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Empresa de delator de Vorcaro repassou R$ 620 mil a firma apontada como de fachada na Carbono Oculto, diz MP

Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro

G1 — Brasil · 2026-09-05T08:00:00.000Z

Antônio Carlos Freixo Júnior e Daniel Vorcaro

A Entre Investimentos, do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, repassou R$ 620 mil à Quimicolor, empresa apontada pelo Grupo de Atuação contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MPSP) como fictícia e utilizada para ocultar os verdadeiros responsáveis pelos pagamentos de metanol posteriormente desviado para adulterar combustíveis em postos.

A movimentação consta de uma denúncia apresentada pelo Gaeco em 18 de agosto. Os dados foram obtidos a partir da quebra do sigilo bancário de contas mantidas na BK Instituição de Pagamento, investigada na Operação Carbono Oculto.

Freixo é o empresário que afirmou, em acordo de delação premiada fechado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), ter movimentado aproximadamente R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 para gerar dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.

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Os valores, segundo o relato, eram entregues a Vorcaro, ao cunhado dele, Fabiano Zettel, ou a motoristas dos dois em malas com quantias entre R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão.

A denúncia do Gaeco não detalha quando ocorreram os pagamentos à Quimicolor, quem os solicitou nem qual negócio teria justificado a transferência de R$ 620 mil.

O documento também não indica que esse dinheiro tenha relação com as operações confessadas por Freixo à PGR. O empresário e a Entre Investimentos não foram denunciados na ação sobre o desvio de metanol.

O g1 procurou Freixo, a Entre Investimentos e a defesa dos responsáveis pela Quimicolor e aguarda manifestação.

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Empresa recebeu R$ 25,8 milhões

Segundo a denúncia, a Quimicolor recebeu R$ 25,84 milhões por meio de uma conta mantida na BK Instituição de Pagamento. A Entre Investimentos aparece entre as empresas que enviaram recursos, com um total de R$ 620 mil.

O MP afirma que parte do dinheiro recebido pela Quimicolor veio de postos de combustíveis, lojas de conveniência, transportadoras, empresas investigadas e pessoas jurídicas fictícias utilizadas para esconder os verdadeiros pagadores do metanol.

A Quimicolor, registrada em Atílio Vivácqua, no Espírito Santo, encerrou suas atividades em 2025. De acordo com a denúncia, a empresa esteve sucessivamente em nome de dois moradores de Osasco, na Grande São Paulo, que não tinham ligação aparente com o Espírito Santo nem perfil econômico compatível com o negócio.

Um deles havia trabalhado como operador de máquinas, com salário de R$ 2,7 mil. O outro tinha registros profissionais como trabalhador de manutenção e servente de obras.

O Gaeco afirma que os dois eram “laranjas” e que a empresa favorecia Admar de Carvalho Martins, o Dema, e outros integrantes da organização investigada.

Metanol desviado para postos

Segundo o documento, apenas em agosto de 2023 a Quimicolor recebeu 1,87 milhão de litros de metanol:

560.943 litros fornecidos pela GPC Química;

1.309.635 litros fornecidos pela Quantiq Distribuidora.

O MP afirma que o produto adquirido formalmente pela Quimicolor não era levado para a sede da empresa. O metanol era desviado para postos de combustíveis, principalmente na Grande São Paulo, onde seria utilizado para adulterar gasolina e etanol.

A Quimicolor movimentou R$ 25,8 milhões em pagamentos por meio da BK. Os maiores beneficiários foram justamente a GPC Química, que recebeu R$ 15,4 milhões, e a Quantiq, com R$ 7,7 milhões.

A denúncia também reproduz mensagens nas quais o CNPJ da Quimicolor era enviado a compradores como chave Pix para o pagamento do produto.

Segundo o Gaeco, a estrutura simulava a compra regular de metanol por empresas químicas. O produto, porém, não era entregue no destino indicado nos documentos fiscais e seguia para postos.

Ligação com Beto Louco

A Quimicolor não é apontada pelo MP como uma empresa pertencente a Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, ou a Mohamad Hussein Mourad, o Primo.

Segundo a denúncia, ela fazia parte de um núcleo do esquema do metanol comandado por Admar de Carvalho Martins e Everton Felipe de Barros, o Soró.

Beto Louco aparece na ação em outra função. Ele foi denunciado por supostamente financiar a organização criminosa por intermédio de empresas que controlava, principalmente a Aster Petróleo.

De acordo com o Gaeco, a Aster enviou R$ 88 milhões para a Ipê Combustível, outra empresa apontada como fictícia e utilizada na compra e no pagamento do metanol.

O MP ressalta que a organização do metanol era uma estrutura autônoma, com integrantes e divisão de tarefas próprios. Beto Louco foi acusado de financiá-la, mas não de integrar o núcleo responsável pelos carregamentos, documentos ou destinação das cargas.

Mohamad não foi denunciado nessa ação. O documento afirma, porém, que ele e Beto Louco já foram apontados em outra investigação como associados na gestão das distribuidoras Copape e Aster.

Segundo o MP, os dois comandavam uma organização criminosa do setor de combustíveis que mantinha conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Os documentos não os identificam diretamente como integrantes da facção.

Geração de dinheiro vivo

Na delação encaminhada pela PGR ao Supremo Tribunal Federal (STF), Freixo afirmou que os pedidos para obtenção de dinheiro em espécie eram feitos inicialmente por Vorcaro e, posteriormente, por Zettel.

Após receber as solicitações, o empresário entrava em contato com três operadores e fazia transferências bancárias para empresas indicadas por eles. Os operadores conseguiam o dinheiro vivo por meio de contatos no Brás, no Centro de São Paulo, e no setor de combustíveis.

Segundo o relato, uma das empresas utilizadas era uma distribuidora de combustíveis que já havia aparecido nas investigações da Carbono Oculto.

Os pagamentos eram formalizados por meio de contratos de mútuo, uma espécie de empréstimo, firmados com a Entre Investimentos. Freixo disse que recebia 1% dos valores movimentados, enquanto os operadores ficavam com 4%.

A documentação analisada pelo g1 não permite afirmar que a Quimicolor esteja entre as empresas mencionadas por Freixo na delação. A companhia é classificada pelo Gaeco como uma indústria química, e não como a distribuidora de combustíveis citada no acordo.

O empresário entregou à PGR contratos, comprovantes bancários, planilhas, conversas de WhatsApp, vídeos da movimentação das malas e recibos das bagagens compradas para transportar o dinheiro.

A colaboração foi assinada em 8 de agosto e encaminhada para homologação do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master no STF.

O advogado de Freixo, Marco Petrelluzzi, afirmou anteriormente que não poderia comentar a delação devido à confidencialidade do acordo.

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