ITATIBA1

Mulher denuncia que motorista de aplicativo expulsou filha autista de carro durante corrida em João Pessoa

Mãe denuncia que motorista de aplicativo expulsou ela e filha autista de carro durante corrida em João Pessoa

G1 — Brasil · 2026-07-24T20:42:23.000Z

Mãe denuncia que motorista de aplicativo expulsou ela e filha autista de carro durante corrida em João Pessoa

Uma criança de 9 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3 de suporte e a mãe foram expulsas de um carro por aplicativo durante uma corrida em João Pessoa. Segundo relato da mulher ao g1, o caso aconteceu na quarta-feira (23), quando o motorista interrompeu a viagem após se incomodar com a música que a menina ouvia no celular durante o trajeto para uma sessão de terapia.

✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp

O g1 entrou em contato com a Uber para solicitar um posicionamento sobre o caso, já que a corrida foi solicitada por meio da plataforma e o motorista é cadastrado na empresa. Até a última atualização desta reportagem, a Uber informou apenas que está apurando a situação.

De acordo com a mãe, a corrida foi solicitada em Mangabeira, na Zona Sul de João Pessoa, para levar a filha até uma sessão de terapia na Associação A-ima Mães de Autistas, localizada no bairro do Cuiá, também na Zona Sul da capital. Durante o trajeto, o motorista assistia a um anime no celular enquanto dirigia e, segundo a mulher, se incomodou com o som da música que a criança ouvia no celular.

A mulher contou que pediu para a filha diminuir o volume do celular e explicou ao motorista que a menina é autista nível 3 de suporte, condição que exige maior necessidade de acompanhamento e estratégias para evitar crises.

🔎 Os níveis de suporte do Transtorno do Espectro Autista (TEA) indicam o grau de apoio que uma pessoa pode precisar no dia a dia, considerando aspectos como comunicação, interação social e adaptação a mudanças. O nível 1 indica necessidade menor de suporte; o nível 2, necessidade moderada; e o nível 3, como no caso da criança citada na reportagem, necessidade de apoio intenso para atividades cotidianas. A classificação não está relacionada à inteligência ou à capacidade da pessoa.

Agora no g1

Segundo o relato, mesmo após a explicação, o motorista determinou que mãe e filha deixassem o veículo, apesar da chuva. Ainda de acordo com a mulher, ele estacionou próximo à calçada "para ficar melhor de descer" e afirmou: "No meu carro fica quem eu quero".

A mãe disse que o motorista respondeu que "não era a primeira nem seria a última autista" transportada por ele e afirmou que bastava ela conseguir fazer a criança obedecer.

Ainda conforme o relato, ao questionar o fato de o motorista estar assistindo a um desenho enquanto dirigia, o homem aumentou o volume do som do carro e perguntou se ela queria saber "o que era som alto". A mulher acredita que a atitude teve a intenção de provocar uma desregulação na criança.

A mãe informou que avisou que acionaria a polícia e denunciaria o caso à plataforma de transporte. Segundo ela, o motorista respondeu: "Pode chamar quem você quiser".

Após serem obrigadas a deixar o veículo, mãe e filha ficaram na chuva, no bairro do Geisel. A mulher ligou para o 190 e relatou que uma viatura da Polícia Militar que passava pelo local foi abordada e levou as duas até a associação, onde a criança receberia atendimento.

Na instituição, a mulher recebeu apoio da equipe, registrou um boletim de ocorrência e formalizou a denúncia junto à plataforma de transporte por aplicativo.

Especialista explica por que a música pode ajudar crianças com autismo

Nova lei amplia direitos de pessoas com autismo na Paraíba

O neuropsicólogo Paulo de Paula, diretor-fundador da Associação A-ima, explicou que os níveis de suporte do Transtorno do Espectro Autista (TEA) indicam o grau de apoio de que a pessoa necessita para fazer atividades do dia a dia e não estão relacionados à inteligência ou à capacidade cognitiva.

Segundo o especialista, para muitas crianças com autismo, ouvir música durante deslocamentos é uma estratégia de autorregulação emocional que ajuda a reduzir a ansiedade e prevenir crises.

Ele afirmou que pessoas com TEA podem recorrer à música, a objetos de interesse, a estereotipias ou a hiperfocos para manter o equilíbrio emocional diante de situações potencialmente estressantes. Para o neuropsicólogo, qualquer incômodo com o som poderia ter sido resolvido por meio do diálogo.

“O que jamais se justifica é interromper a corrida e deixar uma mãe e uma criança, especialmente uma criança com deficiência, na rua, debaixo de chuva. A empatia e o respeito devem sempre orientar esse tipo de situação”, afirmou.

Paulo de Paula também defendeu que plataformas de transporte desenvolvam mecanismos para identificar motoristas interessados e preparados para atender pessoas com deficiência, incluindo pessoas com autismo. Segundo ele, a medida pode contribuir para um atendimento mais acolhedor e reduzir a ocorrência de situações semelhantes.

Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

Leia no Itatiba1 →