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Arruda (PSD), em primeiro dia do horário eleitoral gratuito no DF
G1 — Brasil · 2026-09-06T05:00:00.000Z
Arruda (PSD), em primeiro dia do horário eleitoral gratuito no DF
Ao longo das próximas semanas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar o pedido de registro de candidatura do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD), que deseja voltar ao comando do Executivo local.
O tema chegou ao TSE nesta sexta-feira (4), quando Arruda recorreu da decisão unânime do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) de indeferir sua candidatura para as eleições deste ano.
Os desembargadores avaliaram que Arruda continua inelegível pelas regras da Lei da Ficha Limpa. O político afirma que o prazo de inelegibilidade já acabou e que, por isso, o nome dele pode constar na urna eletrônica em outubro.
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Com o recurso, a decisão final cabe ao TSE. Mas a lei não define um prazo específico para que o tema vá a julgamento. E, além do teor da decisão, o momento do anúncio do resultado também pode impactar a corrida eleitoral – e até a posse do novo governo.
TRE nega registro da candidatura de Arruda ao governo do DF; decisão foi unânime
O primeiro turno da eleição está marcado para o dia 4 de outubro – um mês exato após o dia em que o recurso de Arruda chegou ao TSE.
Um outro prazo, no entanto, é ainda mais curto: se quiser substituir o nome de Arruda por outro candidato na urna eletrônica, o PSD tem até dia 14 de setembro para fazer o pedido. Ou seja, menos de uma semana, se for descontado o feriado da Independência.
Até o momento, a coligação entre PSD e Avante não manifestou qualquer intenção de fazer a troca no sistema.
Isso significa que, se o TSE reafirmar que Arruda está inelegível, os partidos até podem substituir a candidatura – mas na urna, quem vai aparecer é a chapa atual, com a anotação de "candidatura sub judice".
O g1 questionou o TSE sobre a previsão de julgamento e as regras para a análise do recurso. O tribunal afirmou que "não se manifesta sobre casos concretos que possam vir a ser objeto de análise do Plenário da corte".
O que acontece a partir do recurso?
Segundo o advogado Guilherme Augusto Mota, especialista em direito eleitoral, candidaturas como a de Arruda são consideradas "sub judice" até que haja uma decisão definitiva da Justiça.
Enquanto o TSE não se posicionar, a campanha do ex-governador pode seguir inalterada. Arruda pode fazer eventos, aparecer na propaganda de rádio e TV e até constar na urna eletrônica, assim como qualquer outra chapa aprovada.
"Isso não significa que esses votos já estejam definitivamente validados. A candidatura permanece condicionada ao resultado do recurso", explica.
TSE começa a analisar pedidos de registro de candidaturas à Presidência
Enquanto o processo não transitar em julgado, os votos atribuídos ao candidato são contados normalmente.
Se o TSE validar o registro da candidatura, os votos são validados em definitivo.
Se o TSE confirmar a decisão do TRE e derrubar a candidatura, os votos que forem para essa chapa ficam anulados.
"Se o próprio TSE confirmar, por decisão colegiada, o indeferimento antes da eleição, o cenário muda. Deixa de existir a mesma proteção conferida ao candidato que ainda aguarda o julgamento", explica Mota.
Nas primeiras rodadas das pesquisas da Quaest e do Datafolha para o governo do DF, divulgadas em agosto, Arruda aparece na segunda colocação nas intenções de voto para o governo.
Por isso, a situação jurídica da candidatura do ex-governador pode mudar o resultado das eleições de diferentes formas.
O advogado eleitoral Luiz Felipe da Silva Andrade, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep), ajuda a entender o que pode ocorrer em cada um deles.
Quaest no DF: Celina, 34%; Arruda, 20%; Grass, 13%
Saída da disputa eleitoral
Se Arruda ou o partido assim decidirem, o candidato tem até o dia 14 de setembro para indicar um substituto na chapa. A lei prevê que isso deve acontecer até, no máximo, 20 dias antes do primeiro turno.
Nesse caso, a foto do ex-governador pode até aparecer na urna, mas os votos serão computados para a nova composição da chapa.
Arruda no segundo turno
Mesmo que o TSE não tenha decidido sobre o registro, Arruda pode ser votado e até chegar ao segundo turno como uma candidatura "sub judice" (sob julgamento).
Se o TSE rejeitar a chapa entre a votação de primeiro e a votação de segundo turno, os votos dados a Arruda são anulados. E, neste caso, a regra é convocar a terceira chapa mais votada.
Mas há uma exceção. Se a soma desses votos anulados com os outros votos nulos ultrapassar os 50%, será preciso convocar uma nova eleição.
Se a candidatura de Arruda (ou qualquer outra) for anulada ou rejeitada após a votação, o TSE terá de fazer um processo chamado de "retotalização".
Na prática, a conta é simples: os votos anulados são retirados do somatório, e as porcentagens são recalculadas.
🧮Imagine uma eleição com 100 votos. Ao fim da apuração, o candidato A tem 40 votos (40%), o candidato B tem 20 (20%) e os demais candidatos concentram os 40 votos (40%) restantes.
🧮Se os votos do candidato B forem anulados, as proporções mudam. Os 20 votos seriam retirados da conta, e sobrariam apenas 80 votos válidos. Nesse cenário, o candidato A passaria a ter 50% de votos (40 dos 80 votos).
No cenário acima, a disputa teria ido originalmente para um segundo turno. E, mesmo que o candidato líder ultrapassasse os 50% na nova divisão, uma vitória em primeiro turno não seria declarada.
Quem explica é o advogado eleitoralista Luiz Felipe da Silva Andrade.
"Se Arruda estiver entre os dois classificados para o segundo turno [e perder no TSE, o outro finalista não é automaticamente eleito se atingir os 50% dos votos remanescentes. Excluído definitivamente um dos classificados entre os turnos, entra a próxima chapa mais votada e realiza-se o segundo turno", explica.
Como não há um prazo definido em lei, a decisão sobre a candidatura de Arruda pode sair, inclusive, após o resultado final das eleições – seja em turno único, seja em dois turnos.
Se a candidatura for aprovada pelo TSE, os votos são validados e o resultado identificado até aquele momento é confirmado.
Mas... e se a candidatura for anulada após a conclusão do processo eleitoral?
Aí, mais uma vez, a lei prevê diferentes cenários.
Se Arruda ganhar a eleição e ainda estiver com sua candidatura "sub judice", o Tribunal Superior Eleitoral fica impedido de proclamar o resultado até que a validade da chapa seja julgada. Neste caso, o recurso ganha regime de urgência.
Se o registro da candidatura for rejeitado e o candidato tiver vencido na urna, o resultado é anulado e um novo pleito deverá ser convocado.
📆É preciso se atentar a outra data importante: a diplomação, marcada para 18 de dezembro.
📆Candidatos que aguardam julgamento de suas chapas não podem ser diplomados nos cargos. Se a data chegar, eles ficam impedidos de tomar posse nos mandatos.
"A Resolução determina que o presidente do Poder Legislativo assuma temporariamente o cargo. No Distrito Federal, isso significa o presidente da Câmara Legislativa, que permaneceria no exercício até uma decisão favorável sobre o registro ou a realização da nova eleição", explica o especialista.
Por que o TRE-DF rejeitou o registro de Arruda?
O Tribunal Regional Eleitoral acatou, por votação unânime, os argumentos de duas impugnações – uma do Ministério Público Eleitoral, e outra apresentada por um ex-administrador regional e atual candidato a deputado distrital.
🔎 Impugnar é o ato de apresentar oposição ou contestar algo. Ou seja, a impugnação de registro de candidatura é a forma de tentar que determinada pessoa não possa ser candidato ou candidata por não cumprir as condições exigidas. A decisão cabe à Justiça Eleitoral.
Ambas afirmavam, com base em cálculos e argumentações diferentes, que Arruda está inelegível em razão das condenações impostas pela Justiça relacionadas à operação Caixa de Pandora.
O plenário seguiu a posição do relator dos processos, o desembargador eleitoral Guilherme Pupe. Em um longo voto, o magistrado afirmou, entre outros pontos:
TRE-DF barra candidatura de Arruda ao GDF
Em recurso protocolado no TSE, Arruda defende que a inegibilidade passa a contar a partir da condenação de 2014. Com isso, mesmo com o prazo máximo de 12 anos de restrição dos direitos políticos, ele está elegível desde junho deste ano.
A decisão do TSE é definitiva. As partes do processo podem apresentar os chamados "embargos", recursos que pedem esclarecimentos ou questionam pontos específicos do acórdão e, em geral, não alteram o mérito (conteúdo) da decisão.
Um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) só pode ser apresentado com base em suposta ofensa à Constituição Federal -- e não com base na legislação eleitoral, por exemplo.
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