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Polícia investiga cirurgia feita por engano em idosa que morreu 3 dias depois em hospital de Campinas

Jandira Marina Dias Braga, paciente com câncer, passou por cirurgia destinada a outra pessoa no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), e morreu três dias depois.

G1 — Campinas e Região · 2026-07-24T16:18:09.000Z

Jandira Marina Dias Braga, paciente com câncer, passou por cirurgia destinada a outra pessoa no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), e morreu três dias depois.

A Polícia Civil de Campinas (SP) confirmou, nesta sexta-feira (24), que investiga quem são os responsáveis pela cirurgia realizada por engano em Jandira Marina Dias Braga no Hospital Beneficência Portuguesa, e se o procedimento teve relação com a morte dela.

Segundo o delegado-chefe do Deinter-2, Oswaldo Diez Jr., o inquérito foi aberto depois que a neta da paciente registrou boletim de ocorrência e prestou depoimento no 1º Distrito Policial da cidade, nesta quinta-feira (23). O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

🔍 A gastrostomia é um procedimento que coloca uma sonda diretamente no estômago para alimentar o paciente ou drenar líquidos acumulados.

A polícia pretende ouvir os profissionais que participaram do atendimento de Jandira, desde a internação até a cirurgia, para entender como ocorreu a troca de pacientes e qual foi a participação de cada pessoa no caso.

O hospital admitiu o erro, informou que abriu uma sindicância interna e adotou medidas administrativas contra os profissionais envolvidos, incluindo demissões. Em nota, também afirmou que uma avaliação médica concluiu que a cirurgia "não alterou o prognóstico da paciente" - leia na íntegra abaixo.

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Investigação de conselhos

O caso também passou a ser analisado pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Não há previsão para a conclusão da investigação dos conselhos.

Nesta quinta (23), o Cremesp instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos médicos. Já o Coren-SP informou que iniciou os procedimentos de apuração previstos na Resolução Cofen nº 706/2022 e que, até o momento, não recebeu denúncia formal do Hospital sobre o caso.

🔍 A Resolução Cofen nº 706/2022 estabelece as regras para a investigação e o julgamento de possíveis infrações éticas cometidas por profissionais de enfermagem. A norma define como os Corens devem conduzir a apuração, desde o recebimento da denúncia até a decisão final, garantindo o direito de defesa e o devido processo legal.

Quem era Jandira

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Segundo a neta da vítima, a dentista Camila Dias Barozzi, Jandira era o centro das reuniões familiares. "Ela era a pessoa que unia todo mundo, casa de vó. Então, hoje, o que eu sinto só é um vazio, um silêncio, e a falta de um colo, que eu sei que era o melhor do mundo", disse.

"Minha avó era uma pessoa muito boa e muito querida. Eu acho que a última vontade que foi de não deixar ela sofrer foi o que a gente fez [...] o importante é que a gente não queria ver ela sofrer em cima de uma cama de hospital. Acho que ela está num um lugar bem melhor", contou a neta.

Em maio de 2026, ela voltou a apresentar dores abdominais e buscou atendimento. Exames indicaram um novo câncer primário, sem metástase, e a oncologista havia encaminhado o início de uma nova quimioterapia.

Para a família, o erro interrompeu a chance de um tratamento bem-sucedido. "Estava tudo encaminhando para iniciar uma nova quimioterapia, que segundo a oncologista dela, era um câncer sem metástase, então ele ia dissolver e ela ia ter de novo uma vida normal", disse a neta.

Cirurgia feita por engano

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Segundo registros do prontuário obtidos pela EPTV, afiliada da TV Globo, a troca de pacientes só foi descoberta ao final da cirurgia, durante a passagem de plantão, quando funcionários notaram que a paciente correta continuava no quarto.

Segundo Camila, a direção alegou que a intervenção trouxe "benefício clínico" porque permitiu que fluidos associados à obstrução do intestino fossem drenados. A família contesta essa avaliação e afirma que o quadro de saúde da idosa piorou após a cirurgia.

Registros médicos indicam que, no dia seguinte, Jandira apresentou confusão mental, queda da pressão arterial, redução da oxigenação e alteração no ritmo cardíaco, sendo transferida para a UTI. Ela morreu em 11 de julho, após a adoção de cuidados paliativos.

O que disse o hospital?

Jandira Marina Dias Braga, paciente com câncer, passou por cirurgia destinada a outra pessoa no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), e morreu três dias depois.

Em nota, o hospital Beneficência Portuguesa informou que identificou um "evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente", abriu sindicância interna, acionou os conselhos profissionais competentes e adotou medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos. Leia abaixo.

"O Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas informa que identificou a ocorrência de um evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente. Assim que a situação foi constatada, a instituição adotou as medidas assistenciais necessárias, comunicou os familiares e prestou todo o suporte necessário ao longo da assistência. A avaliação médica e técnica realizada após o ocorrido concluiu que o procedimento realizado não alterou o prognóstico da paciente.

Desde a identificação do ocorrido, o Hospital instaurou sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos, com o objetivo de identificar as circunstâncias da ocorrência e revisar os protocolos de segurança adotados pela instituição. O caso já foi encaminhado aos conselhos profissionais competentes e foram adotadas medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos, incluindo desligamentos.

Como resultado da apuração, o Hospital reforçou seus protocolos e fluxos de segurança assistencial, reafirmando seu compromisso com a qualidade do atendimento, a segurança do paciente, a transparência e a melhoria contínua de seus processos.

O Hospital lamenta profundamente o ocorrido e permanece à disposição."

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