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Motos caem, carros batem e ônibus não sobem: o mistério da ladeira que viralizou em Manaus
G1 — Brasil · 2026-09-06T13:19:54.000Z
Motos caem, carros batem e ônibus não sobem: o mistério da ladeira que viralizou em Manaus
Uma ladeira onde motos caem com frequência, carros batem e até veículos pesados têm dificuldade para subir. A cena, que poderia parecer incomum, virou rotina para moradores da Rua Carlos Drummond de Andrade, no bairro Tancredo Neves, na Zona Leste de Manaus. As imagens registradas no local se espalharam pelas redes sociais e transformou o trecho em um dos pontos de maior repercussão entre moradores e o g1 foi conferir de perto. (Assista acima).
O comerciante William Ribeiro instalou câmeras de segurança em seu comércio, próximo à ladeira, e passou a registrar os acidentes e a publicar em uma rede social. Ele percebeu que as ocorrências eram frequentes e não casos isolados.
“A gente já observava antes. Depois que montei meu comércio e coloquei as câmeras, percebi que acontecia constantemente”, disse Ribeiro.
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Desde então, William disse ter publicado cerca de 200 vídeos, a maioria mostrando quedas de motociclistas.
O morador afirma que publica os vídeos para alertar motoristas e incentivar mais cuidado ao passar pela ladeira. Ele não esperava tanta repercussão, mas considera positiva a atenção ao problema.
A constância dos acidentes chama atenção. As câmeras mostram cenas repetidas: motos perdendo o controle, carros batendo e veículos pesados sem força para vencer a subida.
‘Todo santo dia tem acidente’
Para quem mora na região, a frequência das ocorrências já faz parte da rotina. Enquanto era entrevistado pelo g1, William afirmou que, mesmo que ainda não houvéssemos presenciado um acidente no momento, seria comum que alguma coisa aconteceria a qualquer momento.
“Todo santo dia tem acidente aqui. Ó, hoje ainda não acabou o dia, mas se tu olhar daqui pra depois, vai ter acidente, eu tenho certeza”, afirmou.
Segundo ele, no dia anterior à entrevista, foram registrados cerca de cinco acidentes.
William diz que os vídeos servem como alerta para quem passa pelo local. Ele evita usar a ladeira quando a pista está molhada.
Por que tantos acidentes?
Para William, os acidentes acontecem por dois motivos: a forte inclinação e a água que escorre pela pista. Com o asfalto molhado, o risco aumenta.
A velocidade de alguns veículos também agrava a situação. Para o morador, uma intervenção com sinalização poderia ajudar a reduzir os riscos.
“Se tivesse sinalização, ajudaria muito. Quem vive aqui sabe que dá medo”, disse.
Veículos pesados também enfrentam dificuldade
A situação não envolve apenas motociclistas e carros. William afirma que caminhões e carretas também já tiveram que recuar por não conseguir subir a ladeira.
“É o recuo das carretas, quando desce aqui é muito perigoso. É arriscado matar alguém mesmo”, afirmou.
Durante a reportagem, a equipe do g1 viu um ônibus do transporte coletivo com dificuldade para subir o trecho. Um passageiro tentou ajudar colocando uma pedra no pneu, mas não funcionou. O veículo precisou descer e tentar novamente.
A situação provocou uma fila de veículos atrás do coletivo e durou pouco mais de dez minutos.
Ônibus não consegue subir ladeira na rua Carlos Drumond de Andrade, no bairro Tancredo Neves, em Manaus.
Francisco Bento/Rede Amazônica
Moradores temem que acidente grave aconteça
Carro quase colide com moto na rua Carlos Drumond de Andrade, no bairro Tancredo Neves, em Manaus.
Francisco Bento/Rede Amazônica
O técnico em patologia Júlio Cesar Ferraz mora perto da ladeira e diz que a situação é um risco permanente para os moradores.
“É um descaso. Simplesmente não fazem nada. O poder público tem que fazer alguma coisa aqui, porque tá pra acontecer tragédia com vidas”, afirmou.
Júlio conta que já viu caminhões baterem em postes, causando incêndio e deixando a comunidade sem energia. Em outra ocasião, um caminhão já chegou a atingir a área próxima à casa da família.
“Porque, olha, aqui já teve três caminhões carregando, e bateram, aí tocou fogo. Ficou a comunidade dois dias sem luz. Já acertou, bateu aqui no muro, só faltou cair aqui dentro. O caminhão ficou aqui dentro quase, da casa”, lembrou.
O g1 procurou o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) para saber se há medidas previstas para o local, como obras, manutenção ou sinalização, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.