determinada diante do impasse no júri — durante sete dias consecutivos, os jurados se reuniram para determinar se Clancy deveria ser condenada por homicídio. No entanto, em nenhum dos dias o júri conseguiu chegar a um consenso — era necessário que houvesse unanimidade entre os jurados para a condenação.

Desde o início do julgamento, o juiz responsável pelo caso, William Sullivan, de um tribunal de Massachussets, vinha insistindo para que o júri voltasse a se reunir. Nesta sexta, no entanto, diante de um novo impasse entre os jurados, Sullivan disse que não havia outra opção que não o anulamento do julgamento.

👉 No entanto, ele deu um prazo de uma hora para que a defesa da enfermeira apresentasse um recurso de emergência que reativaria o julgamento. Os advogados de Clancy ainda não haviam se manifestado até a última atualização desta reportagem.

Clancy, ex-enfermeira de obstetrícia, não nega ter estrangulado seus três filhos na casa da família, em Massachusetts, em 2023. Contudo, sua defesa argumenta que ela agiu sob efeito de psicose pós-parto, enquanto a acusação sustenta que ela tinha consciência de seus atos.

O juiz Sullivan havia orientado os jurados a não abrirem mão de suas convicções apenas para chegar a um veredito, mas pediu que considerassem seriamente os pontos de vista divergentes e reavaliassem suas posições, caso fosse apropriado.

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O que acontece agora?

Se a defesa não recorrer e o julgamento for de fato anulado, o caso retornará, essencialmente, ao mesmo estágio anterior: a ex-enfermeira de obstetrícia, de 36 anos, continuaria acusada de homicídio e mantida em um hospital psiquiátrico, aguardando a resolução do processo criminal.

Clancy poderia submetida a um novo julgamento, mas há outras opções:

Os promotores teriam de decidir se tentariam novamente com um novo júri. Caso optassem por isso, o processo de seleção do júri recomeçaria, e um novo julgamento seria agendado.

A promotoria também poderia oferecer um acordo judicial a Clancy, afirmou Brad Bailey, advogado de defesa de Boston e ex-promotor que não está envolvido no caso.

"Sempre que surge novamente a ameaça de um novo julgamento — com a acusação de homicídio em primeiro grau pairando sobre a cliente —, os advogados de defesa, no mínimo, avaliam se há interesse em uma resolução", disse Bailey.

Ao lado de seu advogado, Lindsay Clancy, acusada de homicídio por matar os três filhos, olha ao júri durante julgamento de seu caso, em 1º de setembro de 2026.

Greg Derr/ Pool via Reuters

O julgamento se concentrava no estado mental de Lindsay Clancy no momento do crime, cometido há três anos. A defesa tentou convencer os jurados de que ela sofria de psicose pós-parto, um transtorno psiquiátrico raro associado ao estresse, à privação de sono e às alterações hormonais após o parto.

Já a Promotoria afirma que Clancy, ex-enfermeira obstétrica, matou intencionalmente os filhos Dawson, de 3 anos, Cora, de 5, e Callan, de 8 meses, em janeiro de 2023, e deve ser responsabilizada criminalmente pelas mortes.

O julgamento também tem impulsionado nos EUA a discussão sobre psicose e outros transtornos pós-parto, e grupos de mulheres se manifestaram do lado de fora da corte na semana passada a favor de Clancy e defendendo mais atenção à saúde mental das mulheres.

Caso haja um novo julgamento com júri, os jurados têm cinco opções para o desfecho do caso. Veja, a seguir, o que cada uma das alternativas significa para a ré:

A própria defesa de Clancy não nega que Clancy tenha asfixiado seus três filhos com faixas elásticas para exercício. Por isso, é improvável que ela seja considerada inocente pura e simples, sem menção à alegação de insanidade mental (leia mais abaixo).

No entanto, a lei de Massachusetts, onde o caso está sendo julgado, não coloca o ônus da prova do lado da ré: é a Promotoria que precisa provar, para além de qualquer dúvida razoável, que ela era responsável por seus atos no momento em que os assassinatos ocorreram.

Inocente por motivo de insanidade mental

Os jurados podem considerar Clancy inocente caso cheguem à conclusão de que, mesmo tendo matado seus filhos, ela sofria de psicose pós-parto que a tornava incapaz de ser responsabilizada por seus atos. Essa é a tese da defesa.

Caso ela seja considerada inocente por falta de responsabilidade criminal, como em caso de insanidade mental, a lei estadual permite que a corte determine sua internação compulsória para tratamento.

Homicídio doloso em primeiro grau

No direito americano, a condenação por assassinato em primeiro grau significa dizer que o ato foi intencional e premeditado — ou, ainda, cometido com extrema crueldade.

Essa é o pior desfecho para Clancy, já que a lei de Massachusetts determina, nesses casos, que a condenação seja invariavelmente a prisão perpétua sem possibilidade de condicional.

Homicídio doloso em segundo grau

No código penal estadual, essa classificação se aplica a um homicídio cometido com intenção ou extrema imprudência, mas sem planejamento prévio. Neste caso, a ré será condenada à prisão perpétua, porém com possibilidade de condicional.

O júri pode considerar ainda que ela cometeu o crime, mas que os assassinatos foram resultados de uma "conduta temerária ou imprudente".

A principal diferença para o homicídio doloso é a intenção. É um desfecho possível para Clancy caso os jurados sejam convencidos de que os assassinados ocorreram sem planejamento, mas que a decisão de cometer o ato tenha sido impulsiva.

Nesse caso, a Promotoria não precisa provar que ela tinha a intenção de causar a morte dos filhos.

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