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Apesar de decisivas nas eleições, mulheres ainda são minorias nas campanhas dos presidenciáveis

Apesar de serem mais da metade do eleitorado brasileiro — 52,84% dos eleitores—, as mulheres ainda têm pouca representação dentro do núcleo estratégico das campanhas dos principais candidatos à Presidência em 2026.

G1 — Política · 2026-09-07T12:04:02.000Z

Apesar de serem mais da metade do eleitorado brasileiro — 52,84% dos eleitores—, as mulheres ainda têm pouca representação dentro do núcleo estratégico das campanhas dos principais candidatos à Presidência em 2026.

Um levantamento da GloboNews identificou as mulheres que ocupam funções de coordenação, comunicação, marketing, jurídico, economia, mobilização, logística e outras áreas estratégicas nas campanhas de Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) — os cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais.

O levantamento considera os nomes apresentados pelas próprias campanhas como integrantes de suas equipes.

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Não se trata, portanto, da totalidade de pessoas envolvidas em uma campanha eleitoral, que também pode incluir fornecedores, prestadores de serviços, militantes e equipes contratadas para atividades de mobilização e de rua.

O objetivo é identificar quem ocupa funções diretamente ligada ao chamado “núcleo duro”, ou seja, à formulação de estratégias, propostas e comunicação dos candidatos.

Flávio Bolsonaro é quem conta com mais mulheres em sua equipe. De 26 funcionários identificados pela campanha, 10 são do gênero feminino. Em seguida, Renan Santos e Ronaldo Caiado têm seis mulheres identificadas em suas campanhas; Romeu Zema tem cinco e Augusto Cury, quatro.

Todos os nomes foram divulgados pelas assessorias dos candidatos, com exceção da equipe de Lula.

Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema

Luís Inácio Lula da Silva (PT)

Apesar das várias tentativas de contato, a assessoria da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não confirmou oficialmente à reportagem a lista de mulheres que integram a equipe de reeleição, e os nomes foram levantados pela apuração daqueles já divulgados na imprensa.

Mônica Valente — mobilização nos estados

Nicole Briones — coordenação digital do partido

Claudinha Lima — secretária de Nucleação

Júlia Kopf — secretária de Juventude

Lucinha Barbosa, a Lucinha do MST — secretária de Movimentos Populares e Políticas Setoriais

Mazé Morais — secretária Nacional de Mulheres do PT

Luna Zarattini — vereadora paulistana que ajuda a articular o diálogo com o eleitorado jovem

Flávio Bolsonaro (PL)

Daniella Marques — coordenadora da área econômica e do plano Brasil por Elas

Maria Cláudia Bucchianeri — coordenadora da equipe jurídica eleitoral

Myrian Prado — núcleo de economia

Francielly Almeida — núcleo de economia

Tereza Cristina — núcleo de agronegócio

Carolina Ragazzi — núcleo de Mulheres

Lyvia Montezano — núcleo de Mulheres

Fernanda de Luca — coordenadora da assessoria de imprensa

Michelle Rodrigues — coordenadora da área digital

Bruna Leal — consultora da área de tecnologia

Renan Santos (Missão)

Jannifer Cabral — produção geral

Catalina Soifer — assistência jurídica

Rafaela Cupertino — coordenação da Missão Mulher

Nevilane Vasconcelos— assessoria de imprensa

Nicoly Santos— coordenação logística

Amanda Vettorazzo — coordenação de campanha

Ronaldo Caiado (PSD)

Cristiane Schmidt — núcleo de Economia

Ana Carla Abrão — núcleo de Economia

Valéria Torres Reis — Estratégia de Campanha e Análise de Opinião Pública

⁠Fatima Gaviolli — núcleo de Educação

Andrea Vulcanis — núcleo de Meio Ambiente

Alda Marcantonio — núcleo Social e de Educação

Romeu Zema (Novo)

Luciana Lopes — núcleo de gestão pública e eficiência no governo

Samanta Pineda — núcleo de meio ambiente

Adriana Ventura — núcleo de saúde

Elizabeth Jucá — núcleo de desenvolvimento social

Bárbara Botega — núcleo de cultura e turismo

Augusto Cury (Avante)

Luciana Martins — coordenação nacional da campanha

Adriana Saraiva— coordenadora de logística e operações

Ana Augusta Ribeiro — coordenadora de comunicação e marketing.

Damaris Bubans — coordenadora de agenda, mobilização política e acompanhamento estratégico.

Importância das mulheres nas eleições 2026

A ausência de mulheres em posições de comando dentro das campanhas chama atenção, porque são esses cargos, sobretudo o de coordenação de políticas voltadas ao público feminino, que costumam traduzir o discurso de campanha em propostas concretas e em capacidade de diálogo com as eleitoras.

Não por acaso, todos os presidenciáveis dedicam algum trecho de seus planos de governo a políticas específicas para mulheres, tratando o tema como eixo estratégico para se destacarem nas urnas.

Lula defende a continuidade do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, Flávio concentra suas propostas no plano "Brasil por Elas", Zema trata o tema dentro das áreas de segurança e saúde, propondo a ampliação das Delegacias da Mulher para funcionamento 24 horas com equipes preferencialmente femininas.

Cury reserva um capítulo à Política Pública de Proteção às Mulheres, cujo carro-chefe é o Programa Mulheres Vivas, unindo tecnologia, forças de segurança e assistência jurídica.

Ronaldo Caiado, por sua vez, dedica um tema inteiro do plano exclusivamente às mulheres, organizado em torno de quatro direitos: viver sem violência, cuidar da saúde, trabalhar e empreender com igualdade de oportunidades e participar das decisões. Isso inclui a criação de um Pacto Nacional pelo Fim do Feminicídio e um selo para empresas com práticas de igualdade salarial.

Apesar disso, todos têm times compostos majoritariamente por lideranças masculinas.

Falta de representatividade também nas candidaturas

Esse desequilíbrio nos bastidores das campanhas presidenciais não é um fenômeno isolado. Na verdade, espelha um cenário mais amplo de sub-representação feminina também nas candidaturas.

Em 2026, as mulheres representam 34,8% das candidaturas registradas para as eleições, segundo dados do TSE atualizados em 16 de agosto. Ao todo, são 7.134 candidaturas femininas contra 13.362 masculinas. Em 2022, a participação feminina era de 33,8%.

A distância é maior justamente na disputa presidencial: das 13 candidaturas ao Planalto em 2026, apenas duas são de mulheres — Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC). Em 2022, eram 4 mulheres entre os mesmos 13 concorrentes, ou seja, a proporção de candidatas à Presidência caiu pela metade em quatro anos.

Nos governos estaduais, mulheres são 32 entre 195 candidatos (16,4%, ante 17% em 2022).

Para o Senado, 21,9% dos candidatos são mulheres (69 de 315), também abaixo dos 23,9% de 2022.

A participação sobe nas vagas de vice-presidente (38,5%) e vice-governador (42,9%, a maior proporção entre todos os cargos em disputa), o que reforça um padrão: mulheres avançam mais em posições de apoio do que nas cabeças de chapa.

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