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Mais de 90% da chuva de agosto caiu em apenas dois dias na capital, diz Defesa Civil

Chuva intensa não altera seca crítica em Rio Branco

G1 — Brasil · 2026-09-06T19:12:00.000Z

Chuva intensa não altera seca crítica em Rio Branco

Em agosto, foram registrados 48,1 milímetros de chuva em Rio Branco, cerca de 3,4% a mais do volume previsto para o mês, que era de 46,5 milímetros. 48,1 milímetros de chuva em Rio Branco, cerca de 3,4% a mais do volume previsto para o mês, que era de 46,5 milímetros.

Contudo, segundo a Defesa Civil Municipal, apesar de ter ultrapassado o previsto, a chuva ficou concentrada em poucos dias: 25 dos 31 dias não tiveram registro de precipitação.

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Dos seis dias em que choveu, dois somaram 44 milímetros, cerca de 91% de toda a chuva registrada no mês. Conforme o levantamento da Defesa Civil, em um deles choveu 16 milímetros e, no outro, 28 milímetros.

O acumulado de agosto deste ano, no entanto, foi quase quatro vezes maior que o registrado no mesmo mês de 2025, quando Rio Branco teve 12,2 milímetros de chuva, equivalente a 26% do volume esperado. (Confira, mais abaixo, a série histórica de janeiro a agosto deste ano)

👉 Naquele período, a capital acreana também enfrentava uma das fases mais secas do ano, com o Rio Acre abaixo dos dois metros.

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Ao g1, o coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que o acumulado de agosto não representa uma mudança no cenário de estiagem porque a chuva não ocorreu de forma regular.

“Agosto teve esses 48 milímetros de chuva. A gente esperava 46,5 milímetros, mas é bom lembrar que só choveu seis dias do mês. Em dois desses dias foi praticamente toda a chuva do mês”, salientou.

A concentração das precipitações também foi observada ao longo do primeiro semestre deste ano. Entre janeiro e junho, Rio Branco acumulou 1.557,5 milímetros, 18% a mais que os 1.321,2 milímetros registrados no mesmo período de 2025.

O volume maior, no entanto, também foi influenciado por episódios isolados. Em junho, por exemplo, a capital acumulou 106 milímetros, mas 103 milímetros caíram em apenas um dia. Sem essa chuva, o mês teria terminado com aproximadamente 3 milímetros.

Com 48,1 mm acumulados, Rio Branco registra mais de 103% da chuva prevista para agosto

Rafaela Rodrigues/Arquivo pessoal

Para setembro, a Defesa Civil Municipal prevê 92,7 milímetros de chuva, quase o dobro do volume esperado para agosto.

Mesmo assim, Falcão afirma que o cenário de estiagem deve continuar, já que a previsão indica que as chuvas podem ocorrer de maneira irregular.

“É difícil chover e, se chover, vai ser de maneira irregular, e infelizmente isso não resolve o problema da seca, que deve continuar. Isso porque o volume de chuva previsto para o mês, sozinho, não garante uma melhora nas condições hídricas da capital. A frequência e a distribuição das precipitações também são importantes”, afirmou.

Rio Acre segue abaixo dos 2 metros

Enquanto agosto terminou com chuva acima do esperado no acumulado, o Rio Acre continua em nível baixo em Rio Branco.

Segundo a Defesa Civil Municipal, o manancial marcou 1,59 metro neste domingo (6), a menor marca deste ano até então. A medição ocorre poucos dias depois de o rio atingir 1,83 metro, no dia 31 de agosto e ficar abaixo dos 2 metros pela 3ª vez este ano.

O baixo nível também é reflexo da falta de chuvas na capital. Falcão explica ainda que as oscilações registradas no manancial nas últimas semanas não significam necessariamente uma melhora na situação hídrica da capital.

“Essa água que aumenta o nível do rio nunca é daqui. Ela é de outros municípios. Então, o cenário não muda. Mesmo a gente tendo chuva dentro do esperado para agosto”, completou.

Rio Acre está abaixo dos 2 metros em Rio Branco

Richard Lauriano/Rede Amazônica Acre

🌡️☀️ Calor e estiagem

Além da falta de chuvas regulares, as altas temperaturas aumentam a pressão sobre os rios e o solo. Segundo Falcão, o calor favorece a evaporação e contribui para manter a região mais seca. A previsão de chuvas abaixo da média se estende por setembro, outubro, novembro e dezembro.

Com menos chuva e temperaturas elevadas, a tendência é de maior perda de água do solo e dos mananciais.

O cenário também ocorre sob a possibilidade de influência do El Niño, fenômeno climático associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e que pode alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do país.

Para a região Norte, historicamente, o fenômeno está relacionado a períodos mais secos e quentes. O calor intenso, por sua vez, agrava os efeitos da estiagem.

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