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Governo do DF aciona STF contra a União em duas ações envolvendo recursos federais; entenda como ambas podem afetar a capital

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)

G1 — Brasil · 2026-09-08T03:00:00.000Z

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF)

Em uma semana, o governo do Distrito Federal acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra a União em duas frentes distintas – em temas que envolve a saúde financeira do DF e o uso de recursos federais.

Em uma das ações, o governo do DF tenta anular uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, segundo o processo, pode afetar o reajuste do repasse do Fundo Constitucional nos próximos anos.

Na outra, o DF tenta obrigar a União a constar como avalista no empréstimo bilionário, travado desde o primeiro semestre, para socorrer o patrimônio do Banco de Brasília (BRB).

Até a noite desta segunda-feira (7), não havia decisão tomada em nenhuma das duas.

Como foram protocoladas há pouco tempo, os ministros ainda devem coletar a opinião de órgãos como a Advocacia-Geral da União, o Ministério da Fazenda e a Procuradoria-Geral da República antes de qualquer sentença.

Veja abaixo mais detalhes sobre cada um dos processos – e como eles podem afetar os cofres do DF no futuro.

Fundo Constitucional do DF

O DF entrou com uma Ação de Inconstitucionalidade (ADI) no STF para questionar uma lei federal que, segundo a administração distrital, pode reduzir o crescimento dos repasses do Fundo Constitucional do DF sempre que a União registrar déficit fiscal.

Na ação, distribuída ao ministro Cristiano Zanin, o governo argumenta que a nova regra afeta a obrigação da União com o custeio de parte dos gastos do Distrito Federal, prevista na Constituição.

O DF diz ainda que, se a União entrar em déficit e isso impactar o reajuste do Fundo Constitucional, o novo cálculo pode comprometer o financiamento de áreas como segurança pública, saúde e educação.

Miriam Leitão: Orçamento de 2027 tem esforço fiscal

A lei trata de vários temas – do preço dos combustíveis à realização da Copa do Mundo Feminina no Brasil no ano que vem.

No artigo 14, já no fim do texto, inclui dois dispositivos de ajuste fiscal válidos a partir de 2027. A lei diz que, se houver previsão de déficit primário, o governo fica proibido de:

reajustar para cima as despesas federais, incluindo aquelas que têm crescimento vinculado;

contabilizar os recursos do Fundo Social do Pré-Sal na hora de programar as despesas do ano seguinte.

Segundo o governo do DF, as duas medidas "punem" o Fundo Constitucional que abastece os cofres distritais. A primeira congela o reajuste dos repasses, e a segunda reduz a "base de cálculo" usada para calcular o repasse dos anos seguintes.

De acordo com a estimativa apresentada pelo governo, a medida poderá provocar uma redução de cerca de R$ 1,8 bilhão nos recursos destinados ao Distrito Federal já em 2027.

Empréstimo para o BRB

Após acordo homologado no STF, empréstimo bilionário para tentar salvar BRB não sai do papel

No dia 2 de setembro, a Procuradoria-Geral do DF entrou no Supremo com uma Ação Cível Originária (ACO) contra a União, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

A ação foi distribuída ao ministro Luiz Fux, que já é o relator da tentativa de conciliação entre o DF e a União para viabilizar um empréstimo bilionário para injetar capital no Banco de Brasília (BRB) – que vive uma crise após transações malsucedidas com o Banco Master.

O governo do DF pede que o Supremo mande a União liberar os limites financeiros necessários à operação – na prática, que "ignore" a nota baixa do DF na gestão fiscal e entre como avalista do empréstimo.

Como alternativa, a ação sugere um outro cenário: que o DF possa oferecer garantias diretas ao FGC pelo empréstimo.

O Distrito Federal alega ainda que, apesar de cumprir suas contrapartidas fiscais, a contratação está paralisada devido à inércia dos réus (União, Banco Central e Fundo Garantidor de Créditos) e à ausência de formalização das garantias bancárias previstas.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou inércia da União e afirmou que equipes do governo federal vêm viabilizando o acordo.

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