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Atleta sofre lesão na coluna cervical durante competição de jiu-jitsu no Paraná
G1 — Brasil · 2026-09-04T17:17:26.000Z
Atleta sofre lesão na coluna cervical durante competição de jiu-jitsu no Paraná
A Polícia Civil (PC-PR) iniciou a coleta de depoimentos para investigar as circunstâncias da lesão sofrida pelo lutador Willian "Kabuto" Hiroyuki Masuda durante uma competição de jiu-jitsu em Londrina, no Norte do Paraná.
Três testemunhas foram ouvidas até o momento. De acordo com o delegado Roberto Fernandes, todas foram unânimes em dizer que o faixa-preta foi vítima de um golpe ilegal. Contudo, novos depoimentos serão colhidos e outras apurações serão feitas para comprovar a ilegalidade.
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"Os três [que prestaram depoimento] são professores de jiu-jitsu e os três estavam com os seus atletas competindo. Um desses três é um dos coordenadores do evento. [...] Segundo os depoimentos, os três são unânimes, alegaram que esse golpe é proibido já há bastante tempo no jiu-jitsu", disse o delegado.
O g1 tenta contato com a Confederação Brasileira de Jiu Jitsu (CBJJ) desde o dia 25 de agosto para apurar se há um posicionamento sobre o caso, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
Willian está internado no Hospital Evangélico desde o dia 22 de agosto, quando fraturou as vértebras C5 e C6. Ele estava em uma luta contra Juliano Di Pelli Machado no momento do golpe. Assista acima.
Conforme as últimas atualizações da família, ele enfrenta um período de dor intensa e permanece sem sensibilidade nos membros inferiores, com pouca sensibilidade nos braços. Ainda não há um diagnóstico fechado, e a equipe médica informou que trata-se de um processo de recuperação longo.
A polícia também solicitou documentos à organização do evento, como fichas cadastrais e alvarás, para continuar a investigação. O último a ser ouvido será Juliano. O g1 entrou em contato com a defesa do atleta, que disse que não irá se manifestar no momento. Em outras ocasiões, foi retornado à reportagem que o advogado acompanha o caso.
Ainda nesta reportagem, confira:
Como o caso chegou à polícia
O que diz o outro atleta envolvido
O que diz a organização
Willian "Kabuto" Hiroyuki Masuda é faixa-preta em jiu-jitsu.
Redes sociais/Cedida pela organização do evento
Como o caso chegou à polícia
No dia 24 de agosto, o promotor Renato de Lima Castro apresentou uma notícia-crime para que o caso seja investigado como lesão corporal de natureza gravíssima. Ele estava acompanhando a transmissão da competição no momento do golpe.
O g1 teve acesso ao documento, que destaca a diferença de estatura e peso entre os dois atletas (aproximadamente 40 quilos de diferença) que estavam lutando quando tudo aconteceu.
"Ocorre que, em ato de elevada periculosidade, flagrante a qualquer atleta ou espectador comum, o noticiado JULIANO projetou-se completamente, deixando cair todo o seu peso corporal sobre o corpo da vítima Willian ‘Kabuto’, de uma só vez, lesionando severamente a vítima em posição grave de submissão", consta na notícia-crime.
A Polícia Civil recebeu a notícia-crime e passou a investigar o caso.
O que diz o outro atleta envolvido
O advogado Felipe de Melo, que representa Juliano Di Pelli Machado, disse no dia 28 de agosto que um vídeo do atleta tem circulado em redes sociais em que ele fala sobre a situação. Entretanto, segundo a defesa, a gravação foi feita em um canal privado e enquanto ele ainda não sabia sobre a gravidade do caso.
Em nota enviada no dia 24 de agosto, a defesa disse que acompanha a investigação e que o lutador está à disposição para prestar esclarecimentos. Leia na íntegra:
"O atleta Juliano Di Pelli Machado, por meio de sua defesa, manifesta-se sobre o ocorrido durante o Campeonato Super Pro Jiu-Jitsu, realizado em Londrina/PR.
Em primeiro lugar, e acima de qualquer outra consideração: Juliano está profundamente abalado com o estado de saúde de Willian Hiroyuki Masuda, atleta a quem respeita e reconhece como adversário de alto nível. Seus pensamentos, e os de sua família, estão inteiramente voltados à recuperação de Willian. À família e à equipe do atleta, Juliano estende sua solidariedade e coloca-se integralmente à disposição para o que estiver ao seu alcance.
Juliano tomou conhecimento, ainda hoje (24), da existência de uma comunicação dirigida à autoridade policial a respeito do episódio. Reafirma seu total respeito às instituições e sua absoluta disposição em colaborar com toda e qualquer apuração, prestando os esclarecimentos que lhe forem solicitados pelas autoridades competentes.
Precisamente por respeito à investigação — e porque a apuração de um fato ocorrido em competição depende de exame técnico do registro audiovisual, do regulamento da modalidade e da manifestação da arbitragem —, a defesa entende que o lugar adequado para os esclarecimentos é o procedimento oficial, e não o debate público. Não se trata de esquiva: trata-se de garantir que os fatos sejam apurados com a serenidade e o rigor técnico que a gravidade da situação exige, e não pela repercussão de imagens editadas em redes sociais.
Juliano é atleta profissional, medalhista em Campeonato Europeu e em Campeonato Mundial, com trajetória construída ao longo de anos de competição em alto nível e sem qualquer histórico de conduta antidesportiva ou punição disciplinar. O jiu-jitsu é sua vida e sua profissão. Os valores da modalidade — respeito ao adversário, disciplina e lealdade — orientam sua conduta dentro e fora do tatame."
O que diz a organização do evento
O g1 entrou em contato com a Confederação Brasileira de Jiu Jitsu (CBJJ) e questionou se há um posicionamento sobre o caso, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
Em nota oficial publicada em rede social, o Super Pro Jiu-Jitsu disse acompanhar a situação. Confira:
"Durante o Super Pro Jiu-Jitsu de hoje, um atleta sofreu uma lesão em luta e foi prontamente atendido pela equipe médica e pela ambulância do serviço Mais Saúde, responsável pelo suporte no local. O competidor recebeu os encaminhamentos indicados após a avaliação técnica. A organização acompanha a situação junto à família, prestando o suporte cabível, e reitera seu compromisso com a segurança e o cumprimento de todos os protocolos. Desejamos ao atleta uma pronta recuperação e nos solidarizamos com ele e seus familiares."
O g1 também fez contato com a Federação de Jiu Jistu do Paraná, que explicou que não tinha conhecimento sobre a realização do campeonato.
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