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PF investiga suspeita de lavagem de dinheiro em esquema que teria favorecido Refit e envolve lancha de R$ 4 milhões
G1 — Brasil · 2026-09-04T22:24:43.000Z
PF investiga suspeita de lavagem de dinheiro em esquema que teria favorecido Refit e envolve lancha de R$ 4 milhões
O relatório da Polícia Federal (PF) que apontou possível favorecimento de ex-agentes do governo do estado à Refit, a Refinaria de Manguinhos, também revelou suspeitas de lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, uma lancha avaliada em cerca de R$ 4 milhões, registrada em nome de uma terceira pessoa, era usada por pelo menos dois ex-gestores do primeiro escalão do governo do estado: Bernardo Rossi, ex-secretário do Ambiente, e Renato Bussiere, ex-presidente do Inea, o Instituto Estadual do Ambiente.
Segundo sites especializados, a embarcação tem três suítes, cozinha, e amplo espaço pra entretenimento.
A suspeita dos investigadores é que a embarcação fosse usada para lavar dinheiro. Um relatório de inteligência da PF obtido pelo RJ2 mostra uma conversa entre Rossi e Bussiere sobre gastos da lancha.
PF investiga se lancha era usada para lavar dinheiro
Rossi afirma que os valores deveriam ser apresentados para "a turma", para verificar quanto caberia para "cada um".
A PF suspeita que a embarcação era utilizada ou financiada coletivamente por Rossi e Bussiere e possivelmente outras pessoas do círculo de relacionamento deles.
Os dois são investigados pelo que a polícia chama de atropelo de normas legais e regulamentares para atendimento dos interesses da Refit, a maior devedora de impostos do país.
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PF investiga se lancha era usada para lavar dinheiro
Atuação em favor da CSN
Eles também são investigados por suspeitas de favorecimento à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda. Segundo a PF, os dois teriam atuado para defender os interesses da empresa e seu passivo ambiental.
A investigação cita, inclusive, a atuação dos ex-gestores em 2024, durante a chamada "crise do pó preto", quando micropartículas de ferro poluíam toda a cidade.
Na época, a companhia negociava com o governo mais um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), já que não possui licenciamento ambiental definitivo.
De acordo com os Ministérios Públicos Estadual e Federal, o Inea "vinha adotando postura excessivamente tolerante ao conceder sucessivas prorrogações de prazo para o cumprimento das obrigações ambientais assumidas pela CSN, mesmo diante do histórico de descumprimento das metas estabelecidas."
Em uma das conversas, o presidente do Inea se refere ao autor de um parecer contrário aos interesses da siderúrgica.
"Foi um f-d-p. Deu toda dica que ia dar um parecer ameno e veio com essa trolha".
No mesmo dia, o então secretário do Ambiente pergunta ao presidente do Inea:
"Qual vai ser a solução?"
"Estão me perguntando aqui"
"Vou ter que ligar pra te explicar. Não posso gravar, nem escrever." A mensagem aparece ao lado de emojis piscando o olho.
O que dizem os citados
O ex-secretário de Estado do Ambiente Bernardo Rossi, que hoje é candidato a deputado federal pelo União Brasil, negou qualquer vínculo patrimonial ou financeiro com a lancha citada pela Polícia Federal.
Sobre a CSN, ele afirmou que cobrava andamento dos processos, mas nunca determinou qualquer decisão das análises técnicas, jurídicas ou da legislação.
O ex-presidente do Inea Renato Bussiere disse que nunca foi proprietário da lancha e que tudo será provado dentro do processo legal. Disse ainda que está à disposição para esclarecer os fatos narrados.
Em relação à CSN, ele afirmou que o Inea não expediu licença de operação para a siderúrgica, que durante a gestão dele recebeu diversos processos de licenciamento ambiental, mas que isso não significa que tais solicitações tenham resultado em favorecimento ou interferência nas análises técnicas.
O RJ2 também pediu um posicionamento à CSN, mas não teve retorno.
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